Assim como milhares de idosos no Brasil, o ex-presidente José Sarney, de 96 anos, fez questão de ir às urnas e declarou seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, mesmo tendo recebido alta hospitalar poucos dias antes. Logo após o pleito, o presidente reeleito telefonou pessoalmente para o emedebista para agradecer o apoio. A proximidade entre os dois líderes não é recente; ambos mantêm uma forte aliança e colaboração política de longa data que se iniciou no primeiro mandato de Lula, em 2002.

O estado de saúde do ex-presidente chamou a atenção após uma série de intercorrências. Em outubro, ele esteve internado após passar por uma cirurgia de desobstrução intestinal para conter fortes dores abdominais.  Após o procedimento, que transcorreu sem intercorrências, ele passou os primeiros dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do UDI Hospital, em São Luís, no Maranhão, para monitoramento pós-operatório.

A cirurgia ocorreu semanas depois de outra internação para tratamento de uma pneumonia. Sarney recebeu antimicrobianos por via intravenosa e permaneceu sob acompanhamento médico rigoroso. Em suas redes sociais, Sarney agradeceu o apoio da equipe multidisciplinar e as mensagens de carinho que vem recebendo.

Embora as notícias sobre sua evolução sejam positivas, a idade avançada é um fator que exige atenção adicional diante de infecções respiratórias. Para o pneumologista Marcelo Ceneviva Macchione, a pneumonia em idosos pode apresentar características diferentes das observadas em pacientes mais jovens.

Em idosos, nem sempre encontramos aquele quadro clássico de febre alta, tosse intensa e falta de ar evidente. Algumas vezes, os primeiros sinais são prostração, redução do apetite, sonolência, confusão mental ou uma piora do estado geral. Por isso, mudanças importantes na condição clínica de uma pessoa idosa precisam ser valorizadas”, explica.

A geriatra Priscila Guerra ressalta que, em pacientes muito idosos, o organismo possui menor reserva para enfrentar situações agudas. Isso faz com que uma infecção aparentemente localizada possa repercutir também sobre mobilidade, cognição e autonomia.

Quando falamos de uma pessoa com mais de 90 anos, não olhamos apenas para a pneumonia. Observamos como aquele organismo está respondendo como um todo. Uma internação pode provocar perda de força, redução da mobilidade, alterações do sono, do apetite e até episódios de confusão. Na geriatria, tão importante quanto controlar a infecção é preservar a funcionalidade e evitar que o período hospitalar resulte em uma perda de autonomia”, explica Priscila.

Pneumonia depois dos 90 anos exige cuidados diferentes?

O envelhecimento está associado a mudanças no sistema imunológico e a uma menor capacidade de recuperação diante de determinados eventos agudos. Além disso, a presença de doenças cardiovasculares, pulmonares, metabólicas ou outras condições pode interferir na evolução de cada paciente.

Segundo Dr. Marcelo, o fato de Sarney estar respirando sem suplementação de oxigênio é uma informação clínica relevante, mas não permite, isoladamente, determinar a gravidade ou prever quando ocorrerá a alta.

Em uma pneumonia, avaliamos oxigenação, frequência respiratória, pressão arterial, estado de consciência, alimentação, hidratação, exames laboratoriais e de imagem e, principalmente, a resposta ao tratamento. Em um paciente de 96 anos, esse acompanhamento precisa ser ainda mais criterioso”, afirma o pneumologista.

Priscila chama atenção ainda para um sinal que muitas famílias não relacionam imediatamente a uma infecção: a mudança súbita de comportamento.

Confusão mental que aparece de forma aguda em um idoso não deve ser tratada simplesmente como consequência da idade. Infecções, alterações metabólicas, desidratação e medicamentos, entre outras condições, podem desencadear delirium. Às vezes, é justamente uma alteração de comportamento que leva a família a perceber que alguma coisa está errada”, alerta a geriatra.

Recuperação não termina com o controle da infecção

Em pacientes de idade avançada, a recuperação também envolve avaliar se a pessoa voltou a comer, caminhar e realizar suas atividades habituais com segurança.

Para um idoso, especialmente em idades muito avançadas, receber alta não significa apenas que a infecção melhorou. Precisamos pensar se ele está clinicamente estável e em quais condições funcionais retornará para casa. O objetivo é tratar a doença sem perder de vista a pessoa e a qualidade de vida que ela tinha antes da internação”, conclui Dra. Priscila Guerra.

Câncer e pneumonia: qual é a relação entre as doenças?

No início do ano, a deputada federal Roseana Sarney, de 72 anos, precisou ser internada novamente para tratar um quadro de pneumonia enquanto segue em tratamento contra um câncer de mama triplo negativo. O caso reacende um alerta importante: por que pacientes oncológicos têm maior risco de desenvolver infecções respiratórias, como a pneumonia?

A infectologista Jéssica Ramos, do Hospital Sírio-Libanês, explica como o câncer e seus tratamentos podem comprometer o sistema imunológico, favorecendo infecções, quais são os sinais de alerta, formas de prevenção e quando a pneumonia pode se tornar mais grave nesses pacientes.

Com Assessorias

📲 Quer receber notícias atualizadas sobre segurança digital, saúde e bem-estar diretamente no seu celular? Entre no canal oficial do Portal Vida e Ação no WhatsApp e acompanhe todas as novidades
Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *