A influencer Aline Ferreira, de 33 anos, que morreu nove dias após se submeter a aplicações de PMMA (polimetilmetacrilato) para aumentar os glúteos não foi a única e, infelizmente, não deve ser a última. Diversas situações relacionadas ao uso desse produto – umas fatais, outras bem graves – volta e meio reaparecem com destaque na imprensa e mobilizam as redes sociais.

Um dos casos de maior repercussão ocorreu em 31 de maio de 2023.  A modelo, jornalista e influenciadora digital Lygia Fazio, de 40 anos, morreu três semanas depois de ficar internada em estado grave, por causa de um procedimento com uso do componente plástico. A substância se espalhou pelo corpo e provocou um quadro grave e levou a um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Em 2022, Lygia Fazio passou mais de 100 dias internada após complicações em decorrência do procedimento estético. Na época, ela precisou se submeter a várias cirurgias para retirar três quilos de silicone industrial, que acabou se espalhando pelo seu corpo.

Não apenas famosas foram vítimas dessa que é considerada uma das opções mais baratas quando o assunto é preenchimento. Um caso rumoroso no Rio de Janeiro foi a morte da bancária Lilian Calixto, de 46 anos, seis horas depois de se submeter a um preenchimento dos glúteos.

O procedimento foi realizado na residência do médico Denis Cesar Barros Furtado, 45, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. Conhecido nas redes sociais como Doutor Bumbum, o médico tinha três perfis, reunindo mais de 2 milhões de seguidores, onde exibia o ‘antes e depois’ dos pacientes, a maioria, mulheres.

‘Foi difícil lidar com os meus buracos’

Muitas outras mulheres também estão às voltas com as sequelas do uso de PMMA. Com 117 cm de bumbum, inflado por pelo menos dois litros de silicone e hidrogel, a influencer Juju Ferrari, de 37 anos, recebe inúmeros comentários de haters sobre o seu corpo nas redes sociais.

“Todos os dias dezenas de pessoas se sentem no direito de me insultar e me ridicularizar”, desabafa. O principal alvo das críticas é o bumbum, motivo de incômodo também para Juju, que revela já ter gasto cerca de R$50 mil em procedimentos nesta parte do corpo.

 

Andressa Urach quase morreu ao tentar retirar PMMA das coxas

Os problemas com o PMMA não vêm de agora. Em 2009, a modelo  e produtora de conteúdo adulto Andressa Urach – uma das mais famosas ex-participantes do concurso Miss Bumbum – passou por momentos de tensão e desespero.

Ao realizar uma cirurgia reparadora com preenchimento a partir de substâncias não indicadas para o uso em grande quantidade, ela quase morreu por causa do polimetilmetacrilato, aplicado junto com o chamado hidrogel, para aumentar o volume das coxas.

Uma infecção generalizada a deixou em estado grave, anos depois, quando ela foi retirá-lo. Após dias na UTI, a sepse foi controlada, mas o procedimento deixou sequelas. Na época do ocorrido, a influencer usou a tatuagem para disfarçar as cicatrizes.

Eu sempre fui extremamente vaidosa, então, foi muito difícil de lidar com os meus buracos (cicatrizes deixadas pelo PMMA)”, afirmou ela.

Este ano, ela passou pela técnica de camuflagem de cicatrizes, minimamente invasiva e extremamente rápida, realizada com a dermopigmentadora Fernanda Jaffre.

Andressa declarou que tem o desejo de esconder mais outras duas cicatrizes em seu corpo, a da mastopexia (cirurgia de redução da mama que deixa uma grande marca em formato de T) e a da cesariana. Porém, agora, com a técnica da camuflagem.

Recentemente, Andressa Urach posou de biquíni para mostrar o resultado de sua 17ª intervenção cirúrgica. Ela retirou parcialmente algumas costelas e colocou uma prótese de silicone de um litro nos seios.

Sou muito vaidosa e sempre tive o sonho de ter a cintura ainda mais fina. Tenho 72 cm e com essa cirurgia existe a possibilidade de diminuir até 18 centímetros. Ficou perfeito”, disse a influenciadora.

Ela assumiu que seu objetivo com tantos procedimentos estéticos é conseguir vender ainda mais vídeos nas plataformas de conteúdo adulto. “Acho que vou ficar com o corpo ainda mais sexy para meus vídeos. Imagina que lindo, peito bem grande e cintura bem fina. Quero vender mais conteúdos”.

De acordo com a assessoria de Andressa, ela chega a faturar R$ 1 milhão em 40 dias vendendo fotos e vídeos explícitos. Além disso, Andressa tem uma marca de cosméticos e se tornou sócia investidora de uma empresa especializada em frangos frescos, que são vendidos no atacado e no varejo.

Andressa Urach não tem problemas em falar sobre as cirurgias estéticas que realizou em sua vida. Pelas redes sociais, Andressa surpreendeu os seguidores ao divulgar uma foto antiga de quando ainda não tinha feito nenhuma cirurgia plástica.

Assim que um fã escreveu “linda antes, linda agora, linda de qualquer jeito, não é só as cirurgias”, ela publicou a imagem e respondeu: “É cirurgia, sim [emoji dando risada]”.

PMMA é usado em casos específicos e pequenas quantidades

Casos de aplicação de silicone industrial e polimetilmetacrilato, o PMMA, ganharam notoriedade após causar complicações sérias devido a sua aplicação em diferentes áreas do corpo, como glúteos, pernas, panturrilha e até nos lábios.  As substâncias não são absorvidas pelo corpo humano com o passar do tempo, o que gera diversos prejuízos à saúde do paciente.

É possível, entretanto, realizar tratamentos corporais com segurança e qualidade. O uso do PMMA para fins estéticos, como o aumento dos glúteos, é altamente controverso e perigoso. De acordo com a cirurgiã plástica Patrícia Marques, membro da SBPC, o produto só pode ser utilizado em casos específicos e em pequenas quantidades.

Mesmo assim, a substância atrai cada vez mais mulheres pela proposta de resultados instantâneos. Composto por microesferas de um material muito parecido com um plástico acrílico, o PMMA se espalha pelo tecido da região após ser aplicado. Contudo, especialistas alertam que uma vez injetada, substância não pode ser retirada.

O PMMA é bastante procurado por não ser absorvido pelo corpo, mas pode causar reações imprevisíveis a longo prazo. Ele ‘endurece’ no local aplicado e pode causar complicações com sequelas irreversíveis, como infecções crônicas e deformidades”, alerta a cirurgiã.

A especialista explica que uma vez injetado, o PMMA se espalha pelo tecido e não pode ser facilmente retirado, diferente de uma prótese de silicone, que pode ser removida a qualquer momento ou a aplicação do ácido hialurônico, que também é um tipo de preenchimento com muito mais segurança.

A tragédia envolvendo a influenciadora destaca a importância de escolher procedimentos estéticos seguros e aprovados por profissionais qualificados. O PMMA, apesar de seu uso médico específico, apresenta grandes riscos quando utilizado para fins estéticos. Por isso, consultar profissionais capacitados e optar por substâncias biocompatíveis é essencial para garantir a segurança e a saúde em qualquer tratamento de beleza”, finaliza Patricia.

A importância do profissional habilitado

Cirurgiã plástica Patrícia Marques, membro da SBPC, alerta sobre uso do PMMA (Foto: Divulgação)

A Anvisa orienta que o produto só pode ser administrado por profissionais treinados. Para cada paciente, o médico deve determinar as doses e o número de injeções necessárias, dependendo das características de cada paciente, das áreas a serem tratadas e do tipo de indicação.

A agência reguladora também esclarece que o produto não é contraindicado para aplicação nos glúteos para fins corretivos, porém, não há indicação para aumento de volume, seja corporal ou facial.

Patrícia Marques esclarece que a bioplastia, também conhecida como plástica sem bisturi, é um procedimento não cirúrgico que utiliza substâncias de preenchimento – como o PMMA – para remodelar áreas da face e do corpo, mas não é a técnica mais segura para dar volume em qualquer parte do corpo.

Segundo ela, as próteses de silicone e a lipoenxertia com a transferência da gordura para a região onde se deseja mais volume são as cirurgias mais indicadas. O PMMA nunca pode ser utilizado como um substituto do silicone, principalmente em pacientes que buscam a técnica para aplicação nos glúteos, como foi o caso de Aline, porque a dose utilizada nessa região precisa ser grande, bem maior que a de um simples preenchimento.

Cabe sempre consultar um profissional médico credenciado e responsável para avaliar a aplicação de acordo com a correção a ser realizada e as orientações técnicas de uso do produto”, destaca Patrícia.

Com assessorias

 

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