‘O que a incontinência urinária me trouxe de aprendizado’

Paciente com bexiga hiperativa há 7 anos diz que mais importante é buscar ajuda médica e não ter vergonha de expor os sintomas

Marinilze Ortolano, que sofre há mais de 7 anos com bexiga hiperativa, explica como convive com a incontinência urinária (Foto: Divulgação)
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Esta semana foi lembrado o Dia Mundial da Incontinência Urinária (16 de março), um problema que, apesar de afetar milhares de pessoas no Brasil, principalmente as mulheres, ainda é visto com um certo tabu, seja por vergonha do paciente, seja por preconceito das pessoas ainda mal esclarecidas sobre essa condição que é muito comum na população brasileira acima dos 40 anos, mas muito pouco falada, infelizmente.

Com o objetivo de conscientizar a população sobre esses temas, a farmacêutica Astellas, em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), criou em 2021 a campanha #ChegadeAperto. O objetivo é desmistificar as condições e fazer um alerta para pessoas que, ao ouvir sons de líquidos, não conseguem conter a urgência de ir ao banheiro, já que este é um dos sintomas urinários que gera incômodo e agravo da qualidade de vida.

Muitos desses casos podem ser causados por LUTS (Sintomas do Trato Urinário Inferior, da tradução do inglês) e Bexiga Hiperativa. Este último faz parte da rotina de Marinilze Ortolano Guerreiro, que sofre de bexiga hiperativa há mais de 7 anos e, com cuidado médico adequado, tem enfrentado a incontinência urinária.

“Problemas urinários são muito responsáveis por impactos além dos físicos, mas também psicológicos, podendo causar reclusão social, como no meu caso, ansiedade e até mesmo a depressão”, diz a paciente. Uma de suas dicas é não segurar a vontade de fazer xixi. Afinal, chega de aperto – e também de preconceito. Para mais informações, acesse o site e faça o teste.

‘Perdi momentos importantes com a minha família por insegurança e medo’

Por Marinilze Ortolano Guerreiro*

A incontinência urinária, ou perda involuntária de urina, pode fazer parte de uma condição chamada de Bexiga Hiperativa, que tem como característica principal a urgência em urinar, geralmente acompanhada de aumento da frequência das micções e noctúria (vontade de urinar durante a noite).

A condição tem como fatores de risco a obesidade, doenças neurológicas, diabetes, entre outros1. No primeiro estudo epidemiológico realizado com a população brasileira sobre sintomas urinários, o Brasil LUTS, foi observado que em mulheres acima de 40 anos, a Bexiga Hiperativa esteve presente em 25% dos entrevistados, 62% das mulheres tinham incontinência urinária associada, comparado a 39% dos homens.

No meu caso, tive incontinência urinária após uma cirurgia para a retirada de um tumor na minha região pélvica. Durante o tratamento que fiz com imunoterapia, comecei a perceber que a vontade de urinar era bastante frequente e, muitas vezes, acabavam acontecendo escapes de urina nas minhas roupas íntimas, já que eu não conseguia segurar. Por conta disso, comecei a optar pelo uso de fraldas ou absorventes para evitar algum tipo de vazamento.

Quando eu precisava sair de casa eu ia ao banheiro antes e assim que chegava ao local de destino, mesmo sem vontade, pois era meu modo de prevenir que acidentes mais graves pudessem acontecer. Mesmo optando pela fralda no dia a dia, não me sentia confortável para sair com frequência. Inclusive perdi momentos importantes com a minha família, como festas de aniversários e casamentos, por insegurança e medo de passar por alguma situação constrangedora.

No início, era um incômodo muito grande, mas, ao longo do tempo, foi diminuindo. Para que os sintomas sejam mais bem controlados, é essencial ter uma boa comunicação com o médico urologista. Sei que muitos pacientes sentem vergonha de expor seus sintomas, mas essa condição é muito normal em pessoas acima dos 40 anos, ou em mulheres no pós-parto. Por isso, quanto antes as pessoas buscarem ajuda médica, mais rápido será o tratamento.

O meu médico, no qual eu tinha muita confiança, me indicou exercícios pélvicos, que são como uma fisioterapia para fortalecimento dos músculos, e eu podia fazê-los em casa. Além disso, eu também tomo um medicamento oral desde o início do tratamento, há 7 anos, já faz parte da minha rotina e é muito eficaz. Apesar disso, infelizmente, a procura por tratamento é bem baixa, ficando entre 35 e 44%, também de acordo com o Brasil LUTS.

É muito importante que as pessoas visitem o médico urologista com frequência. É comum acharmos que os sintomas são naturais da idade e, além disso, durante esse período de pandemia muitos podem sentir receio de ir até um profissional ou um hospital, mas é essencial ficarmos atentos aos sintomas urinários para que seja possível iniciar o tratamento precocemente. O cuidado prévio é responsável por um tratamento mais tranquilo e com maiores chances de cura.

Além de ser possível retomar mais rapidamente a qualidade de vida do paciente que, muitas vezes, têm suas rotinas ativas interrompidas pelas constantes idas ao banheiro. Inclusive, problemas urinários são muito responsáveis por impactos além dos físicos, mas também psicológicos, podendo causar reclusão social, como no meu caso, ansiedade e até mesmo a depressão.

O que aprendi nesses anos de tratamento é que a incontinência urinária, ou qualquer outra condição relacionada aos sintomas do trato urinário inferior, são passíveis de tratamento, controláveis e podem ser minimizadas através de hábitos simples do dia a dia, como não segurar a urina.

Outras dicas são manter uma alimentação saudável e com bastante fibras, praticar exercícios físicos regularmente, controlar o diabetes e o peso corporal, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e cafeinadas e abandonar o tabagismo.

Ademais, é fundamental e necessário seguir as orientações médicas e confiar na jornada de tratamento e no processo de melhora.

*Paciente com bexiga hiperativa há 7 anos (com apoio da Assessoria da Astellas e SBU)

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