O Mês das Mães traz consigo reflexões profundas sobre a maternidade, mas, para cerca de 10% da população feminina em idade reprodutiva no Brasil, esse sonho é atravessado por um desafio silencioso e doloroso: a endometriose.  O tema voltou a ganhar força com os relatos da atriz Larissa Manoela, diagnosticada com a condição em 2020, em meio ao Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, celebrado em 7 de maio.

Compartilhando abertamente sua rotina nas redes sociais para conscientizar outras mulheres, a atriz revelou que, embora tenha sentido medo da infertilidade ao receber o diagnóstico, planeja passar por tratamentos de controle e cirurgias antes de tentar engravidar, trazendo esperança ao mostrar que a medicina avançou o suficiente para tornar a maternidade possível.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença crônica afeta aproximadamente 190 milhões de mulheres e meninas no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que a enfermidade atinja uma em cada dez mulheres, muitas das quais sofrem anos na busca por respostas devido à negligência com sintomas comuns, como a cólica.

A endometriose provoca muitas dores na mulher e a tendência é que elas progridam a cada ciclo, de tal forma que os analgésicos mais fracos precisem ser substituídos por medicamentos mais fortes. A doença impacta tanto a qualidade de vida que muitas mulheres sofrem de depressão por conta dela”, alerta o ginecologista Ricardo Bruno, chefe do Serviço de Reprodução Humana do Instituto de Ginecologia da UFRJ

O que é a endometriose e quais os seus tipos?

De forma simplificada, a endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o interior do útero e que descama durante a menstruação — cresce fora da cavidade uterina. Esse tecido pode se alojar em órgãos vizinhos, como ovários, trompas de Falópio, bexiga e intestinos.

De acordo com o Dr. Ricardo Bruno, a condição médica crônica pode se manifestar em três classificações principais:

  • Leve: Quando as lesões são superficiais ou em menor número.

  • Profunda: Quando o tecido atinge órgãos importantes como o reto, a bexiga e o ureter. Nestes casos, além das cólicas fortes, a paciente costuma relatar dores agudas durante as relações sexuais.

  • A distância: Uma manifestação mais rara na qual a doença se dissemina, geralmente por via sanguínea, podendo acometer órgãos distantes do útero, como os pulmões, os olhos ou o umbigo.

Os sintomas e a hora de procurar ajuda

 Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro, médica ginecologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE), adverte que a doença é frequentemente silenciosa ou tem seus sinais negligenciados pela sociedade, que ainda normaliza a dor menstrual intensa.

Os principais sintomas associados à condição incluem:

  • Cólicas menstruais intensas e progressivas (que iniciam de três a quatro dias antes do fluxo e pioram a cada ciclo);

  • Dor pélvica crônica;

  • Dor durante a relação sexual;

  • Alterações intestinais ou urinárias durante o período menstrual;

  • Dificuldade para engravidar.

Se você perceber que está tendo cólicas muito fortes, diferentes do que estava acostumada, é importante procurar assistência médica para investigar”, enfatiza o Dr. Ricardo Bruno, que e Mestre e Doutor em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e diretor médico da Exeltis Brasil.

Por que a doença causa infertilidade?

A relação entre a endometriose e a dificuldade para gerar um filho é uma das principais preocupações das pacientes. Dados da Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva revelam que, quando não tratada adequadamente, a doença leva à infertilidade em mais de 30% a 50% das mulheres diagnosticadas.

Isso acontece porque os focos de endométrio fora do lugar geram uma reação inflamatória crônica na região pélvica. Essa inflamação pode causar aderências e obstruções nas trompas de Falópio, impedindo o encontro do óvulo com o espermatozoide, além de alterar a qualidade dos óvulos e o ambiente uterino, dificultando a implantação do embrião.

Diagnóstico e os caminhos para o tratamento

O diagnóstico da endometriose é essencialmente clínico, baseado no histórico de sintomas e na escuta atenta do ginecologista durante as consultas de rotina. Para confirmação e mapeamento das lesões, os médicos costumam solicitar exames de imagem especializados, como a ressonância magnética e a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal específico.

O tratamento principal visa o alívio das dores e a preservação do sonho da maternidade, variando conforme a gravidade e os planos da paciente:

  1. Tratamento Clínico: Realizado com o uso de contraceptivos hormonais para conter o avanço da doença, reduzir o fluxo e cessar a dor. Os especialistas reforçam que os hormônios controlam os sintomas, mas não curam a enfermidade.

  2. Tratamento Cirúrgico: A cirurgia por videolaparoscopia é indicada para casos de endometriose profunda, falha no tratamento clínico ou quando há o objetivo de reverter a infertilidade provocada pelas aderências nos órgãos internos.

  3. Reprodução Assistida: Mulheres que desejam engravidar podem recorrer a tratamentos de indução da ovulação ou inseminação intrauterina. “Caso ela já tenha as trompas comprometidas ou obstruídas, que seria um caso profundo, a principal indicação é a fertilização in vitro (FIV)”, explica o médico da UFRJ, lembrando que, por ser uma doença progressiva, o planejamento reprodutivo deve ser discutido precocemente com o especialista.

A informação e o acolhimento médico continuam sendo as melhores ferramentas para que as mulheres quebrem o ciclo da dor e assumam o controle de sua saúde reprodutiva, transformando o diagnóstico em um caminho de cuidado e superação.

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