Janeiro é o mês das perguntas: “Vou conseguir o emprego?”, “Minhas finanças entrarão nos eixos?”, “Conseguirei cuidar da minha saúde?”. Esse clima de recomeço, cercado de incertezas, foi o que motivou a criação do Janeiro Branco. Mas os dados mostram que, no Brasil, o planejamento do ano novo esbarra em uma realidade dura: somos a nação mais ansiosa do planeta.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros convivem com a ansiedade. O impacto é tão profundo que os transtornos mentais já representam a segunda maior causa de afastamento do trabalho no país, gerando mais de 576 mil auxílios-doença anuais.

O retrato da mente brasileira: mulheres e jovens no epicentro

Pesquisas recentes revelam que o sofrimento emocional não atinge a todos da mesma forma. Um estudo do portal Trocando Fraldas e dados da Fiocruz traçam um perfil preocupante:

  • Mulheres no topo: 54% das brasileiras sofrem ou sofreram com ansiedade. O estresse contínuo afeta 26% delas.

  • Recorte por idade: A ansiedade atinge principalmente as jovens (18 a 24 anos) e mulheres que tentam engravidar. Já a depressão é mais prevalente na faixa dos 45 aos 50 anos ou mais.

  • Geografia do estresse: O Rio Grande do Sul lidera o ranking de estados onde as mulheres mais sofrem com a saúde mental, seguido de perto por Minas Gerais (69%) e Rio de Janeiro (68%).

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O “efeito cascata” da pandemia

A saúde emocional de 62% das mulheres e 43% dos homens piorou drasticamente nos últimos anos. Especialistas apontam que, além da ansiedade e depressão, as dependências químicas — com destaque para o alcoolismo — cresceram como uma forma de “anestesia” para o sofrimento acumulado.

Para a psiquiatra Raquel Heep, o maior obstáculo ainda é o tabu. “É preciso desmistificar. Saúde mental é uma doença como qualquer outra. Assim como buscamos um cardiologista, precisamos criar o hábito de pedir ajuda quando a mente não vai bem”, ressalta.

Dicas para não deixar o planejamento virar angústia

Lidar com tantas responsabilidades (trabalho, filhos, casa) é desgastante. A psicóloga Ticiana Paiva de Vasconcelos e o psiquiatra Bruno Brandão sugerem caminhos para atravessar o ano com mais equilíbrio:

  1. A regra dos 15 dias: Se a tristeza ou o desânimo ultrapassarem duas semanas, não espere. É o sinal de alerta para buscar ajuda profissional.

  2. Telessaúde como aliada: Para quem evita sair de casa ou tem rotinas apertadas, o atendimento remoto é uma ferramenta eficaz para o alívio da carga emocional.

  3. Higiene da rotina: O estresse virou “normal”, mas é perigoso. Foque no que realmente importa e evite se sobrecarregar com listas de metas impossíveis.

  4. Seja um agente de saúde: A psicóloga Sônia Eustáquia lembra que somos seres sociais. Cobrar políticas públicas e apoiar amigos e familiares é parte do pacto pela vida.

Quem cuida da mente, cuida da vida. Que este Janeiro Branco seja o primeiro passo para um 2026 onde o bem-estar emocional não seja apenas uma promessa, mas uma prática diária.

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