Diante de doenças incuráveis ou diagnósticos preocupantes, gestos de carinho se tornam essenciais para aqueles que passam seus dias em um leito hospitalar. Para Lucas Camargo, de 23 anos, cuja vida mudou em 2018 após um acidente em uma cama elástica que o deixou tetraplégico, o hospital tornou-se um lugar frequente em sua rotina. Apesar das dificuldades enfrentadas, Lucas encontrou uma nova família na equipe do hospital, que o apoiou desde o início da recuperação.

Quando venho para o hospital, sei que minha saúde não está bem, mas também sei que vou encontrar profissionais queridos que guardo no meu coração. Aprendi que, enquanto há vida, há esperança. Viver com a minha deficiência é difícil, mas isso não vai me parar. Eu continuo lutando pela vida e em todo lugar que vou, espero levar apenas alegria. Tive medo de morrer, mas são as dificuldades que me mostram como cada momento é especial, até mesmo aqui dentro do hospital”, emociona-se.

Histórias como a de Lucas acontecem todos os dias nos hospitais, e servem de inspiração para os profissionais que lidam com esse ambiente diariamente. E foi na tecnologia, muitas vezes vista como o oposto da humanização, que a equipe do Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR), identificou potencial para acolher pessoas, com auxílio da Inteligência Artificial.

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Tecnologia que acolhe

Lucas foi presenteado com uma canção na fase inicial da ação e relata um pouco do carinho e acolhimento que encontrou na equipe do hospital, que hoje considera uma segunda família. Ele é um pacientes atendidos na campanha “Som da Vida” utiliza a inteligência artificial, aliada à histórias de vida de pacientes para criar músicas personalizadas para cada um, com o objetivo de humanizar o atendimento e amenizar o peso de momentos difíceis.

Durante o processo criativo, são realizadas entrevistas com os pacientes para que suas histórias, personalidades e gostos musicais sejam utilizados como base para as músicas. Com essas informações, uma ferramenta de IA compõe as canções personalizadas, transmitindo mensagens otimistas, de conforto e esperança. As letras e melodias refletem a essência de cada paciente, resultando em composições que tocam profundamente o coração dos presenteados.

Ações como essa não apenas utilizam a tecnologia de forma humanizada, mas também destacam a importância do cuidado emocional em ambientes hospitalares. Para Lucas Camargo, a música personalizada foi mais um símbolo do carinho e acolhimento que ele encontrou nos corredores dos hospitais ao longo de sua jornada.

Eu não teria evoluído tanto se não fosse por esse cuidado, que vai além da medicina, dentro do hospital. Posso dizer que hoje sou muito grato pelo tratamento que recebi”, finaliza.

Um presente para pacientes em cuidados paliativos

Na fase inicial da ação, cinco pacientes, incluindo  Lucas, receberam esse presente. Com o sucesso da iniciativa, o hospital decidiu estendê-la para uma segunda fase, presenteando desta vez, com uma canção, os pacientes em cuidados paliativos e de longa permanência na instituição.

Nós enxergamos uma oportunidade única de utilizar a inteligência artificial para proporcionar um presente especial aos nossos pacientes. Queríamos que eles realmente ficassem felizes, mesmo nos momentos em que estão mais fragilizados”, comenta a gerente do hospital Ana Paula Tabor Druszcz.

Ela destaca que foi na tecnologia, muitas vezes vista como o oposto da humanização, que a equipe identificou um  potencial para acolher essas pessoas. “Queremos demonstrar que, mesmo por meio de uma ferramenta considerada ‘fria’ como a tecnologia, é possível humanizar o atendimento e transmitir esse carinho aos nossos pacientes”, afirma.

Com informações do Hospital Cajuru

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