Depois de ficar mais de 10 horas numa prova de resistência do programa Big Brother Brasil, o ator Henri Castelli, de 47 anos de idade, sofreu uma convulsão e foi encaminhado para realização de uma bateria de exames no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca.
Durante a dinâmica, na manhã desta quarta-feira (14/01), o participante caiu da plataforma e começou a convulsionar. A produção informou que a prova foi imediatamente interrompida para que o ator pudesse receber atendimento pela equipe médica do programa.
Não se sabe ainda se esta é a primeira crise convulsiva de Henri Castelli, mas casos de convulsão exigem avaliação médica imediata, independentemente de histórico neurológico prévio. No caso de Henri Castelli, a preocupação é ampliada pelo fato de a crise ter ocorrido durante uma prova, elevando o risco de trauma físico.
De acordo com o site Quem, o episódio levantou preocupação dentro e fora da casa já que se trata de uma emergência hospitalar que pode inviabilizar sua permanência no reality, diante dos protocolos médicos e das regras do programa, a necessidade de internação e exames. “Em casos como esse, a produção costuma priorizar a saúde e a segurança do participante, mesmo que isso resulte em sua saída definitiva do jogo”, informou o site, que é do grupo Globo.
O que pode causar uma crise convulsiva?
Ouvida pelo Portal Vida e Ação, a neurologista Carla Guariglia, do Hospital Samaritano Higienópolis, explica que a crise é sempre uma manifestação do cérebro e pode ir desde uma “parada” com olhar fixo até perda de consciência, queda e movimentos involuntários.
Ela destaca que exaustão física, sozinha, não causa convulsão, mas situações como desidratação extrema, perda de sódio e potássio, calor intenso e privação de sono prolongada podem desencadear crises, especialmente em pessoas com fatores predisponentes. A médica também orienta como agir: proteger a cabeça, virar o rosto para o lado em caso de vômito e não colocar objetos na boca.
Segundo o médico endocrinologista esportivo João Marcelo Branco, todo episódio convulsivo deve ser tratado como emergência. “Convulsão aguda precisa ser investigada com urgência. Em situações com risco de impacto físico, a ida imediata ao hospital é indispensável”, disse ele à Quem.
Uma única convulsão é suficiente para diagnosticar epilepsia?
A crise convulsiva é um dos principais sintomas de quem tem epilepsia, um distúrbio neurológico crônico que afeta cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, se esta for a primeira vez que Henri Castelli sofre uma crise, não é possível afirmar que ele sofra com esta condição ainda cercada de muitos estigmas, dúvidas e desinformação.
A convulsão apresentada ao vivo no BBB reacendeu o debate sobre crises epilépticas – condição neurológica que pode afetar pessoas de todas as idades e que, segundo especialistas, nem sempre está associada a um diagnóstico prévio de epilepsia.
A epilepsia só é diagnosticada se você teve pelo menos duas convulsões não provocadas com pelo menos 24 horas de intervalo. As crises não provocadas não têm uma causa clara”, explica a neurologista da Unimed Araxá, Yvely Iunes Akel, ao Vida e Ação.
Ainda segundo ela, a doença atinge pessoas de todos os gêneros, raças, etnias e idades. Caracterizado pela predisposição persistente de ocorrência de crises epilépticas, a epilepsia pode se manifestar de diversas formas, desde crises discretas até episódios mais intensos. “Existem muitos tipos de epilepsia. Em algumas pessoas, a causa pode ser identificada. Em outras, a causa não é conhecida”, afirma.
Ronaldo Fenômeno teve convulsão na Copa de 1998
Segundo o endocrinologista esportivo, esse tipo de ocorrência pode afetar qualquer pessoa, dependendo do chamado limiar convulsivo, que varia de indivíduo para indivíduo. “Todo mundo pode ter convulsão. O que muda é o limiar convulsivo, que é individual. É a capacidade que o corpo tem de conter esse curto-circuito no cérebro que leva à convulsão”, explica João Marcelo Branco.
De acordo com o especialista, o ambiente do BBB reúne uma combinação de fatores que pode reduzir esse limiar, mesmo em pessoas consideradas saudáveis. Estresse emocional intenso, provas físicas exigentes, restrição alimentar e altos níveis de adrenalina criam um cenário de sobrecarga para o organismo.
Situações extremas, principalmente estresse elevado associado à restrição calórica e energética, como a hipoglicemia, fazem com que o corpo perca essa capacidade de suporte. Esse conjunto de fatores favorece o aparecimento da convulsão”, afirma.
O médico relembra ainda casos emblemáticos fora do universo do entretenimento para ilustrar como a pressão física e emocional pode ser determinante. Um dos exemplos mais conhecidos ocorreu com Ronaldo Fenômeno durante a Copa do Mundo de 1998, quando o atleta apresentou uma convulsão associada ao estresse daquele momento específico, sem episódios recorrentes ao longo da carreira.
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Neurologista explica o que são as convulsões, principais causas e quando é necessário procurar atendimento médico
De acordo com o coordenador do Serviço de Neurologia da Rede Mater Dei deSaúde,. Henrique Freitas, o cérebro humano funciona por meio de impulsos elétricos, responsáveis pela comunicação entre os neurônios. “As crises epilépticas acontecem quando ocorre uma atividade elétrica anormal e síncrona no cérebro, ou seja, muitos neurônios passam a disparar ao mesmo tempo, o que pode gerar diferentes tipos de crises”, explica.
Segundo o neurologista, nem toda crise se manifesta como convulsão. “Existem crises generalizadas, que podem cursar com movimentos involuntários e perda de consciência, mas também crises focais, que se apresentam apenas com alteração de consciência, sensações estranhas ou movimentos localizados. Por isso, nem sempre a crise é facilmente reconhecida”, destaca.
Estima-se que até 3% da população apresente algum fenômeno epiléptico ao longo da vida, e as causas são diversas. “As crises podem estar relacionadas a lesões estruturais no cérebro, como tumores, AVCs, tromboses ou infecções, mas também podem ter origem genética. Há ainda pessoas com alterações microscópicas na estrutura cerebral que as tornam mais suscetíveis a descargas elétricas anormais”, afirma Dr. Henrique Freitas.
Fatores do dia a dia também podem funcionar como gatilhos, como privação de sono, estresse intenso, infecções, estímulos luminosos ou físicos específicos podem desencadear crises, dependendo do perfil de cada paciente.
O especialista reforça que toda pessoa que apresenta uma primeira crise convulsiva deve ser avaliada por um médico, preferencialmente um neurologista. “É fundamental investigar a causa, descartar alterações estruturais no cérebro e iniciar o acompanhamento adequado. Hoje, os tratamentos são eficazes e permitem excelente controle dos sintomas na maioria dos casos”, ressalta.
Com o tratamento correto, a qualidade de vida pode ser plenamente preservada. “Pacientes com epilepsia bem controlada vivem normalmente, trabalham, praticam atividades físicas e, em muitos casos, podem até dirigir, desde que estejam sob acompanhamento médico e sem crises”, conclui o neurologista do Mater Dei.
Epilepsia: sintomas, tratamento e quando buscar ajuda
Neurologista esclarece dúvidas sobre o distúrbio neurológico que afeta milhões de pessoas no mundo
A epilepsia ainda carrega muitos estigmas e gera inúmeras dúvidas, sobretudo sobre como agir diante de uma crise convulsiva. Para esclarecer as principais questões sobre a epilepsia, seus sintomas, tratamentos e quando procurar ajuda médica, a neurologista da Unimed Araxá, Yvely Iunes Akel explica como identificar os sinais da doença, quais são os tratamentos disponíveis e os cuidados necessários para quem convive com essa condição.
Segundo ela, os sintomas de uma crise variam. Como a epilepsia é causada por uma atividade anormal no cérebro, as crises podem afetar qualquer processo cerebral. “Algumas pessoas podem perder a consciência durante uma crise, enquanto outras não. Algumas pessoas olham fixamente por alguns segundos. Outras podem contrair repetidamente os braços ou as pernas, movimentos conhecidos como convulsões”, afirma a médica.
Às vezes, pessoas com epilepsia podem apresentar mudanças em seu comportamento. Elas também podem ter sintomas de psicose. A maioria das pessoas com epilepsia tende a ter o mesmo tipo de crise todas as vezes. Os sintomas geralmente são semelhantes de episódio para episódio”, afirma.
Algumas pessoas com convulsões focais apresentam sinais de alerta nos momentos antes do início da crise. Esses sinais de alerta são conhecidos como aura e podem incluir sensações no estômago ou emoções como medo.
Algumas pessoas podem ter déjà vu. A aura também pode se manifestar como um gosto ou um cheiro. Em alguns casos, pode ser visual, com percepção de luz fixa ou piscante, cores ou formas. Algumas pessoas relatam tontura e perda de equilíbrio, enquanto outras podem ter alucinações.
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Quais são os sintomas de uma crise?
Os sintomas de uma crise convulsiva podem incluir:
• Confusão temporária;
• Períodos de olhar fixo;
• Rigidez muscular;
• Movimentos bruscos e incontroláveis dos braços e pernas;
• Perda de consciência;
• Sintomas psicológicos, como medo, ansiedade ou déjà vu.
Qual é o tratamento?
O tratamento com medicamentos ou, às vezes, cirurgia pode controlar as crises para a maioria das pessoas com epilepsia. Algumas pessoas requerem tratamento para o resto da vida. Para outras, as crises desaparecem. Algumas crianças com epilepsia podem superar a condição com a idade.
Quando procurar ajuda médica?
Procure ajuda médica se ocorrer qualquer uma das seguintes situações durante uma crise:
● A convulsão durar mais de cinco minutos.
● A respiração ou a consciência não retornarem após a convulsão parar.
● Uma segunda convulsão ocorre imediatamente.
● Você tem febre alta.
● Você está grávida.
● Você tem diabetes.
● Você se machucou durante a convulsão.
● Você continua a ter convulsões, mesmo tomando medicamentos anticonvulsivantes.
● Caso ocorra uma convulsão pela primeira vez.
Com informações de Assessorias e agências






