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Dia Mundial da Tolerância: em tempos de guerra, o que comemorar?

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Em tempos de guerra no Oriente Médio, com o conflito entre Israel e Hamas, que massacra o povo palestino na Faixa de Gaza, incluindo milhares de crianças inocentes , o Dia Mundial da Tolerância, lembrado nesta quinta-feira (16) se reveste de importância estratégica e serve para chamar a atenção de todos a uma reflexão mais profunda, que resulte na boa convivência e respeito às diferenças entre povos, credos e pontos de vista. Afinal, como combater o ódio e a intolerância?

No Brasil, a semana começou com a esperada repatriação dos 32 brasileiros e de seus familiares que deixaram a Faixa de Gaza – outros mais de 1.400 brasileiros e seus parentes que deixaram Israel e Cisjordânia desde 7 de outubro. Mas também é marcada por uma acirrada polêmica em torno de declarações do presidente Luís Inácio Lula da Silva fez uma dura declaração, condenando os crimes de guerra cometidos pelo governo de Israel.

“Aos 78 anos de idade, eu já vi muita brutalidade, muita violência, eu já vi muita irracionalidade. Mas eu nunca vi uma violência tão bruta, tão desumana contra inocentes. Porque se o Hamas cometeu um ato de terrorismo e fez o que fez, o estado de Israel também está cometendo vários atos de terrorismo ao não levar em conta que as crianças, ao não levar em conta que as mulheres não estão em guerra, ao não levar em conta que eles não estão matando soldados”, afirmou Lula.

Mais de 5 mil crianças mortas e 1.500 desaparecidas

Na ocasião, o presidente citou ainda que já são 5 mil crianças mortas e 1.500 desaparecidas. “Certamente [as crianças desaparecidas] estão no meio dos escombros. E, depois, a destruição de tudo que as pessoas levam décadas para construir uma casa, uma rua, um prédio, uma escola, um hospital… e depois uma simples bomba detona aquilo”, acrescentou Lula.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) manifestou sua “irrestrita solidariedade às declarações do presidente Lula, que têm sido atacadas, tanto em editoriais dos jornais brasileiros, quanto de manifestações da Confederação Israelita do Brasil”. A entidade também engrossa o coro pedindo um cessar fogo já – veja a nota na íntegra aqui.

“Nada justifica os crimes de guerra que estão sendo cometidos por Israel contra o povo palestino, matando mulheres e crianças, atacando hospitais e destruindo casas. O direito de Israel reagir ao ataque do Hamas, no dia 7 de outubro, não autoriza o governo fascista de Benjamin Netanyahu a praticar um verdadeiro genocídio contra o povo palestino. Defendemos um cessar fogo já e o estabelecimento imediato de corredores humanitários que permitam o atendimento dos milhares de palestinos feridos”, disse o presidente da ABI, Octávio Costa.

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IBI: “Acusação reforça os extremistas de ambos os lados”

Bombardeios na Faixa de Gaza (Foto: Evelyn Hockstein/Reuters via Agência Brasil)

Já o Instituto Brasil-Israel (IBI) cumprimentou o governo brasileiro pelos esforços na retirada desses cidadãos da zona de guerra, mas repudiou a declaração de Lula em evento realizado na segunda (13), quando equiparou os ataques de um grupo terrorista – o qual usa a população palestina como escudo humano, segundo suas próprias palavras — à reação militar do governo israelense.

“É uma pena que o governo do Brasil, frente à tragédia da guerra, perca o equilíbrio e a ponderação, reduzindo a possibilidade de contribuir de maneira decisiva e propositiva com negociações entre as várias partes no conflito. A acusação reforça os extremistas de ambos os lados e enfraquece as partes que lutam por um futuro de coexistência para israelenses e palestinos”, afirma o instituto.

O IBI lembrou que a guerra foi iniciada pelo grupo terrorista Hamas, cujo massacre tirou a vida, entre outros, de três cidadãos brasileiros: Karla Stelzer Mendes, Ranani Nidejelski Glazer e Bruna Valeanu. E voltou a cobrar  das autoridades brasileiras que empreendam os esforços necessários para libertar os 230 reféns, israelenses e de diversas nacionalidades, levados a Gaza.

“Seu retorno em segurança é condição básica para negociações que permitirão acabar com essa guerra. Esta é uma condição a que todos aspiramos como abertura para a negociação de um processo de paz com base em dois Estados democráticos, vivendo lado a lado, sem hostilidades”, diz o IBI.

Em outro posicionamento no final de outubro, o instituto havia lamentado as referências ao termo “genocídio” feitas pelo presidente em uma fala recente, ao se referir ao conflito. “Entendemos que a banalização do termo não colabora para a solução justa da tragédia ora em curso em Gaza e em Israel”, disse, na ocasião.

‘Tolerância não pode ser usada para justificar erros nem fraqueza’

Para o escritor Odil Campos, médium espiritualista e autor do livro “O Bem e o Mal” (170 págs., R$ 40), a convivência harmônica entre os seres humanos só é possível quando conseguimos aparar as arestas que surgem da relação entre as pessoas.

“Para muitos, isso é difícil de aceitar ou fazer. Para outros, no entanto, a visão humana e espiritual permite restabelecer as divisas do bom senso, convivência e respeito à dignidade compartilhada”, afirma.

Segundo Campos, a tolerância não pode ser usada para justificar erros nem fraqueza, pois leva ao medo de enfrentar as próprias falhas, o que compromete o projeto de evolução inerente à cada vida. Nesse ponto, o conflito e o embate permitem o autoquestionamento e ajudam a conduzir a um caminho de entendimento e aceitação.

De acordo com o escritor, tolerar significa compreender o que os outros fazem. No entanto, também é preciso analisar como aplicá-la, já a partir de si.

“No mundo espiritual existe o respeito entre todos. Essa é uma regra fundamental, independente do que cada um pense ou faça. Esta grande força positiva permite e fundamenta uma das condições básicas do livre arbítrio: não concordo contigo, mas tens a liberdade de fazê-lo. É o aprendizado que necessito para poder evoluir”, diz Odil.

“O Bem e o Mal” conta a história de um homem extremamente egoísta, intolerante e arrogante que não media esforços para obter vantagens sobre os demais. Ao dar valor aos sentimentos negativos – como egoísmo e inveja – o personagem desperta a raiva e o ódio que estão adormecidos dentro de si e abre caminho para que o mal se instale dentro de si mesmo.

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