Seu filho tem dificuldade para ler e soletrar palavras? Pode ser dislexia

Quase 8 milhões de pessoas têm dislexia. Família e rede de apoio ajudam na autoestima de crianças com transtornos da aprendizagem

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“A dxisleia é o trnorsanto de arnepaizdo mais frneqete no Brsail, aftaendo dtraemnite o dnesevlvoimteno de habdlidie de lietrua, escirta e mtaeamcita”. Se você teve dificuldade para ler essa frase, saiba que não é o único. Um em cada 20 brasileiros tem baixa habilidade de decodificação e soletração e, por isso, dificuldades no reconhecimento preciso das palavras e na compreensão de texto. Déficits cognitivos com prejuízo à leitura caracterizam a dislexia.
Esse transtorno específico da aprendizagem, de origem neurobiológica, é mais comum do que se pensa: atinge de 5% a 15% da população mundial. Estima-se que mais de 7,8 milhões de pessoas no Brasil têm dislexia e enfrentam dificuldades semelhantes na leitura, o que corresponde a cerca de 4% da população brasileira.

Segundo um levantamento da Cisco e do Instituto IT Mídia, em conjunto com o Instituto ABCD, 80% das crianças e jovens com dislexia enfrentam tristeza, ansiedade e/ou baixa autoestima – porcentagem muito superior aos dados gerais da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam algum problema de saúde mental em 20% das crianças e adolescentes.

No entanto, a maioria das pessoas com dislexia ainda é subdiagnosticada e negligenciada no atendimento de suas necessidades educacionais específicas por ausência de políticas públicas, acesso precário à educação inclusiva e falta de conscientização social. Esse desafio educacional e social ganha destaque no Dia Nacional de Atenção à Dislexia (16 de novembro), data que difunde informações sobre o transtorno genético e hereditário da linguagem.

Lei federal apoia pessoas com dislexia e TDAH

Na quinta-feira (16/11), a iluminação laranja da Câmara Federal, em Brasília, terá como objetivo chamar a atenção para o Dia Nacional de Atenção à Dislexia, transtorno que se caracteriza pela dificuldade de decodificar um estímulo escrito ou um símbolo gráfico, que gera dificuldade para ler, escrever e soletrar palavras.

Mas para que os direitos das pessoas com dislexia sejam, de fato, respeitados, toda a sociedade deve estar informada sobre os impactos desse transtorno específico da aprendizagem e sobre quais são os amparos legais disponíveis.

No Brasil, o projeto de Lei que previa o acompanhamento integral de estudantes com dislexia, Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem tramitou ao longo de 13 anos na Câmara e no Senado Federal, até sua aprovação, em novembro de 2021.

A lei nacional 14.254/2021 sugere que o poder público desenvolva programas voltados ao acompanhamento integral daqueles que possuem Dislexia, TDAH e outros transtornos de aprendizagem, especialmente estudantes.

Manter as pessoas informadas sobre o assunto auxilia não somente no reconhecimento desses sintomas desde cedo na vida, mas também na importância do seu tratamento, para que assim possam alcançar o seu potencial máximo e ter uma vida e carreiras de sucesso.

Transtornos de aprendizagem: como a família pode ajudar

Cada criança é única e suas necessidades também. No entanto, uma coisa é comum a todas: o papel insubstituível e fundamental que a família ocupa em sua vida e na construção de sua autoestima. O papel da família e da rede de apoio no processo de aprendizagem e na construção da autoimagem de crianças com transtornos específicos da aprendizagem, como a dislexia, é de extrema importância.

Crianças com dislexia enfrentam, frequentemente, barreiras em suas jornadas educacionais, podendo fazer com que se sintam menos capazes do que seus colegas, afetando negativamente sua autoestima e autoimagem. Assim, uma rede de apoio amorosa, bem informada e acolhedora cria um ambiente propício para o crescimento e o desenvolvimento saudável das crianças, independentemente de suas habilidades e desafios individuais.

6 dicas para ajudar na construção da autoestima de disléxicos

O Instituto ABCD, organização social sem fins lucrativos que se dedica a promover e divulgar conhecimentos que tenham impacto positivo na vida de brasileiros com dislexia e outros transtornos de aprendizagem, listou de que maneiras a família pode contribuir para a construção da autoestima de suas crianças com transtornos de aprendizagem:

  1. Apoie sempre: Lembre-se de que a criança ou adolescente com dislexia precisa de acolhimento e suporte para enfrentar e superar as barreiras que lhe são impostas cotidianamente.
  2. Valorize os acertos: Para quem tem dislexia é muito comum que sempre tenha um adulto indicando seus erros. Seja aquele que ressalta os avanços ao invés de enfatizar suas dificuldades.
  3. Use uma comunicação acolhedora: Promover um ambiente onde as crianças se sintam à vontade para expressar seus sentimentos e preocupações é essencial para o seu desenvolvimento emocional.
  4. Conheça a dislexia: Os membros da família devem se informar sobre os transtornos da aprendizagem específicos para conseguir apoiar o tratamento e auxiliar a criança na escola.
  5. Promova a sensação de sucesso: Dê oportunidades para a criança realizar atividades de que gosta e nas quais tem sucesso.
  6. Seja parceiro da escola: Mantenha a comunicação com os professores e com a escola para garantir que a criança tenha os suportes necessários para aprender. A Lei 14.254/21 assegura o acompanhamento integral e específico de educandos com dislexia e outros transtornos da aprendizagem nas escolas.

Agenda Positiva

Curso gratuito ‘Atualidades sobre a Dislexia’

O Instituto ABCD lançou em outubro o curso “Atualidades sobre a Dislexia. Criado especialmente para especialistas, professores e familiares interessados em aprofundar sua compreensão dessa condição de aprendizagem, o programa educativo é completamente gratuito e oferece um conteúdo contemporâneo e pertinente, ministrado por renomados pesquisadores do campo da dislexia, tanto do âmbito nacional quanto internacional.

O curso pode ser acessado no site do iABCD e aborda uma variedade de tópicos essenciais, incluindo fatores de risco e de proteção associados à dislexia; diagnóstico diferencial da dislexia em casos de comorbidade com TDAH; estratégias de intervenção estruturada para aprimorar a aprendizagem da leitura e escrita; e a abordagem da dislexia dentro do ambiente da sala de aula.

“A concepção deste curso surgiu da necessidade de abordar de maneira acessível conhecimentos mais atualizados e relevantes sobre o tema. Nosso objetivo é contribuir ainda mais para o movimento de conscientização em torno desse transtorno. Este curso apresenta um valor inestimável, a pessoa com dislexia só terá seus direitos garantidos quando profissionais que atuam com a dislexia tenham suas práticas baseadas em evidências científicas. Por meio dele, buscamos alinhar todos os participantes aos conceitos fundamentais desse transtorno, promovendo uma compreensão unificada”, afirma Juliana Amorina, diretora-presidente do iABCD.

O Instituto ABCD é uma organização social sem fins lucrativos que se dedica, desde 2009, a gerar, promover e divulgar conhecimentos que tenham impacto positivo na vida de brasileiros com dislexia e outros transtornos de aprendizagem, com o objetivo de garantir que todos tenham sucesso na escola, no trabalho e na vida. Instagram: @iabcd

Com Assessorias

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