Em 4 de setembro, é celebrado mundialmente o Dia Mundial da Saúde Sexual. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),saúde sexual não se restringe apenas a aspectos reprodutivos. De forma ampla, ela abre caminhos para o bem-estar físico, emocional, mental e social em relação à sexualidade, além de ajudar a proporcionar experiências sexuais prazerosas, seguras, livres de coerção, discriminação e violência.

Para alcançar esse bem-estar, é preciso ter informações de qualidade; conhecer os riscos do sexo desprotegido; ter acesso a cuidados; e viver em um ambiente que promove a saúde sexual. Além do bem-estar, a data tem como objetivo promover conscientização social sobre temas como saúde reprodutiva, sexualidade, responsabilidade afetiva, violência e proteção.

“É importante também refletir sobre sua própria saúde sexual e incentivar conversas abertas e saudáveis sobre sexualidade. Desmistificar tabus é uma parte importante da promoção da saúde mental”, revela Iana Vilasbôas Carruego, ginecologista.

A dor na relação sexual, por exemplo, pode ser um sinal de uma doença séria, a endometriose. Até pouco tempo atrás, esta era uma doença desconhecida e silenciada. Aos poucos, tornou-se mais visível, falada e seus sintomas mais esclarecidos. No entanto, ainda há um aspecto que permanece sendo pouco mencionado: estima-se que dois terços das mulheres que têm endometriose sofram de algum tipo de disfunção sexual, principalmente a dispareunia, dor, de maior ou menor intensidade, durante a relação.

“Esse quadro leva a relações sexuais não satisfatórias e a mulher passa a evitá-las, porque o cérebro acaba associando sexo a desconforto. Com isso, tem-se a diminuição da libido, da excitação e da lubrificação, gerando ainda mais dor e impactos psicológicos, como baixa autoestima”, aponta o ginecologista Patrick Bellelis, colaborador do setor de endometriose do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

A endometriose atinge 10% da população feminina em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela ocorre quando o tecido endometrial, que deveria estar presente apenas no útero, se espalha para além do órgão, atingindo ovários, trompas, tecido pélvico, bexiga, trato gastrointestinal e outras partes do corpo. Durante a relação sexual com penetração, os implantes endometrióticos podem ser esticados e causar dores.

“A gravidade da dor depende de vários fatores, entre eles a postura, a profundidade da penetração, e o momento do ciclo pelo qual a mulher está passando. Em alguns casos, elas podem tornar o sexo uma experiência insuportável, especialmente quando os implantes estão localizados nos nervos”, explica o especialista.

Bellelis ressalta a importância de buscar tratamento o quanto antes. Além do acompanhamento ginecológico, é aconselhável consultar um fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico, que pode aplicar técnicas para o fortalecimento da região.

“É fundamental ainda que a mulher tenha um diálogo aberto com o parceiro, sem medo de que o relacionamento possa ser prejudicado. Em casos mais graves, buscar ajuda de um psicólogo ou sexólogo também pode ser indicado”, finaliza.

Pesquisa avalia as práticas de higiene íntima das brasileiras

Estudo pretende identificar o uso de alguns produtos e observar se há uma associação a possíveis sintomas vulvovaginais que podem incomodar as mulheres (Foto: Freepik)

Uma pesquisa de Iniciação Científica, desenvolvida no Departamento de Fisioterapia (DFisio) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), pretende observar se há associação entre o comportamento da higiene íntima das mulheres brasileiras e possíveis sintomas vulvovaginais mais prevalentes nesse público.

Para isso, estão sendo convidadas voluntárias de todo o País para colaborarem com a pesquisa, cuja expectativa é contribuir para orientações sobre higiene íntima e divulgação dos riscos do uso de alguns produtos vaginais. As participantes precisam apenas responder um questionário eletrônico com questões objetivas sobre o tema.

O projeto é desenvolvido pela graduanda Marina Bonetti Alves, sob orientação de Patricia Driusso, docente do DFisio e coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Saúde da Mulher (Lamu) da UFSCar. De acordo com a estudante, a higiene íntima é um comportamento e, portanto, varia conforme fatores sociais, percepção sobre questões de saúde, condição de acesso à água limpa no domicílio, informações e acesso a locais privados e confortáveis para permitir com que a mulher faça sua higiene.

“De uma forma geral, a higiene íntima se relaciona com a quantidade de banhos, uso e troca de absorventes, o tipo de absorvente, o tecido da roupa íntima, produtos utilizados, práticas que a mulher tem ao ir ao banheiro e cuidados antes e depois de uma relação sexual“, explica.

A associação entre a higiene íntima e alguns sintomas vulvovaginais já foi levantada em estudos anteriores que apontaram, por exemplo, que mulheres que já usaram pelo menos um produto, como óleo, hidratante ou desodorante, na região vulvovaginal em algum momento da vida apresentaram, aproximadamente, três vezes mais chances de relatar sintomas como coceira, queimação e vermelhidão em relação a outras que nunca utilizaram produtos.

Marina Alves destaca que já se sabe que algumas práticas de higiene íntima podem acarretar problemas para a mulher. “A ducha higiênica, por exemplo, que consiste em lavar o canal vaginal com água e/ou com outros líquidos, vem sendo, na literatura, associada a doença inflamatória pélvica, fertilidade diminuída, vaginose bacteriana e gestação ectópica, quando o embrião se fixa e se desenvolve fora do útero”, exemplifica.

Diante disso, o estudo pretende compreender os hábitos de higiene íntima das brasileiras, identificar os produtos que elas utilizam e analisar se há associação entre isso e possíveis sintomas vulvovaginais que as mulheres podem apresentar. A ideia é que, a partir das informações levantadas, a pesquisa possa contribuir para orientações sobre boas práticas de higiene íntima feminina e alertar sobre os riscos do uso de alguns produtos nessa região.

Voluntárias – Para realizar a pesquisa, estão sendo convidadas mulheres brasileiras, a partir de 18 anos, de qualquer região do Brasil, para responderem um questionário online. O formulário pode ser acessado neste link (https://forms.gle/qvoezpD8nMmHfWR76) e tem questões objetivas que envolvem a temática da higiene íntima. A privacidade e o sigilo dos dados são garantidos. A pesquisa tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar.

Com Assessorias

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