Uso de drogas: só 1 entre 5 tem acesso a tratamento no Brasil

Congresso debate políticas públicas de saúde mental e drogadição. Laboratórios clínicos discutem ‘dopping’. Veja mais na Agenda Positiva

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Dados do Relatório Mundial sobre Drogas 2023 relativos a 2021 mostram que apenas uma em cada cinco pessoas com transtorno por uso de substâncias teve acesso a tratamento. O  XXVII Congresso Brasileiro da Abead (Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e Drogas), que acontece de 3 a 6 de setembro, em São Paulo, traz à discussão as políticas públicas de atendimento aos Transtornos Relacionados ao Uso de Substâncias e Transtornos Aditivos, também chamados comportamentais.

A Abead comemora 45 anos com a realização do evento científico, que é bianual, e traz desta vez o tema “Diversidade: Eu, Tu, Eles…É
Nós” para enfatizar que a adicção não é um problema apenas do usuário, mas de toda a sociedade. Segundo a entidade, é necessário uma soma de esforços para alcançar o objetivo comum: garantir políticas públicas coerentes e modernas, com assistência de qualidade às pessoas com transtornos por uso de substâncias e comportamentais e a seus familiares.

A palestra magna, na abertura do congresso no dia 4 de setembro, às 19h, no Centro de Convenções Rebouças, vai ampliar o debate com o tema: “Traduzindo ciência em políticas públicas: desafios da área das dependências”De acordo com a presidente da Abead, a psiquiatra Alessandra Diehl, o debate deste tema é imprescindível diante da realidade brasileira na gestão das políticas públicas relacionadas ao tratamento, que ainda é cercado de ações sem suporte prático.

“A ideia é que possamos englobar os mais diversos aspectos sendo debatidos não só no âmbito da saúde, mas também do Direito, da Assistência Social, da Enfermagem, com participação também de representantes do surf, do skatismo, entre outros. O Eu, Tu, Ele…é Nós! é para entender que todos são importantes para a construção dessa rede”, explica.

Segundo ela, existem políticas públicas de prevenção de outros países que funcionam e podem ser implementadas e adequadas à realidade brasileira. Mas, antes de mais nada, tem que haver uma convergência entre os poderes.

“Nós temos bons exemplos de outros países que podem ser adaptados à nossa realidade utilizando a ciência da prevenção e a academia científica para fazer isso acontecer. Porém, temos que ter ações que dialoguem com os três eixos de poder e monitorar esta política de forma continuada”, propõe.

Aumento da dependência de álcool e drogas após a pandemia

Entre os desafios, está ampliar a oferta de boas práticas clínicas com base em evidências por equipes qualificadas. O evento é focado também na capacitação de profissionais a partir do princípio que a demanda aumentou, significativamente, durante a pandemia em que o lockdown e o isolamento diminuíram o acesso aos tratamentos formais.

“Na pandemia registramos um aumento na quantidade de pessoas bebendo de forma nociva e a piora nos quadros de dependência química pré-existentes. Somou-se a isso, quadros novos de ansiedade, depressão e o luto de muitas pessoas frente às perdas pela Covid-19”, lembra Alessandra Diehl, presidente da Abead.

A associação destaca que os efeitos da pandemia foram amenizados com o uso da tecnologia que permitiu a proximidade de terapeutas, pacientes e grupos de ajuda mútua, por meio de ferramentas digitais.

“Neste contexto de crise humanitária, a criatividade prevaleceu e fez surgir novas formas de utilizar ferramentas tecnológicas a serviço dos tratamentos. Temos notícias da telemedicina, dos aplicativos de monitoramento de lugares de risco, dos grupos de alcoólicos anônimos que se expandiram pelos aplicativos de meeting (reunião)”, constata Alessandra Diehl.

Mas, segundo ela, existe uma carência imensa de treinamento em adições no país. “Precisamos garantir acesso mais rápido a cuidados, consultas ambulatoriais e leitos para uma demanda de pacientes cada vez mais crescente”, justifica.

A psiquiatra também critica as práticas adotadas no Brasil. “Prevenção não são palestras isoladas; prevenção não é algo pontual, mas sim algo sistêmico, num continuum de tempo que envolve vários atores da nossa sociedade. Acho que o governo precisa parar de ficar dando dinheiro para projetos que não produzem evidências e que não mostram resultados”, alerta.

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Agenda Positiva

Laboratórios clínicos discutem ‘dopping’ em congresso mundial

Cerca de 4 mil pessoas, entre congressistas, visitantes, palestrantes e expositores, são esperadas no 55º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, maior congresso do setor na América Latina, entre os dias 5 e 8 de setembro, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo. O evento acontece em paralelo à 32ª edição do Congresso Mundial da Associação Mundial de Sociedades de Patologia e Medicina de Laboratório (WASPaLM), que reúne representantes de sociedades de Patologia Clínica e Patologia da África, Ásia, América Latina, América do Norte e Europa.

Entre os palestrantes das conferências magnas estão o presidente da Associação Mundial de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, Roberto Verna, que vai falar sobre um tempo sempre em pauta na mídia: dopping. Outros temas também serão abordados como “Cenário Atual e Controle das Pandemias no Mundo’, com Denise Cardo; ‘Metodologias dos testes diagnósticos em doenças hematopoiéticas presente-futuro’, por Robert S. Ohgami e ‘Os impactos da Inovação para a sustentabilidade do laboratório e para a experiência do cliente’, com Krystin Poitier.

A programação pré-congresso começa já no dia 4, com diversos cursos. No congresso, a partir do dia 5, os participantes terão acesso a mais de 100 atividades entre conferências, mesas redondas, estudo de casos clínicos com especialistas brasileiros e estrangeiros. Além disso, o espaço, com mais de 4 mil metros quadrados, dará lugar a 90 empresas expositoras e marcas do setor, apresentando inovações do setor. A programação completa está  site e no app do evento.

SP tem Congresso Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência

Acontece nos dias 5 e 6 de setembro, no auditório da Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência, que fica no Memorial da América Latina, o Congresso Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência. A data foi escolhida em razão do mês dedicado à luta pela inclusão da pessoa com deficiência, conhecido como Setembro Verde. O evento marca, ainda, o lançamento em São Paulo da campanha nacional da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep): “Defensoria Pública: em ação pela inclusão”.

Temas atuais importantes serão discutidos em seis mesas de debates, além da abertura: “Protagonismo e Capacidade Jurídica: Apoios e o Desafio da Desproteção”; “Avaliação Biopsicossocial: a criação de um modelo único de avaliação da deficiência no Brasil”; “Apoios para efetivação do direito à educação da pessoa com deficiência”; “Estruturação da rede SUS de atenção aos cuidados das pessoas com deficiência e doenças raras”; “SUAS: A Política Nacional de Cuidados e o cuidar de quem cuida”; “Autonomia, Desinstitucionalização e Moradia para Vida Independente”.

A Secretária Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Anna Paula Feminella fará a mediação de uma das mesas de debates para a construção de políticas públicas relacionadas à temática. Defensoras e defensores públicos de diversos estados do País participarão das mesas de debates. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link https://bit.ly/43NPFep. A programação completa pode ser encontrada aqui.

Índia promove evento global sobre Acidente Vascular Cerebral

Mundialmente, os dados relacionados ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) seguem preocupantes. A cada seis segundos é registrada uma morte pela doença, uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. No cenário internacional da saúde, a Índia entra para a história por sediar, pela primeira vez, o Global Stroke Alliance (GSA), que nesta edição acontece na capital da Nova Délhi, entre os dias 6 e 8 de setembro, com o tema “2023 Global Stroke Alliance for stroke without frontiers” (AVC sem fronteiras).

Com a proposta de estabelecer uma poderosa aliança global comprometida em melhorar o atendimento ao AVC em escala mundial, a programação traz palestras, painéis de discussão e workshops sobre temas que vão desde avanços na terapia de reabilitação pós-AVC até estratégias de prevenção e conscientização da população. O evento é organizado pela World Stroke Organization (WSO), único órgão global voltado exclusivamente para o AVC, que reúne representa mais de 55.000 especialistas em AVC em ambientes clínicos, de pesquisa e comunitários.

A diversidade de perspectivas e abordagens apresentadas durante o evento destacam a complexidade do AVC e a necessidade de uma atuação multidisciplinar para seu enfrentamento. A realização do evento  na Índia, tem implicações duradouras para a pesquisa e o desenvolvimento sobre o combate ao AVC e chama a atenção por iniciativas em um dos mais países mais populosos do planeta. De acordo com os dados da ONU (Organização das Nações Unidas), a população da Índia bateu em 1,428 bilhão de habitantes, tornando-se ligeiramente superior à da China.

Com Assessorias

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