Especialistas e SES-RJ esclarecem dúvidas no Agosto Dourado

Dúvidas e desinformações sobre o aleitamento materno ainda geram insegurança para muitas gestantes e puérperas. Para marcar o Agosto Dourado e a Semana Mundial do Aleitamento Materno, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca pontos fundamentais que envolvem a produção de leite, o manejo correto do aleitamento desde as primeiras horas de vida do bebê.

A médica Silvia Regina Piza, presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da Febrasgo, esclarece os principais mitos e verdades para garantir uma amamentação tranquila..

1. Mamas pequenas produzem menos leite?

Mito. O tamanho ou a falta de crescimento visível das mamas durante a gestação não influenciam a capacidade de produzir leite.

“A produção está diretamente relacionada ao estímulo provocado pela sucção do recém-nascido. Quanto maior e mais adequado esse estímulo, maior tende a ser a produção”, explica a Dra. Silvia Regina Piza.

2. A cesariana pode atrasar a descida do leite?

Verdade. A cirurgia cesárea pode retardar a apojadura (a descida do leite), mas isso não impede o sucesso do aleitamento. Para acelerar o processo, a especialista orienta realizar o contato pele a pele e amamentar ainda na sala de parto, de preferência na primeira hora de vida do bebê, evitando a sedação excessiva da mãe.

3. Dor intensa ao amamentar é normal nos primeiros dias?

Mito. Embora um desconforto leve possa ocorrer com a descida do leite ou o ingurgitamento mamário, sentir dor forte é um sinal de alerta. A dor intensa costuma indicar pega inadequada, o que pode provocar fissuras, inflamações e lesões que necessitam de correção técnica.

4. Diabetes, obesidade e SOP interferem na produção de leite?

Verdade. Condições metabólicas e hormonais como obesidade, diabetes e a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) podem dificultar a fase inicial da lactação. No entanto, a médica ressalta que essas mulheres podem amamentar normalmente com o acompanhamento médico e o suporte adequados.

5. Dar fórmula na maternidade atrapalha o aleitamento exclusivo?

Verdade. Em bebês e mães sem complicações de saúde, a introdução de fórmula sem recomendação clínica diminui as mamadas no peito e reduz o estímulo para a produção natural de leite. O ideal é manter o recém-nascido em alojamento conjunto, amamentando em livre demanda.

6. O formato do mamilo impede a amamentação?

Verdade (a pega é o fator mais importante). Mamilos planos ou invertidos podem gerar preocupação, mas não impedem o ato de amamentar. O bebê deve abocanhar a maior parte da aréola, e não apenas o mamilo. Ajustar a posição e a pega resolve a maioria das dificuldades anatômicas.

Apoio profissional e combate à violência contra a mulher

A FEBRASGO reforça a importância da atualização contínua dos profissionais de saúde para oferecer suporte humanizado desde o pré-natal. Além do incentivo à amamentação, a instituição lidera a campanha #EuVejoVocê, dedicada ao combate à violência contra a mulher em todas as fases da vida, promovendo a reflexão e o cuidado integral com a saúde feminina.

Onde buscar ajuda especializada no Rio de Janeiro

A grande maioria das mulheres é capaz de amamentar, mas enfrentar dificuldades nos primeiros dias é comum. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) reforça que as mães não precisam passar por isso sozinhas: os Bancos de Leite Humano da rede pública contam com equipes preparadas para orientar sobre posição, pega e manejo de dor ou ingurgitamento.

Na Baixada Fluminense, por exemplo, o Banco de Leite do Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart (HMulher), em São João de Meriti, atua diretamente no apoio às lactantes e no processamento de leite doado para bebês internados.

Como doar leite humano sem sair de casa no RJ

Os estoques de leite humano demandam abastecimento constante para atender recém-nascidos prematuros. O leite doado passa por processo de pasteurização e controle de qualidade antes de ser oferecido aos bebês de acordo com suas necessidades nutricionais.

Para quem mora no estado do Rio de Janeiro e deseja doar o excedente, a SES-RJ mantém um fluxo facilitado de coleta domiciliar:

  1. Contato: A puérpera saudável que tem excesso de leite entra em contato pelo WhatsApp do Banco de Leite do HMulher: (21) 96870-7064.

  2. Envio de exames: São enviados os resultados dos exames do pré-natal mais recente.

  3. Kit em casa: Após a aprovação, um veículo da unidade vai até a residência da doadora (atendendo a Baixada Fluminense e a Capital) e entrega o primeiro kit de coleta esterilizado contendo potes, toucas, luvas e etiquetas.

  4. Coleta: O leite armazenado é recolhido periodicamente pela própria equipe do hospital na porta da doadora.

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