Ter seu filho nos braços enquanto o amamenta é muito mais do que alimentá-lo, é uma troca de carinho e um grande ato de amor.  Mas nem sempre tudo acontece como o planejado. Para algumas mães, esse momento vem acompanhado de dúvidas e desafios. dúvidas e desinformações sobre o aleitamento materno ainda geram insegurança para muitas gestantes e puérperas. Na tentativa de encontrar uma solução, não faltam dicas e receitas populares que aparentam ser verdadeiros milagres.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), há uma grande influência de questões culturais, passadas de geração em geração, e sem embasamento científico para comprovação, que desestimulam e interferem no processo de amamentação.  Entre os exemplos citados pelo órgão estão falas equivocadas como: “leite empedrado faz mal para criança”, “após seis meses leite vira água”, “leite provoca cólica na criança”, entre outras.

Amamentar é natural, mas nem sempre é fácil e definitivamente não é instintivo para todas. Por isso, o Agosto Dourado, mês dedicado à promoção do aleitamento materno, é uma oportunidade essencial para reforçar o papel da informação e da rede de apoio no sucesso da amamentação.

Na Semana Mundial do Aleitamento Materno, ouvimos especialistas para esclarecer alguns pontos fundamentais que envolvem a produção de leite, o manejo correto do aleitamento desde as primeiras horas de vida do bebê. Confira os principais mitos e verdades que ainda cercam a amamentação e que podem impactar negativamente a confiança e o sucesso dessa prática tão importante para a saúde do bebê e da mulher.

1. Mamas pequenas produzem menos leite?

Mito. O tamanho ou a falta de crescimento visível das mamas durante a gestação não influenciam a capacidade de produzir leite.

A produção está diretamente relacionada ao estímulo provocado pela sucção do recém-nascido. Quanto maior e mais adequado esse estímulo, maior tende a ser a produção”, explica a médica ginecologista Silvia Regina Piza, presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A fisioterapeuta Alessandra Paula (foto acima),  especialista em aleitamento humano, reforça que acrença de que peito pequeno não produz leite suficiente é um mito. “A produção de leite depende da estimulação pela sucção, não do tamanho das mamas. Quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido”.

2. Meu leite é fraco.

MITO. Segundo a pediatra Elisabeth Fernandes, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), não existe leite fraco: “O leite materno é um alimento vivo, completo e adaptável às necessidades do bebê. Se ele está ganhando peso e crescendo bem, está tudo certo.”

A fisioterapeuta Alessandra Paula reforça: “Essa crença abala a confiança da mãe. O que pode existir é uma percepção errada por não conseguirmos medir o leite ingerido no peito, como na mamadeira.”

2. A cesariana pode atrasar a descida do leite?

Verdade. A cirurgia cesárea pode retardar a apojadura (a descida do leite), mas isso não impede o sucesso do aleitamento. Para acelerar o processo, a especialista orienta realizar o contato pele a pele e amamentar ainda na sala de parto, de preferência na primeira hora de vida do bebê, evitando a sedação excessiva da mãe.

3. Dor intensa ao amamentar é normal nos primeiros dias?

Mito. Embora um desconforto leve possa ocorrer com a descida do leite ou o ingurgitamento mamário, sentir dor forte é um sinal de alerta. A dor intensa costuma indicar pega inadequada, o que pode provocar fissuras, inflamações e lesões que necessitam de correção técnica.

4. Diabetes, obesidade e SOP interferem na produção de leite?

Verdade. Condições metabólicas e hormonais como obesidade, diabetes e a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) podem dificultar a fase inicial da lactação. No entanto, a médica Elisabeth (foto abaixo) ressalta que essas mulheres podem amamentar normalmente com o acompanhamento médico e o suporte adequados.

5. Dar fórmula na maternidade atrapalha o aleitamento exclusivo?

Verdade. Em bebês e mães sem complicações de saúde, a introdução de fórmula sem recomendação clínica diminui as mamadas no peito e reduz o estímulo para a produção natural de leite. O ideal é manter o recém-nascido em alojamento conjunto, amamentando em livre demanda.

6. O formato do mamilo impede a amamentação?

Verdade (a pega é o fator mais importante). Mamilos planos ou invertidos podem gerar preocupação, mas não impedem o ato de amamentar. O bebê deve abocanhar a maior parte da aréola, e não apenas o mamilo. Ajustar a posição e a pega resolve a maioria das dificuldades anatômicas.

7. Bebês precisam de água ou chá nos dias quentes.

MITO. O leite materno já é composto por 87% de água. Até os 6 meses de vida, ele supre todas as necessidades do bebê, inclusive de hidratação.

7. Amamentar em livre demanda aumenta a produção de leite.

VERDADE. A lógica é simples: oferta e demanda. Quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido. Por isso, livre demanda é essencial para manter a produção.

8. Se o bebê mama muito, é porque o leite não sustenta.

MITO. Recém-nascidos têm estômagos pequenos e mamam com frequência. Isso é natural e saudável. Além disso, o choro pode indicar outras necessidades, como sono ou colo, não necessariamente fome.

9. Quem usa mamadeira desmama mais cedo.

VERDADE. O uso precoce de mamadeira pode causar confusão de bicos, dificultando a pega correta no peito e levando ao desmame precoce. Em caso de necessidade, métodos como copinho, seringa ou colher são mais indicados.

10. Mãe que toma medicamentos deve parar de amamentar.

DEPENDE. Alguns medicamentos são seguros, outros não. A recomendação é sempre consultar um profissional e usar bancos de dados como o E-Lactancia para avaliar o risco.

11. O estresse pode afetar a produção de leite.

VERDADE. A Dra. Alessandra Paula destaca: “Estresse, cansaço, pega incorreta e falta de apoio estão entre as principais causas da baixa produção.” A boa notícia? Com suporte adequado, é possível reverter esses quadros.

12. Amamentação mista não vale a pena.

MITO. Segundo a fisioterapeuta, “toda gota conta”. Mesmo com complemento, o leite materno continua oferecendo proteção e vínculo. Maternidade não é tudo ou nada é sobre equilíbrio e possibilidades reais.

13. Amamentar protege contra doenças.

VERDADE. “O leite materno fortalece o sistema imune do bebê e reduz o risco de infecções, obesidade, alergias e até doenças crônicas. Para a mãe, reduz o risco de câncer de mama e ovário”, reforça Dra. Elisabeth.

Campanha incentiva cuidado com a saúde da mulher

Amamentar é um ato de amor, mas também de persistência e, muitas vezes, superação. Não basta romantizar: é preciso criar sistemas de apoio reais, acolhedores e baseados em evidências. Neste Agosto Dourado, que possamos reforçar essa rede e garantir que cada mãe tenha a chance de viver uma experiência mais segura e possível com o aleitamento.

A Febrasgo reforça a importância da atualização contínua dos profissionais de saúde para oferecer suporte humanizado desde o pré-natal. Além do incentivo à amamentação, a instituição lidera a campanha #EuVejoVocê, dedicada ao combate à violência contra a mulher em todas as fases da vida, promovendo a reflexão e o cuidado integral com a saúde feminina.

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