Pamonha, canjica, milho verde, cachorro-quente, quentão e muitos doces. Basta chegar junho que o cheiro de comida típica invade ruas, escolas e arraiás. As festas juninas fazem parte da cultura brasileira e também despertam nossas memórias afetivas. Junto das quadrilhas e músicas, as comidinhas típicas, estão entre as principais lembranças dessa época do ano.
O problema é que em geral esses pratos são repletos de açúcar, sódio e gordura, que podem potencializar complicações de saúde em quem já sofre com alguma doença crônica, como doenças hepáticas, renais e cardiovasculares, diabetes e câncer. Por isso, algumas pessoas devem redobrar os cuidados com exageros alimentares, a exemplo de pessoas com obesidade, gastrite ou refluxo ou que tenham triglicerídeos elevados.
Nesses casos, excessos podem causar mal-estar, alterações glicêmicas e desconfortos importantes. Mas isso não significa que você precise evitar a festa. Mesmo aqueles que fazem tratamento de câncer podem se deliciar com doces e salgados juninos, seguindo orientação do seu médico ou nutricionista. A recomendação é adotar escolhas mais conscientes e manter atenção às quantidades consumidas.
Trocas inteligentes
Para quem faz tratamento oncológico, a adaptação de receitas também pode ser uma solução para não ficar de fora da festa junina. A troca de farinha branca por integral, açúcar por adoçantes e leites convencionais por versões com menos gordura é recomendada. Além disso, é importante cuidar da procedência e higiene dos alimentos, evitando pratos crus ou industrializados, especialmente para quem está com a imunidade comprometida.
Segundo a nutricionista Cássia Carvalho do Centro Especializado em Oncologia, receitas que levam muita farinha branca e açúcar, ou outros ingredientes industrializados, podem sofrer alterações.
A farinha branca pode ser substituída pela integral, o açúcar por adoçantes. As receitas devem sofrer adaptação, mas sem impactar tanto”, afirmou a nutricionista.”, afirmou a nutricionista. Doces com leite ou creme de leite na receita, por exemplo, podem fazer substituições usando leite desnatado, de amêndoas ou de soja, que têm percentual menor de gordura, explicou a nutricionista Cassia.
No entanto, se o paciente segue a dieta em seu cotidiano e não tem sintomas do tratamento, como náuseas, diarreia, ele pode fazer uma exceção e comer uma comida típica de festa junina.
Pontualmente ele pode consumir. Se não é da rotina, se ele é saudável no dia a dia, pode comer na festa. As comidas juninas são ‘confort food’, trazem memórias afetivas, o que também é importante para o paciente em tratamento contra o câncer”, disse Cassia.
O nutricionista Lucas Oliveira Monção, que também atua no Centro Especializado em Oncologia, lembra que pessoas com câncer devem ter ainda outro tipo de cuidado.
Pacientes oncológicos são imunossuprimidos e por isso devem ter cuidado com a higienização do local onde os alimentos foram preparados e como foi a preparação. Eles também devem evitar alimentos crus e de onde a procedência é duvidosa. Quem passa por quimioterapia também deve evitar embutidos”, afirmou o nutricionista.
O segredo está no equilíbrio
Mesmo para quem não tem nenhuma doença crônica, o segredo está sempre no equilíbrio e em fazer escolhas mais conscientes. A nutricionista Ariane Brasil, do Hospital Edmundo Vasconcelos, alerta para os alimentos que merecem mais atenção devido ao excesso de açúcar, gordura e sódio, como doces à base de leite condensado, frituras, embutidos, caldos industrializados e bebidas típicas açucaradas.
Quando consumidos em excesso, esses alimentos podem favorecer o aumento da retenção de líquidos, da pressão arterial e dos níveis de glicose no sangue, além de causar desconfortos digestivos”, explica a nutricionista.
Ariane Brasil também traz sugestões simples de substituições saudáveis, como trocar refrigerantes por água saborizada, reduzir o açúcar das receitas, optar por carnes magras e milho cozido sem excesso de manteiga.
Outro ponto importante é o cuidado após possíveis exageros. “A recomendação é retomar rapidamente a rotina alimentar equilibrada, aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes ricos em fibras e manter a prática regular de atividade física”, finaliza.
5 estratégias para aproveitar as comidas típicas sem exageros
Ela destaca que 5 estratégias simples que podem fazer diferença durante as confraternizações:
1. Não chegar às festas com muita fome
“Ficar muitas horas sem comer pode aumentar a vontade de consumir alimentos mais calóricos e dificultar o controle das porções. Fazer pequenas refeições ao longo do dia ajuda a manter a saciedade e favorece escolhas mais equilibradas.”
2. Comer devagar e evitar repetir prato
“A alimentação mais lenta contribui para a percepção da saciedade, já que o cérebro leva alguns minutos para entender que o organismo está satisfeito. Evitar repetir pratos também reduz o consumo excessivo de calorias, gorduras e açúcares”.
3. Priorizar alimentos assados em vez de fritura
“Preparações assadas costumam conter menos gordura saturada e menor valor calórico quando comparadas às frituras. Essa escolha ajuda a reduzir a sobrecarga digestiva e o risco de desconfortos gastrointestinais”.
4. Escolher apenas um doce
“As sobremesas típicas das festas juninas geralmente possuem altas quantidades de açúcar e leite condensado. Limitar o consumo a uma opção ajuda a evitar picos glicêmicos e o excesso de calorias em uma única refeição.”
5. Aumentar a ingestão de água durante e após as festas
“A hidratação adequada auxilia no funcionamento do organismo, favorece a digestão e ajuda a reduzir sintomas como inchaço, retenção de líquidos e cansaço após excessos alimentares.”
Com Assessorias




