O caso da empresária de 51 anos, que morreu após fazer seis procedimentos estéticos no rosto, infelizmente, não é isolado. Volta a meia a internet é sacudida por casos semelhantes, reabrindo o debate sobre os riscos de múltiplas cirurgias plásticas simultâneas. Também em agosto, Giovanna Coelho Gomes, uma empresária de 29 anos, morreu em Belém (PA) após realizar quatro cirurgias plásticas combinadas. 

No Hospital Beneficente Portuguesa, ela foi submetida a mamoplastia (prótese de mama), abdominoplastia, lipoaspiração e enxertia de gordura nos glúteos. A operação durou cerca de quatro horas. Segundo a família, Giovanna pagou R$ 70 mil pelo ‘combo’, mas nem teve acesso ao celular do médico responsável pelos procedimentos.

A jovem começou a passar mal, relatando fortes dores e episódios de vômito. O estado de saúde da paciente agravou-se drasticamente. Giovanna sofreu quatro paradas cardíacas e faleceu no bloco cirúrgico do hospital, 27 horas depois de fazer as cirurgias. O caso está sob investigação policial e gerou grande repercussão nacional devido às denúncias da família sobre omissão de socorro e negligência médica.

Segundo os parentes, a paciente tentou relatar as complicações à secretária do cirurgião, mas o médico não compareceu ao hospital para avaliar presencialmente a piora do quadro. A Polícia Civil do Pará (através da Seccional do Comércio) e o Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) abriram inquéritos para apurar as circunstâncias e responsabilidades pela morte.

Em 21 de agosto de 2026, o cirurgião responsável, André Melo, prestou um depoimento de cerca de cinco horas à Polícia Civil. A defesa do médico declarou que ele está colaborando integralmente com a Justiça, mas o caso corre em segredo de Justiça. A defesa técnica do cirurgião alega que ainda não há elementos conclusivos sobre a causa exata do óbito.

‘Inteligente, carismática, amorosa e com muita sede de viver’

A irmã de Giovanna, a médica oftalmologista Ana Caroline Coelho, fez declarações muito fortes e comoventes nas redes sociais e em depoimentos à polícia. A irmã a descreveu como uma jovem “inteligente, carismática, amorosa e com muita sede de viver”, além de ser uma empresária de sucesso no ramo de óticas em Belém.
Ana Caroline fez questão de afastar qualquer narrativa de que a irmã teria sido “imprudente” ou agido por impulso. Segundo ela, as cirurgias eram um sonho de infância: Giovanna planejava e sonhava com essa cirurgia desde os 15 anos. Ana Caroline conta que foi extremamente cautelosa e não escolheu o médico às pressas. Giovanna pesquisou profissionais por anos, passou por consultas com diversos cirurgiões e fez múltiplos orçamentos antes de tomar a decisão final.
A médica Ana Caroline Coelho publicou fotos com a irmã e um texto sobre a busca por justiça em seu perfil profissional @anacaroline.oft no Instagram. A reportagem em vídeo detalhando o histórico de Giovanna e fotos das irmãs foi exibida pelo programa Domingo Espetacular da Record

Críticas aos colegas da área médica

Ana Caroline prestou um depoimento de quase quatro horas à Polícia Civil do Pará e, junto aos advogados da família, teve acesso ao prontuário médico para realizar uma auditoria própria dos medicamentos e procedimentos aplicados no pós-operatório.
Nas redes sociais, a irmã de Giovanna  detalhou o perfil determinado da jovem e criticou duramente a postura da classe médica diante da tragédia. Por ser da área da saúde, os desabafos de Ana Caroline carregam um peso técnico e ético ainda maior:
    • Crítica à omissão da classe médica: Após uma nota oficial ser divulgada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Pará, Ana Caroline publicou um desabafo contundente criticando o corporativismo e a postura dos médicos que tentam normalizar complicações graves ou proteger colegas de profissão. 
    • Aviso sobre culpabilização da vítima: Em entrevista, ela ressaltou de forma enfática: “Existe a culpabilização”. Ela pontuou que o erro e a negligência envolveram múltiplos fatores (médico, equipe e hospital) e que a culpa pelo desfecho trágico jamais deve ser atribuída à paciente.
    • A dor da perda: Emocionada, a médica declarou em entrevistas ao G1: “Todos amavam ela. A gente não sabe como vai viver sem ela”.
    • Promessa de Justiça: Em suas redes sociais, Ana Caroline declarou estar usando suas forças em meio ao luto para liderar a busca por respostas: “Eu só quero justiça. Pela minha irmã e por tantas outras mulheres que passaram pelo mesmo”. 

Alerta de saúde: o perigo das cirurgias combinadas

O caso de Giovanna trouxe novamente à tona o alerta de especialistas sobre os perigos da associação de múltiplas cirurgias estéticas de grande porte em um mesmo tempo cirúrgico. Embora permitidas em certas condições, as cirurgias combinadas aumentam consideravelmente: 
    • O tempo total sob anestesia geral.
    • O volume de sangramento e perda de fluidos corpóreos.
    • O risco de tromboembolismo venoso e embolia pulmonar.
    • A sobrecarga hemodinâmica e cardiovascular do paciente.

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *