O Brasil deve dar um passo decisivo para se proteger de novas crises sanitárias até o fim deste ano. Está em debate a criação do Centro Brasileiro de Emergências em Saúde Pública (Cbesp), uma instituição projetada para que o país não seja pego de surpresa por surtos, epidemias ou desastres ambientais. A iniciativa, idealizada pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS) e desenhada por especialistas de diversas áreas, funcionará sob a gestão da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e será vinculada ao Ministério da Saúde.
Mais do que uma resposta burocrática, o novo centro impactará diretamente a vida dos cidadãos ao garantir que o país reaja com rapidez e base científica diante de ameaças biológicas e climáticas, evitando o desabastecimento de insumos e desencontros de informações.
O que muda na prática para a população?
Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com profissionais dedicados, mas a estrutura de resposta a crises ainda carece de uma coordenação centralizada e permanente. Na prática, o Cbesp funcionará como uma “torre de controle” para a saúde nacional.
-
Rapidez no diagnóstico: Identificação mais ágil de novos vírus ou variantes.
-
Decisões baseadas na ciência: Proteção contra o negacionismo científico e diretrizes unificadas para estados e municípios.
-
Políticas de Estado: A estrutura será permanente, blindando a saúde pública de disputas políticas ou trocas de governo.
Uma estrutura permanente com foco em prevenção, preparação e resposta a emergências em saúde pública ajudará o Brasil a reagir mais prontamente às crises”, explica Gerson Penna, diretor-presidente do ITpS.
Leia mais
Pandemia da covid-19: resgatando a história para defender o futuro
COP30 reforça o conceito de ‘saúde única’: entenda o que isso significa
Covid: o que mudou na rotina dos hospitais depois da pandemia?
Próximos passos e sustentabilidade financeira
O financiamento do centro virá principalmente do Orçamento Geral da União, mas o modelo prevê a captação de recursos por meio de convênios internacionais e receitas próprias. Segundo a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, um projeto de lei está em andamento para formalizar essa política.
A expectativa dos idealizadores é que as discussões avancem no segundo semestre de 2026 para que o centro comece a operar plenamente até 2027, consolidando uma rede de proteção robusta e duradoura para todos os brasileiros. A grande inovação do novo centro será a sua atuação intersetorial. Ele promoverá a cooperação contínua entre os setores de saúde, meio ambiente, agricultura, ciência e tecnologia.
O olhar da Saúde Única: Conectando pessoas, animais e ambiente
A criação do entro Brasileiro de Emergências em Saúde Pública (Cbesp) reflete diretamente o conceito de Saúde Única (One Health), que norteia a linha editorial do Portal Vida e Ação. Esse modelo reconhece que a saúde humana está indissociavelmente conectada à saúde dos animais e ao equilíbrio do meio ambiente.
Não há como prevenir epidemias sem olhar para o desmatamento, as mudanças climáticas e o contato cada vez mais próximo entre populações e a vida silvestre. Em 2024, por exemplo, o Brasil enfrentou a maior epidemia de dengue de sua história, além de surtos de mpox, febre do oropouche e o monitoramento constante da gripe aviária. Todos esses cenários são influenciados por fatores ambientais e ecológicos.
Tratar o planeta, os animais e as pessoas como um único ecossistema é a única forma eficiente de prever a próxima pandemia antes que ela comece.




