Você consegue perceber o que há de incomum nesta imagem aí em cima? Pois ela faz parte da campanha ‘Atente-se ao que é raro’, criada com o objetivo de chamar a atenção da população para uma doença chamada mielofibrose, um tipo de câncer no sangue que não tem sintomas claros e cujo diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento.

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A ideia é provocar as pessoas a olharem atentamente a um sinal que pode parecer comum, mas que, no fundo, significam algo mais – assim como no caso da mielofibrose, onde sintomas como palidez, perda de peso, sudorese noturna, hematomas sem razão aparente, fadiga e falta de energia fadiga, acompanhados de aumento excessivo do baço, podem indicar a doença.

Esses sintomas, muitas vezes passageiros, podem significar apenas uma indisposição ou virose, por exemplo. No entanto, outras vezes eles podem indicar algo mais sério. Quando persistem por um longo período e são acompanhados por febre, hemorragias, infecções frequentes e dor ou volume atípico no abdome, esses sintomas podem indicar a mielofibrose.

Por ser rara – estima-se que uma a cada 133 mil pessoas seja afetada pela mielofibrose –  pouco se fala sobre a doença. Para a especialista, a falta de informação contribui para o diagnóstico tardio. “Soma-se, ainda, o fato de que, esses sinais ‘comuns’ são negligenciados não só pelo paciente, mas também por profissionais de saúde que não sabem muito sobre a doença”, afirma Ana Clara Kneese Nascimento, médica assistente da Santa Casa de São Paulo.

Neste Dia Mundial das Doenças Raras (28 de fevereiro) a campanha alerta sobre essa doença, cuja incidência vem crescendo consideravelmente. Pertencente ao grupo das doenças mieloproliferativas, a mielofibrose é um tipo de câncer do sangue, que ocorre quando as células-tronco sofrem uma mutação e formam uma fibrose (cicatriz) na medula óssea. Com cada vez mais células mutantes se replicando, a produção de células sanguíneas é afetada, reduzindo a quantidade de glóbulos vermelho, brancos ou plaquetas no organismo.

Para compensar esse desfalque, o baço intensifica a produção de glóbulos vermelhos – e, com isso, aumenta de volume, podendo passar de 150g e 15cm, em média, para até 10kg e 36cm de comprimento. Esse aumento pode gerar dor ou volume incomum abaixo da costela esquerda, o que costuma intensificar a sensação de cansaço e fadiga, além de acender o sinal de alerta para a presença de uma doença mais complexa.

Sintomas

De acordo com o desenvolvimento da doença é lento e não é raro que o paciente demore a notar os primeiros sinais. “Embora se saiba que há uma alteração genética, a causa da mielofibrose ainda é desconhecida. Se sabe, no entanto, que a maior parte dos pacientes tem entre 50 e 80 anos, fase em que já há associação de outras doenças e sintomas. Por isso a importância de um olhar atento a qualquer sensação diferente, principalmente cansaço extremo e progressivo”, explica a médica.

A especialista destaca também que, com o passar dos anos, as pessoas com mielofibrose sofrem com sintomas debilitantes, tornando-se incapazes de seguir suas rotinas de forma funcional – especialmente se não estiverem sob cuidados e recebendo o tratamento adequado. Com sintomas avançados, o paciente diagnosticado tardiamente acaba sendo prejudicado, pois quanto antes o tratamento for iniciado, maior o ganho de qualidade de vida e potencial controle da doença.

Diagnóstico

“O primeiro passo para o diagnóstico é solicitar um hemograma para verificar possíveis alterações no número de células sanguíneas. Se o resultado for sugestivo e os sintomas também, o médico deve solicitar uma biópsia da medula óssea, afim de confirmar essas alterações”, afirma a médica.

Para um diagnóstico ainda mais preciso, ela comenta que é possível realizar exames de citogenética e pesquisa de mutações, que irão avaliar os cromossomos e detectar alterações específicas. Identificar se o paciente tem ou não algum tipo de mutação é fundamental para a prescrição do tratamento adequado.

A médica reforça que, no caso da mielofibrose, o acesso à informação pode fazer toda diferença na vida do paciente. “Quanto mais falarmos sobre o assunto, maior a chance de que as pessoas passem a notar os sinais da doença, mesmo que eles sejam discretos, e a buscar uma investigação especializada. O controle da doença e a qualidade de vida do paciente podem ser beneficiados com o diagnóstico precoce”.

Fonte: Novartis

 

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