Em meio ao retorno do Brasileirão e à realização de grandes eventos esportivos, o Ministério da Saúde colocou no ar a Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online. A iniciativa busca alertar a população sobre os riscos associados ao uso problemático das plataformas digitais e divulgar os serviços de saúde mental oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o acolhimento de apostadores e familiares.

As apostas online — conhecidas popularmente como “bets” — estão cada vez mais presentes no cotidiano e acessíveis por celulares a qualquer hora. As plataformas utilizam mecanismos como notificações push, bônus de boas-vindas, apostas em tempo real e recompensas variáveis. Esse conjunto de recursos estimula a permanência e a repetição, podendo levar o usuário a apostar por mais tempo ou gastar mais do que o planejado.

Além do impacto financeiro direto, a prática desmedida traz sérias consequências para a saúde mental, a rotina profissional e as relações familiares e sociais.

O que é o Transtorno do Jogo?

O Transtorno do Jogo é reconhecido tanto pela Classificação Internacional de Doenças (CID) quanto pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) como uma condição de comportamento aditivo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que o transtorno afete cerca de 1,2% da população adulta mundial.

Sinais de alerta

É importante ficar atento aos primeiros sintomas de dependência:

  • Apostar por mais tempo ou investir mais dinheiro do que o planejado;

  • Preocupação frequente ou obsessiva com jogos e apostas;

  • Alterações marcantes no sono, no humor e no rendimento diário;

  • Afastamento familiar e isolamento social.

Atendimento gratuito no SUS: presencial e via telemedicina

Para responder ao aumento dos casos, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS disponibiliza suporte gratuito para apostadores e seus familiares.

Teleatendimento especializado

O serviço de teleatendimento é sigiloso e permite acesso a profissionais de saúde mental à distância. Para acessar:

  1. Baixe ou acesse a plataforma Meu SUS Digital;

  2. Faça o login com a sua conta gov.br;

  3. Na página inicial, acesse a seção Miniapps;

  4. Clique na opção “Problemas com jogos de apostas?” e responda ao autoteste.

Caso o teste indique risco moderado ou elevado, o encaminhamento para a consulta online é feito de forma automática. Nos demais casos, o aplicativo apresenta orientações gerais sobre a rede de apoio.

Atendimento presencial

O atendimento também pode iniciar presencialmente na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Após a avaliação inicial, se houver necessidade de acompanhamento contínuo, o paciente é encaminhado a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), onde receberá cuidados de uma equipe multiprofissional.

Bloqueio voluntário: como funciona a autoexclusão

Outra medida importante de proteção é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, gerida pelo Ministério da Fazenda. A ferramenta permite que o próprio cidadão solicite o bloqueio do seu acesso às plataformas de apostas autorizadas no país.

Ao realizar a solicitação com a conta gov.br, o sistema automaticamente:

  • Bloqueia todas as contas ativas vinculadas ao CPF nas empresas autorizadas;

  • Impede a abertura de novos cadastros;

  • Interrompe o envio de publicidade direcionada por parte das operadoras.

A plataforma também reúne materiais educativos sobre jogo responsável, educação financeira e testes de autoavaliação, funcionando como um importante aliado na prevenção de danos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

O atendimento presencial pode começar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde apostadores e familiares recebem acolhimento, orientação e avaliação inicial. Quando houver necessidade de cuidado especializado em saúde mental, a equipe pode encaminhá-los a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferece acompanhamento multiprofissional.

Do Ministério da Saúde

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