Durante o verão, a busca por procedimentos estéticos rápidos costuma disparar. No entanto, o que deveria ser um momento de autocuidado pode se transformar em um grave problema de saúde. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) emitiu um alerta sobre o risco de infecções por micobactérias não tuberculosas, enquanto especialistas reforçam que a pressa é a principal inimiga da pele nesta época do ano.
Dados da Vigilância Epidemiológica estadual revelam que, entre 2023 e 2025, o Rio de Janeiro registrou 43 casos confirmados de infecções por micobactérias de crescimento rápido associadas a procedimentos invasivos. O público feminino é o mais afetado, representando 95% das notificações.
As infecções, que podem ocorrer devido a falhas de assepsia ou uso de produtos sem procedência (como toxina botulínica irregular), apresentam uma evolução dolorosa. Segundo a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES-RJ, Cristina Giordano, os microrganismos causam lesões profundas nos tecidos moles.
Eventos graves podem estar associados ao uso inadequado de substâncias e falhas técnicas. O tratamento é longo e pode deixar sequelas estéticas e funcionais permanentes”, alerta a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
A armadilha dos procedimentos “em cima da hora”
Para a fisioterapeuta dermatofuncional Fabi Pinelli, o aumento das notificações de complicações também está ligado ao imediatismo. A especialista explica que novembro é o mês limite para preparar a pele com segurança. Tentar realizar intervenções agressivas em dezembro, às vésperas da exposição solar, é um erro estratégico.
Muitos procedimentos precisam de tempo para a pele se recuperar. Quando feitos com pressa, podem causar manchas, queimaduras e o temido efeito rebote”, explica Fabi. Ela destaca que o Brasil apresenta níveis de radiação UV extrema entre novembro e fevereiro, o que agrava qualquer processo inflamatório recente.
A pele tem memória e a pressa estética cobra um preço alto”, finaliza Fabi Pinelli. A recomendação de ouro é verificar sempre a habilitação do profissional e a procedência dos insumos utilizados antes de qualquer agulhada.
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O que evitar e o que priorizar agora
Para quem deseja brilhar nas festas sem colocar a saúde em risco, confira o guia de segurança para este período:
| O que evitar (Risco de manchas e lesões) | O que é seguro (Foco em saúde e viço) |
| Peelings químicos agressivos | Limpeza de pele profunda com ativos calmantes |
| Laser fracionado e microagulhamento profundo | LED vermelho e azul (anti-inflamatório) |
| Aplicação de injetáveis em pele inflamada | Máscaras antioxidantes e regeneradoras |
| Exposição solar imediata após ácidos | Suplementação de vitaminas (C, E, D e Zinco) |
Sinais de alerta: quando procurar ajuda?
Após qualquer procedimento estético, é fundamental monitorar a cicatrização. A SES-RJ orienta que o paciente procure atendimento médico imediato se notar:
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Lesões que não cicatrizam no local da aplicação.
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Dor persistente, vermelhidão intensa ou calor local.
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Presença de secreção (pus) ou nódulos.
Canais de notificação
Caso suspeite de irregularidades em clínicas ou apresente sintomas de infecção, a Vigilância Epidemiológica do Estado disponibiliza os telefones (21) 3385-9845/9846 e o e-mail notifica.ses.rj@gmail.com.





