
O episódio reacende o debate sobre essa condição neurológica pouco conhecida, mas extremamente incapacitante. O tema já havia ganhado repercussão nacional em 2024 com o caso da jovem brasileira Carolina Arruda, que relatou conviver com dores severas e chegou a considerar a eutanásia no exterior diante do sofrimento (veja mais sobre o caso no final do texto).
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O que é a Neuralgia do Trigêmeo?
Segundo a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), a neuralgia do trigêmeo ocorre quando há irritação ou compressão do nervo responsável pela sensibilidade da face, provocando crises súbitas de dor intensa, muitas vezes comparadas a choques elétricos, que podem ser desencadeadas por ações simples como mastigar, falar ou escovar os dentes.
O nervo trigêmeo é responsável pela sensibilidade de grande parte da face, além de regiões da cabeça e da cavidade bucal. O nome trigêmeo vem do fato de ele possuir três ramos principais: um que atende a região superior da face, outro a região média, como bochechas e nariz, e um terceiro voltado à mandíbula. Quando ocorre a neuralgia, a dor costuma surgir como choques elétricos ou pontadas intensas nessas áreas”, explica a entidade.
Quais são as causas
A causa mais comum da neuralgia do trigêmeo é o chamado contato neurovascular, quando uma artéria passa a pressionar o nervo trigêmeo. Com o passar do tempo, a pulsação do vaso sanguíneo pode irritar o nervo, gerando impulsos elétricos anormais interpretados pelo cérebro como dor intensa. Outra possível causa está associada ao vírus do herpes, que pode permanecer alojado no nervo e eventualmente desencadear episódios de dor.
Frequentemente causada pela compressão do nervo por um vaso sanguíneo, mas também pode estar associada a outras doenças neurológicas desmielinizantes, como a esclerose múltipla, ou ainda à presença de tumores ou outras lesões próximas ao nervo, motivo pelo qual exames de imagem, como a ressonância magnética, costumam ser indicados na investigação.
Principais sintomas
O principal sintoma é a dor facial súbita e intensa, frequentemente descrita como um choque elétrico. Crises súbitas de dor “em choque” ou pontadas intensas, geralmente desencadeadas por atividades simples como falar, comer, escovar os dentes ou até um vento leve no rosto.
As crises podem ocorrer em regiões como a maçã do rosto, mandíbula, testa ou ao redor dos olhos. Em alguns casos, a dor também pode atingir língua, gengiva ou bochechas. “Como a dor pode surgir próxima aos dentes, não é raro que ela seja confundida com dor odontológica, o que pode atrasar o diagnóstico correto”, destaca a SBN.
Especialistas da SBN destacam que informação e diagnóstico precoce são fundamentais para ampliar o acesso a tratamentos, que vão desde medicamentos para dor neuropática até procedimentos cirúrgicos em casos mais graves. Geralmente envolve o uso de medicamentos anticonvulsivantes para controlar a dor ou, em casos mais graves e resistentes, procedimentos cirúrgicos para aliviar a pressão sobre o nervo.
Existe tratamento?
Segundo a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, a doença não tem necessariamente uma cura definitiva, mas existem tratamentos eficazes para controle dos sintomas. Na maioria dos casos, o tratamento inicial é feito com medicamentos específicos para dor neuropática, como a carbamazepina, que costuma apresentar bons resultados.
Antes de considerar qualquer procedimento invasivo, grande parte dos pacientes responde bem ao tratamento medicamentoso. Ele é considerado a primeira linha terapêutica”, afirma.
Quando a resposta aos medicamentos não é suficiente, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos. Entre eles estão técnicas minimamente invasivas, nas quais o médico atua diretamente no nervo para reduzir os estímulos dolorosos, e a cirurgia de descompressão microvascular, que busca separar o vaso sanguíneo do nervo responsável pela dor.
Impacto na qualidade de vida
A intensidade da dor pode comprometer significativamente a rotina dos pacientes. Em crises mais graves, atividades simples como falar, mastigar ou até sentir vento no rosto podem desencadear episódios dolorosos.
Em alguns casos, a dor é tão intensa que o paciente deixa de comer, de falar e de realizar atividades do dia a dia. Por isso, buscar avaliação médica especializada é fundamental para iniciar o tratamento adequado o quanto antes”, reforça a SBN.
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‘A dor não define quem somos’
Imagine sentir choques elétricos no rosto ao falar ou mastigar? A história de Carolina Arruda, uma jovem de Bambuí, em Minas Gerais, ganhou as mídias em 2024. Aos 28 anos, ela vive com essa dor desde os 16. A estudante de Medicina Veterinária passou por 27 neurologistas e diversos tratamentos, incluindo medicamentos e cirurgias, mas a dor persiste.
Perceber que minha dor era tanto emocional quanto física foi um passo crucial para a cura. Encontrei um novo propósito. Transformei minha dor em uma missão de mostrar que há caminhos para a superação e que ninguém está sozinho”, diz ela.
A dor constante impede Carolina de realizar tarefas simples e afeta seu bem-estar emocional. Sua história mostra a importância de buscar diagnóstico e tratamento adequados para a dor crônica.
A dor não define quem somos. Há ajuda e esperança. Se você se identifica com minha história, saiba que buscar apoio e enfrentar suas emoções pode abrir portas para uma nova vida. Você é mais forte do que imagina. Não desista de encontrar a paz que merece”, escreveu.
Com assessorias

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