Segundo a pesquisa “Vigitel 2021”, realizada pelo Ministério da Saúde, 6 em cada 10 brasileiros estavam com sobrepeso no último ano. Essa condição, pode ter como motivo doenças crônicas, sedentarismo e a qualidade da alimentação. E para emagrecer, muita gente é capaz de tudo. Até de tomar diversas injeções na barriga, sem prescrição médica.

Nos últimos meses, o  Ozempic (nome comercial da semaglutida) caiu na boca do povo. Muitos famosos no Brasil e no mundo já relataram ter tomado o remédio como suposto método de emagrecimento. Em março deste ano, a apresentadora Jojo Todynho publicou um vídeo contando sobre sua experiência com o ozempic para perder peso.

Depois do empresário Elon Musk revelar que usa o medicamento, na noite de apresentação do Oscar, o comediante Jimmy Kimmel também fez piada em relação ao Ozempic e o uso pelos famosos. Além disso, o assunto vem sendo muito abordado pelo público em geral nas redes sociais. Mas afinal, para que serve o Ozempic e quais são seus efeitos reais?

Medicamentos como o ozempic são injetáveis e tem alto custo, com preços a partir de R$ 800. O fármaco tem aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratamento da diabetes tipo 2, exclusivamente, e o uso para perda de peso é feito de acordo com avaliação médica dos riscos e benefícios individuais, em conjunto com o paciente.

“O objetivo principal do medicamento é o tratamento contra a diabetes e, por isso, não deve ser utilizado como finalidade principal para emagrecimento sem prescrição médica. O uso sem prescrição médica pode ocasionar diversos efeitos colaterais”, dizem especialistas.

Uso ‘off label’ é condenado até pelo fabricante

A prescrição da medicação para emagrecimento é feita de forma “off label”, ou seja, não consta na bula para essa finalidade e, sim, para o tratamento da diabetes, para o qual ela foi aprovada.  É importante ressaltar que o uso de qualquer medicamento deve ser feito com prescrição e acompanhamento médico.

O próprio fabricante do medicamento, a Novo Nordisk esclarece que o Ozempic®️ (nome comercial da semaglutida) “é um medicamento indicado, em conjunto com dieta e exercícios, exclusivamente para o tratamento de pacientes adultos com diabetes tipo 2 não satisfatoriamente controlada (ou seja, quando o nível de açúcar no sangue permanece muito alto)”.

“A posologia recomendada em bula é de uso uma vez por semana, com prescrição e acompanhamento médicos. É importante ressaltar que a companhia não endossa ou apoia a promoção de informações de caráter off-label, ou seja, em desacordo com a bula de seus produtos”, afirma a marca.

Médica explica efeito colateral de reduzir o apetite

A endocrinologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Vivian Estefan, explica que o Ozempic passou a ser utilizado para emagrecimento devido a um possível efeito colateral, a redução do apetite. Ela explica que o remédio é vendido sem prescrição médica e, por isso, passou a ser usado como método para emagrecer. A perda de peso, em alguns casos, pode chegar a 20%, o que pode ser um atrativo para os obesos ou pessoas com sobrepeso.

A endocrinologista explica que o medicamento promove o aumento da secreção da insulina e da redução do glucagon quando a taxa de glicose se eleva. Um de seus efeitos adicionais é o controle do apetite através da regulação da saciedade no cérebro.

“Outro efeito que auxilia o emagrecimento é o retardo do esvaziamento gástrico após as refeições, e a consequente sensação de saciedade. O paciente se sente com o estômago cheio por mais tempo, o que contribui para a redução da ingesta alimentar”, resume.

Efeitos colaterais que podem levar pessoas ao hospital

A médica alerta, porém, que sem o devido acompanhamento médico, sua utilização pode ser perigosa, já que são diversos os efeitos colaterais, como náuseas, refluxo gastro esofágico, vômitos, constipação ou diarreia, podendo até mesmo incorrer em atendimento hospitalar com urgência.

Há ainda um aumento da incidência de pedras na vesícula e ainda uma contra indicação em relação à alergia em relação ao produto. Ela esclarece que uma dose de até 2,4 mg não oferece riscos cardiovasculares, mas destaca que sua utilização, assim como a quantidade só deve ser determinada por um médico.

“O medicamento só deve utilizado após ser receitado por médicos, pois todos os riscos da automedicação são imensos. Além das interações com outras medicações que o paciente esteja usando, os efeitos adversos e as possíveis complicações do Ozempic necessitam da retaguarda de um profissional habilitado para o manejo destas situações. No caso de seu uso, a dose ideal deve ser estabelecida individualmente pelo médico, iniciando-se com a mínima possível para evitar os efeitos indesejáveis citados acima”, avalia.

Avaliação do uso para emagrecimento deve ser individual e criteriosa

A especialista ressalta que, após uma avaliação clínica por parte de um médico, o paciente deve realizar os exames laboratoriais e radiológicos necessários. Esta avaliação é individual, assim como a indicação das medicações. Desta forma, destaca ela, o paciente será orientado a seguir um tratamento específico, e poderá ou não usar Ozempic.

“Esta avaliação é muito importante para se identificar o motivo do ganho de peso e para se estabelecer um diagnóstico completo das comorbidades (complicações de saúde causadas pelo excesso de peso), que devem ser tratadas”, afirma.

A médica observa ainda que o tratamento da obesidade não se faz apenas com medicamentos e que não há substâncias milagrosas. “Qualquer tratamento contra obesidade deve estar associado à adoção de hábitos saudáveis. É importante a mudança no estilo de vida, com novos hábitos alimentares, prática de atividade física regular e controle dos distúrbios psíquicos, ou seja  acompanhamento de uma equipe multidisciplinar”, destaca.

Risco maior de broncoaspiração em cirurgia

Rede de hospitais proíbe medicações auto-injetáveis para emagrecimento antes de procedimentos

A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo implementou uma medida preventiva com a constatação do aumento no número de pacientes em pré-operatório que fazem uso de medicações auto aplicáveis para controle de diabetes, como o ozempic, trulicity, victoza e a saxenda,  com objetivo de emagrecimento.

As medicações representam riscos no procedimento cirúrgico, como a broncoaspiração, durante o processo de anestesia, e por isso, dentro da Rede, os médicos passaram a orientar seus pacientes em pré-operatório que suspendam o uso com a devida consulta ao médico que realizou a prescrição. Procedimentos como endoscopia, ressonância magnética e cirurgia, são abrangidos pela medida preventiva do São Camilo.

A broncoaspiração é a entrada de substâncias do trato gastrointestinal, tais como alimentos e saliva, pela via respiratória. Essa condição pode ocorrer pelo enfraquecimento dos músculos usados na deglutição. É uma condição clínica com alto potencial de prejudicar o funcionamento das vias respiratórias do paciente durante um procedimento anestésico-cirúrgico.

Como medida preventiva, a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo passou a orientar a suspensão de uso desses medicamentos aos pacientes em pré-operatório.

“Os fármacos análogos da GLP-1 alteram o tempo de esvaziamento gástrico, podendo aumentar o risco de broncoaspiração durante o processo anestésico. Desta forma, sempre que possível, sugere-se a suspensão de tais fármacos antes de procedimentos com anestesia”, explica a anestesista da rede, Adeli Alfano.

Procedimentos como endoscopia, ressonância magnética e cirurgia, são abrangidos pela medida preventiva do São Camilo. Para compostos como a Liraglutida (victoza; saxenda), a recomendação de suspensão é de 48h antes do procedimento.

Já para a Semaglutida (ozempic) ou Dulaglutida (trulicity), a recomendação é de 10 dias antes do procedimento. Na medida preventiva, o médico que realizou a prescrição do medicamento também deve ser consultado antes da suspensão para avaliação da possibilidade de suspensão.

Com Assessorias

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