Rio e São Paulo levam mamografias até mulheres que precisam

Mamógrafo Móvel do RJ realizou mais de 22 mil exames em 23 municípios em 2023. Já Carretas de Mamografias de SP atenderam mais de 24 mil mulheres

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Enquanto algumas brasileiras têm que viajar até 500 quilômetros para realizar uma mamografia, em dois estados do Sudeste – Rio de Janeiro e São Paulo – o serviço é oferecido de forma itinerante, por meio de caminhões equipados e equipes  especializadas, para garantir o acesso ao diagnóstico precoce para o tratamento do câncer de mama, segundo tipo mais comum entre as mulheres, além de outras doenças que atingem a população feminina.

Em 2023, o Mamógrafo Móvel da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) realizou 22.290 exames, sendo 13.472 de mamografia e 8.818 de ultrassonografia. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (26). Não foi informado o número de exames realizados no ano anterior, para efeito de comparação, nem a agenda do serviço para 2024.

Já em São Paulo, as Carretas de Mamografias, do Programa Mulheres de Peito, da Secretaria de Estado de Saúde, realizaram 24.123 exames até o dia 16 de dezembro, resultado 25% superior à meta anual de atendimentos. A primeira agenda de 2024 já está  programada: a carreta ficará 10 dias no município do Sumaré (veja mais abaixo).

Carretas de Mamografias de SP realizam mais de 24 mil atendimentos

O serviço itinerante em São Paulo seguiu até dia 23 de dezembro, nos municípios de Ubatuba e Alumínio, regiões de Taubaté e Sorocaba. A partir de 3 de janeiro de 2024, a carreta de mamografias estará disponível para atender a população do município de Sumaré, na região de Campinas. Os exames serão realizados até o dia 13, na Avenida Minasa, 1.136 – San Martim (Quadra de basquete 3X3).

As carretas oferecem exames de mamografia gratuitamente por meio do SUS para mulheres de 50 a 69 anos de idade, sem necessidade de pedido médico ou agendamento. As mulheres com idade entre 35 e 49 anos e acima de 70 também podem realizar o exame, desde que apresentem a solicitação médica, RG e Cartão Nacional de Saúde (CNS), popularmente conhecido como cartão do SUS.

O programa tem por objetivo incentivar mulheres a realizar o exame de mamografia para diagnóstico e tratamento precoce do câncer de mama, como fez a psicóloga Alessandra Giovannetti, de 51 anos, residente do município de Bauru, atendida pela unidade itinerante em novembro.

“O atendimento foi impecável desde a recepção. O exame é um pouco desconfortável, mas a enfermeira que realizou foi sensacional, prestativa e cuidadosa, inclusive com outras pessoas que observei enquanto aguardava a minha vez. Há uma padronização de qualidade muito bem organizada. Saí de lá já com as imagens em mãos e o laudo saiu após alguns dias”, afirmou.
Os exames são realizados de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e, aos sábados, das 8h às 12h, exceto feriados. As unidades móveis podem atender até 50 pacientes por dia nos dias de semana e, aos sábados, realizar 25 atendimentos.

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No Rio de Janeiro, Mamógrafo Móvel atendeu 23 municípios este ano

No Estado do Rio de Janeiro, 23 dos 92 municípios fluminenses de sete regiões diferentes (Baixada Litorânea, Centro-Sul Fluminense, Médio Paraíba, Metropolitana 1 e 2, Norte e Noroeste) receberam o Mamógrafo Móvel da Secretaria de Estado de Saúde ao longo do ano de 2023.

São eles: Armação dos Búzios, Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, Cordeiro, Duque de Caxias, Iguaba Grande, Itatiaia, Japeri, Magé, Maricá, Miguel Pereira, Nilópolis, Porciúncula, Rio das Flores, Rio de Janeiro, Santo Antônio de Pádua, São João de Meriti, Sapucaia, Saquarema, Silva Jardim, Três Rios, Valença e Vassouras.

Na capital, sete bairros foram atendidos pelo Mamógrafo Móvel do estado: Bangu, Centro, Complexo do Alemão, Gardênia Azul, Ilha do Governador, Manguinhos e Quintino. Uma das ações de maior destaque aconteceu em julho, no bairro da Ilha do Governador, onde o equipamento realizou 290 mamografias e 118 ultrassonografias.

A iniciativa faz parte do eixo móvel do Centro Estadual de Diagnóstico por Imagem Rio Imagem e visa apoiar os municípios no diagnóstico precoce do câncer de mama. No dia em que estão agendadas, as pacientes devem levar um documento oficial de identidade e, caso possuam, o cartão do SUS.

Para realizar os exames de ultra e mamografia, é necessário apresentar pedido médico, independentemente da idade da paciente. Os resultados das ultrassonografias são disponibilizados imediatamente após os exames. Já os laudos das mamografias serão entregues em até 15 dias úteis na Secretaria de Saúde do município.

Estado do RJ dispõe de sete mamógrafos em unidades de saúde

mamografia na rede pública do Rio
Mamografia na rede pública do Rio (Foto: Divulgação SES)

Além do Mamógrafo Móvel, a SES-RJ tem sete mamógrafos distribuídos pelas seguintes unidades: três no Rio Imagem Centro; um no Hospital Estadual dos Lagos Nossa Senhora de Nazareth, em Saquarema; um no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti; e dois no Centro de Imagem da Baixada, em Nova Iguaçu.

A SES informou que os equipamentos estão disponíveis para a realização de exames preventivos em mulheres. O número de atendimentos realizados este ano nestas unidades não foi informado.

O Ministério da Saúde indica que o exame de mamografia seja realizado de rotina a cada dois anos em mulheres com idade entre 50 e 69 anos. Para a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, a iniciativa é fundamental para o diagnóstico precoce e evitar que novas pessoas sejam vítimas do câncer de mama.

“O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente entre mulheres no Brasil e é a principal causa de morte entre as mulheres no país. Por isso, a Secretaria tem trabalhado para ampliar cada vez mais o acesso ao diagnóstico precoce, que pode salvar milhares de vidas”, explica a secretária.

Rio Imagem Baixada supera em seis meses marca de 100 mil exames

Inaugurado em 8 de julho deste ano em Nova Iguaçu, o Rio Imagem Baixada, o maior complexo público de exames da América Latina, atingiu em dezembro a marca de mais de 100 mil exames realizados. Até 7 de dezembro, foram 105.674 beneficiando 47.832 pacientes. Nesses seis meses de funcionamento da unidade, foram feitas 74.453 tomografias de vários tipos, 6.444 mamografias, 4.040 exames de Raio X, 15.168 análises laboratoriais e 4.853 ressonâncias, além de outros exames.

A meta é aumentar em 2024 o número de exames realizados e de pessoas beneficiadas. Para isso, o horário de atendimento já está sendo ampliado. Os exames de ressonância magnética, por exemplo,  já estão sendo feitos até as 23h.  “Vamos continuar aumentando nos próximos anos nossa capacidade de atendimento e de realização de exames complexos com a instalação de mais equipamentos de última geração, incluindo um Petscan”, disse o diretor executivo da Fundação Saúde, João Pilotto.

O investimento no Rio Imagem Baixada é do programa Pacto RJ e superou R$ 90 milhões, utilizados na construção do complexo de mais de 5 mil metros quadrados e na compra de equipamentos com tecnologia de ponta. Nele, podem ser feitos de exames considerados simples, como Raio X, até os mais complexos, como os de imuno-histoquímica, capazes de identificar tumores de mama, além de realizar cirurgias não invasivas. Com essa variedade de exames, é possível diagnosticar, inclusive precocemente, várias doenças, entre as quais vários tipos de câncer. 

A Baixada Fluminense abrange 13 municípios e concentra cerca de 3,9 milhões de habitantes, 23% da população do Estado do Rio de Janeiro. Além dos pacientes da região, o centro atende, prioritariamente, moradores de cidades das regiões Centro-Sul e Sul Fluminense e da Costa Verde. O encaminhamento para os exames é feito pelas clínicas e postos de saúde da rede pública.

Mamógrafos mal distribuídos: pacientes viajam mais de 500km para fazer exame

Mamografia é indicada para diagnóstico ou rastreamento do câncer de mama (Foto: Banco de Imagens)

Mesmo com a tendência da evolução  do câncer de mama, a estrutura de atendimento no país ainda é precária. “Há pacientes que precisam viajar mais de 500 km para fazer uma mamografia. É inadmissível”, comenta André Sasse, médico oncologista da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), durante o 10° Fórum de Controle dos Cânceres Femininos, realizado na semana passada pela Femama – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas em Apoio à Saúde da Mama.

De acordo com André Sasse, médico oncologista da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a disparidade no acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama não diz respeito apenas às regiões do país, mas também ao atendimento público e privado da saúde.

Na saúde suplementar, por exemplo, o médico acompanha pacientes que demoraram apenas 7 dias entre a desconfiança do câncer e o início do tratamento. “Já na rede pública há mulheres que demoram até 555 dias, estamos falando de quase dois anos”, completa André Sasse.

“Não é mais possível negligenciar a condição alarmante na qual vivemos com relação aos cânceres no Brasil”, alerta Maira Caleffi,  fundadora e presidente voluntária da Femama, e presidente do Conselho de Diretores do IGCC (Instituto de Governança e Controle do Câncer).

Uma das causaa na qual Femama se debruçará em 2024 é a liberação de mais medicações para o tratamento oncológico via SUS. Renata Curi Hauegen, advogada, doutora em políticas públicas e diretora da Prospectiva Public Affairs Latam, lembrou que nos últimos anos tivemos muitas medicações incorporadas pelo SUS. “Porém, ainda temos um patamar inferior ao de outros países e precisamos batalhar para conseguir mais”, destacou.

O que fazer para reverter o cenário oncológico no Brasil?

Organizado pela Femama e suas 70 ONGs associadas, o 10° Fórum de Controle dos Cânceres Femininos durou dois dias e contou com os principais nomes da saúde nacional relacionados à causa oncológica no Brasil.

Ongs, associações, federações, instituições, médicos, pacientes e seus familiares se reuniram para discutir sobre os cânceres femininos e para eleger as frentes de atuação de Femama para 2024 no intuito de reverter a curva ascendente da incidência e da mortalidade no país.

Até 2035, a principal causa de mortalidade no mundo será o câncer e não mais as doenças cardiovasculares como historicamente ocorre há muitos anos”, alertou Abraão Dornellas, oncologista no Hospital Albert Einstein e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

Acompanhe a seguir os principais eixos de trabalho de Femama para 2024.

  1. Cobrar o cumprimento das leis e pressionar pelo acesso à medicação

“As leis podem ajudar a reduzir significativamente a mortalidade se saírem do papel e forem aplicadas. Avançamos nas conquistas jurídicas, mas, falta a execução efetiva das normativas para todos independentemente da condição socioeconômica do paciente”, explica Maira Caleffi, que atua como chefe do Serviço de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS).

Nas últimas duas décadas, o Brasil atingiu um patamar jurídico melhor com a aprovou da Lei dos 30 Dias (determina que exames para o diagnóstico sejam realizados, no máximo, um mês após suspeita de câncer) e a Lei dos 60 dias (exige que o tratamento seja iniciado 60 dias após confirmação da doença), mas infelizmente a aplicabilidade das leis ainda é precária. É preciso que a sociedade conheça essas leis e exija o cumprimento. É preciso também que o governo crie instrumentos para monitorar e garantir a aplicabilidade.

Pleito1: Garantir o cumprimento dos direitos do paciente oncológico, sobretudo no que se refere à disponibilização de medicamentos incorporados pelo governo federal, garantindo pleno acesso aos usuários do SUS.

  1. Possibilitar o acesso ao diagnóstico avançado

O câncer de mama possui 95% de chances de cura se diagnosticado precocemente. Essa porcentagem cai vertiginosamente com o avançar do tempo. “O câncer é uma doença crono-dependente, cada dia sem o diagnóstico é um prenúncio de agravamento. Cerca de 1/3 das mortes poderiam ser evitadas com ações preventivas mais efetivas”, afirma Ricardo Caponero, oncologista e diretor do comitê científico de FEMAMA.

A federação e a sua rede de ongs têm como meta para 2024 reforçar a importância da aprovação dos testes genético e genômico pelo SUS. O primeiro identifica se a mulher obtém o gene que favorece o desenvolvimento do câncer, possibilitando medidas preventivas para proteger essa paciente. O genômico auxilia, principalmente, a entender por que o câncer está crescendo e dá pistas de como optar pelo tratamento mais eficaz.

Pleito 2: Incentivar a inclusão da testagem genética e genômica para prevenção e detecção precoce de cânceres de mama e ovário no SUS através da aprovação de Lei Federal.

  1. Qualificar os profissionais da saúde

Há um consenso em FEMAMA e suas associadas de que o câncer tem de ser um assunto da saúde básica. “Não é possível esperar que a mulher seja encaminhada para um especialista para ter o diagnóstico do câncer de mama. Os exames preventivos deveriam ser uma obrigatoriedade para todas as mulheres que passam na saúde básica no SUS”, comenta Maira Caleffi.

Ela toma como referência o sistema de vacinação no Brasil. “A pessoa passa no SUS e é vacinado, sem burocracia. Queremos que isso aconteça com a mamografia. Foi ao médico no SUS tem que sair com um pedido de mamografia, como um exame de rotina principalmente para as mulheres a partir dos 50 anos”.

Para tanto, porém, é preciso um novo entendimento do governo com relação à saúde da mulher mas também é necessário preparar os profissionais da saúde para atender essa mulher e ter conhecimento sobre o diagnóstico precoce dos cânceres femininos e as medidas de contenção dessa epidemia.

A Femama tem como objetivo o letramento em câncer (ensinar sobre a doença, a prevenção, o diagnóstico e o tratamento) em todas as esferas brasileiras, dos profissionais de saúde à população.

Pleito 3: Acompanhar e apoiar a qualificação dos profissionais da Atenção Primária em Saúde, contribuindo para a conscientização sobre o câncer em todos os níveis do sistema público de saúde.

  1. Mobilizar o governo

A qualidade de vida de um paciente com câncer e sua sobrevida dependem em muito das decisões do legislativo e executivo nas esferas municipal, estadual e federal. Portanto é fundamental sensibilizar a classe política quanto às causas oncológicas e criar efetivamente um espaço de diálogo entre a população e os políticos que definem as ações de políticas públicas de saúde no Brasil.

A possibilidade dessa troca interfere efetivamente nos planos de contenção da doença e nos atendimentos aos pacientes. Um exemplo é a aprovação do senado, no final de novembro, de dois projetos fundamentais para os pacientes com câncer e também para redução da incidência da doença no país.

Eles são: a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico do Câncer. FEMAMA, ongs associadas e muitos atores públicos atuaram para engajar os senadores nessas causas e o resultado foi muito positivo.

Pleito 4: Ampliar as ações em prol da participação social da população e sobretudo de pacientes oncológicos nos espaços de decisão dos poderes executivo e legislativo, nos níveis municipal, estadual e federal.

  1. Envolver a população nas causas para controle do câncer

“A mobilização social ajuda efetivamente nas políticas públicas em prol ao paciente com câncer”, afirma Renata Curi Hauegen, advogada, doutora em políticas públicas e diretora da Prospectiva Public Affairs Latam, que palestrou no 10° Fórum. A aprovação para que os Inibidores de Ciclina fossem disponibilizados pelo SUS é um exemplo de como o apoio da população interfere nas decisões.

O público participou por meio de campanhas nas redes sociais, acompanhando audiências públicas, elaborando abaixo-assinados e, depois desse rol de ações, essa droga foi incorporada. Uma das principais metas de FEMAMA para 2024 é ampliar a visibilidade das causas oncológicos no país, mobilizando mais pessoas e organizações para fortalecer o controle dos cânceres femininos.

Pleito 5: Ampliar as ações de visibilidade da causa dos pacientes oncológicos, mobilizando mais pessoas e organizações para fortalecer a Rede Femama no enfrentamento e controle dos cânceres femininos.

Com informações da SES-RJ, GovSP e Femama

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