Aos 52 anos, a atriz Letícia Sabatella descobriu só recentemente que é uma pessoa dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 1 de suporte, considerado o mais leve. Ela revelou o diagnóstico recentemente no podcast “Papagaio Falante” e neste domingo (17/9) deu uma longa entrevista ao Fantástico, da TV Globo, em que contou como ainda tenta entender a nova condição.

Letícia lembra que procurava desde criança encontrar uma forma de se ajustar a uma condição que era desconhecida. Na escola, aos 9 anos, os amigos se afastaram. Para se proteger, buscou refúgio nas artes. As aulas diárias de balé, as idas a concertos e cinemas, os livros, o teatro que iniciou aos 14 anos, acabaram por ajudá-la a lidar com as dificuldades de relacionamento.

Ela revelou que já foi rotulada até mesmo como “maluca”. “Sempre fui reconhecida como pisciana, artista, sonhadora, romântica, idealista. Ou até em algumas situações mais abusivas como maluca, louquinha”, disse a atriz.

Letícia sempre se sentia incomodada com o barulho. “Tem horas que eu chego a passar mal, parece uma agressão”, diz. Para a atriz, a sensação de receber o diagnóstico foi “libertadora” e a ajudou a compreender sua hipersensibilidade sensorial.

A sensação mesmo foi libertadora. O diagnóstico traz alívio pra quem passa a vida se achando diferente e incompreendida. Ainda estou nesse flerte de buscar a melhor compreensão, sem desespero algum em relação a isso”.

Ouça trechos inéditos da entrevista de Letícia Sabatella

Outras famosas também diagnosticadas com autismo

Não é impressão nossa: o número de pessoas identificadas como autistas já na fase adulta tem crescido mais a cada dia. Assim como Sabatella, a cantora australiana Sia descobriu o autismo aos 47 anos.

Já a atriz e cantora brasileira Leilah Moreno, de 38 anos, foi diagnosticada dentro do espectro após os 25.

Aos 36, no ano passado, a jornalista, fotógrafa e ex-BBB Angélica Martins, a Morango, recebia o mesmo diagnóstico.

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Por que mulheres são diagnosticadas já adultas?

Mulheres autistas se comportam de ‘maneira socialmente aceitável’, diz estudo

Embora o TEA seja mais comumente associado a homens, é cada vez mais reconhecido que as mulheres também podem ser afetadas por essa condição. Nos últimos anos, tem havido um aumento do interesse e da pesquisa sobre o TEA em mulheres, com o objetivo de entender melhor as diferenças de apresentação clínica, desafios específicos e necessidades de suporte.

Essa compreensão mais aprofundada é crucial para fornecer intervenções adequadas e personalizadas às mulheres no espectro autista. Diversos estudos têm destacado que as mulheres com TEA podem apresentar características e padrões de comportamento diferentes dos homens.

Por exemplo, elas podem ter habilidades sociais aparentemente mais desenvolvidas, o que pode levar a um diagnóstico tardio ou a uma subestimação das suas dificuldades. Além disso, a presença de interesses e atividades repetitivas pode ser mais sutil ou diferir daquelas observadas em homens.

Elas têm maior risco de desenvolver problemas de saúde mental

Estudo recente sobre o autismo em mulheres adultas indica que existem 37 recomendações a serem levadas em conta para o diagnóstico tardio. O Diagnóstico positivo e diferencial de autismo em mulheres verbais de inteligência típica: Um estudo Delphi” (tradução livre) reúne orientações de 20 especialistas de sete países.

A primeira recomendação da pesquisa diz que “as mulheres autistas aprenderem certas contingências sociais que lhes permite parecer mais típicas”, ou seja, elas se comportam de maneira “socialmente aceitável” em determinadas situações.

Mulheres com TEA podem ter um maior risco de desenvolver problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e distúrbios alimentares. É fundamental garantir que elas tenham acesso a serviços de saúde mental e apoio adequados, levando em consideração suas necessidades específicas”, afirma a professora Amélia Dalanora da EID – Escola Internacional de Desenvolvimento.

Subdiagnóstico e falta de apoio adequado

No entanto, ainda há desafios significativos na identificação e no suporte a mulheres com TEA. Muitas vezes, o estereótipo de que o TEA é predominantemente um transtorno masculino pode levar a subdiagnóstico e falta de apoio adequado para mulheres. É essencial conscientizar profissionais de saúde, educadores e o público em geral sobre essa diversidade no espectro autista.

À medida que a pesquisa e o conhecimento sobre o TEA em mulheres continuam a avançar, é esperado que haja uma melhoria no diagnóstico precoce, suporte e inclusão das mulheres no espectro autista.

É necessário um esforço conjunto da sociedade para garantir que todas as pessoas, independentemente do gênero, recebam a atenção e o suporte necessários para viver uma vida plena e satisfatória”, aponta Mirian.

Com informações do G1 e Assessorias

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