campanha_carnaval_2017 Nada de só confete e serpentina. No Carnaval, é bom lembrar de se proteger na hora da relação sexual e não esquecer a camisinha.  Esta é uma das épocas mais críticas de exposição às DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), tanto que o governo intensifica nesta época suas campanhas de prevenção.  Incentivar o uso de preservativos, principalmente entre os jovens, é o foco da campanha de prevenção para o Carnaval deste ano, lançada pelo Ministério da Saúde. Com o slogan “No Carnaval, use camisinha e viva essa grande festa!”, os jovens são o foco da campanha, já que essa é a faixa etária que menos usa camisinha. Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas indica queda no uso regular do preservativo entre os que têm de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6%, em 2013 – como com parceiros fixos – queda de 38,8% em 2004 para 34,2% em 2013. Com relação aos ainda mais novos, os dados preocupam ainda mais. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), realizada nas escolas de todo o país com adolescentes de 13 a 17 anos, reforça esse cenário: 35,6% dos alunos não usaram preservativos em sua primeira relação sexual. O percentual das meninas que tiveram relação sem camisinha é de 31,3%, e dos meninos, é ainda maior: 43,02%. O mesmo estudo aponta que, quanto mais jovem, menor é o uso da camisinha. Enquanto 31,8% dos jovens de 16 e 17 anos não usaram preservativos em sua primeira relação sexual, esse índice sobe para mais de 40% entre os jovens de 13 a 15 anos. As peças publicitárias trazem o panorama de 260 mil pessoas vivendo com HIV e que ainda não estão em tratamento, e também de 112 mil brasileiros que têm o vírus e não sabem disso. Além de prevenir contra as infecções sexualmente transmissíveis, como a aids, o uso contínuo da camisinha também evita a gravidez indesejada. Além de TV, rádio e outdoor, que serão veiculados entre os dias 21 e 28 de fevereiro, o Ministério aposta na presença do Homem Camisinha para sensibilizar os jovens. O personagem, criado pela Pasta, vai interagir com o público, informar e distribuir preservativos nos blocos de rua em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Brasília, Olinda, Ouro Preto, Diamantina e Florianópolis. Todos os estados e o Distrito Federal estão abastecidos com preservativos para as ações do Carnaval. Até o começo da festa, estarão disponíveis nos pontos de distribuição, 74 milhões de preservativos masculinos e 3,1 milhões de preservativos femininos. No Rio de Janeiro, a prefeitura irá distribuir neste Carnaval 2,5 milhões de camisinhas. A ação faz parte da campanha Rio + respeito. Diagnóstico ainda difícil Os últimos levantamentos do Ministério da Saúde mostram que os brasileiros assumem comportamento de risco para contaminação com DSTs . Segundo o Ministério da Saúde, em pesquisa recente, 827 mil pessoas convivem com a Aids no Brasil, e entre esse grupo, 112 mil não sabem que estão infectadas.  Esse número mostra que o brasileiro tem negligenciado o diagnóstico da doença, apesar de existirem testes rápidos e gratuitos disponíveis para população. Para o patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico, essa é apenas a ponta do iceberg. Por conta da falta de proteção, além da AIDS, algumas doenças “quase extintas” estão voltando a fazer parte da vida da população. Esse é o caso da sífilis, além de outras como clamídia, uretrite não gonocócica,  cervicite e tricomoníase, que sequer são familiares à população mais jovem. Ele alerta para o risco de diagnóstico tardio da doença. No Brasil, existe um exame que detecta de uma só vez  diversas doenças, como Sífilis, Herpes (tipo 1 e 2), Clamídia, triconomas, micoplasma (genitalium e hominis), ureplasma, cancro mole ou cancroide, e Cândida (7 tipos). Ele fica pronto em uma semana. “A grande vantagem é que com apenas um teste conseguimos identificar uma gama enorme de doenças. Assim, o tempo necessário para a identificação dos microrganismos diminui, e isso contribui para o tratamento mais rápido dos pacientes infectados e interrupção da progressão da doença”, acrescenta o patologista. Magarinos explica que, apesar de existirem mais de 30 diferentes micro-organismos associados às DSTs, apenas oito são claramente relacionados à maior parte das doenças.  “Seguindo as recomendações no Ministério da Saúde, após um resultado positivo nós já fazemos a contraprova, através do exame de carga viral, que é tido como a confirmação definitiva. “Isso evita uma maior angústia do paciente e torna o resultado final mais rápido”, destaca. Na contramão do avanço da ciência, muitos jovens após se expor à contaminação em relações desprotegidas, sequer se preocupam em fazer testes que identificam essas doenças. “Hoje com apenas um exame é possível rastrear uma série de doenças ligadas a complicações durante a gravidez, infertilidade e câncer, como a uretrite não gonocócica, a cervicite por clamídias e a tricomoníase”, destaca. Números sobre jovens infectados O hábito de não usar camisinha tem impactado diretamente o aumento de casos de HIV e aids entre os jovens. No Brasil, a epidemia avança na faixa etária de 20 a 24 anos, na qual a taxa de detecção subiu de 15,6 casos por 100 mil habitantes, em 2006, para 21,8 casos em 2015. Entre os mais jovens, de 15 a 19 anos, o índice mais que dobrou, passando de 2,8 em 2006 para 5,8 em 2015. Outra característica preocupante é que, dentre todas as faixas etárias, a adesão ao tratamento nesse grupo é a mais baixa. Apenas 29,2% dos 44 mil jovens identificados no Sistema Único de Saúde (SUS) com a doença estão em tratamento. Os dados mostram que a cobertura cresce à medida que aumenta a idade das pessoas vivendo com HIV e aids. Na faixa de 25 a 34 anos, esse percentual é de 77,5%, mantendo-se superior a 80% em todas as outras faixas etárias até chegar a 84,3% entre os indivíduos acima de 50 anos. De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids divulgado no final do ano passado, 827 mil pessoas vivem com o HIV. A epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,1 casos a cada 100 mil habitantes. Isso representa 40,9 mil casos novos, em média, no período de 2010 a 2015. Veja a apresentação que traz os dados sobre a campanha de prevenção para o Carnaval deste ano Confira o vídeo da campanha Assista a matéria da TV Saúde e saiba o que os jovens pensam sobre o uso da camisinha  Confira a Radionovela que traz adolescentes com alerta sobre a importância do uso da camisinha no carnaval

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