O jogador de futebol Everton Ribeiro, de 36 anos, anunciou que foi diagnosticado com câncer na tireoide, um tumor maligno que se desenvolve na glândula localizada na parte anterior do pescoço, abaixo do “gogó”. O meio-campista do Esporte Clube Bahia, compartilhou nas redes sociais qu soube do diagnóstico há aproximadamente um mês e e passou por uma cirurgia nesta segunda-feira (6) para tratar do câncer. 

Hoje fiz a cirurgia e tudo correu bem, graças a Deus. Sigo em recuperação, com fé e com o apoio da minha família e de vocês. Obrigado por cada oração e carinho. Ter vocês ao meu lado faz toda a diferença”, escreveu o atleta, que já jogou pelo Flamengo e tem passagens pela Seleção Brasileira.  A publicação não informou sobre o estágio da doença e se será necessário tratamentos complementares.

A tireoide é responsável pela produção dos hormônios que regulam o metabolismo, controlam o gasto energético do corpo e influenciam funções essenciais, como frequência cardíaca, temperatura corporal e crescimento. Assim como, qualquer câncer, quando há uma alteração nas células, elas podem se multiplicar de forma desordenada, formando um nódulo ou tumor.

Doenças que atingem a tireoide são mais comuns do que muita gente pensa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 750 milhões de pessoas sofrem de problemas com a glândula, o que inclui condições como hipotireoidismo, hipertireoidismo, tireoidite de Hashimoto, nódulos, cistos e câncer. No caso específico do câncer da tireoide, os dados também são preocupantes.

Esse é o tipo de câncer que mais cresce em incidência no mundo, com maior predominância entre as mulheres e em regiões com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). No Brasil,  a doença representou aproximadamente 2,6% de todos os casos de câncer diagnosticados em 2023, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).  

Só 1 entre 5 casos de câncer de tireoide ocorre em homens

A doença é quase cinco vezes menos frequente entre os homens, sendo mais incidente em mulheres na faixa etária entre 20 e 65 anos, representando o quinto tipo mais comum neste grupo. Para o ano de 2025 a previsão é de 16.660 novos casos da doença, sendo 2.500 em homens e 14.160 em mulheres.

Apesar de ser quase cinco vezes menos incidente na população masculina, é preciso olhar com atenção para a saúde da tireoide. Para a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), o anúncio do diagnóstico de câncer de tireoide no jogador Everton Ribeiro alerta para importância da atenção aos sinais e sintomas, bem como para o diagnóstico.

O cirurgião oncológico Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da SBCO, explica que embora a proporção de casos em homens seja menor, ela não deve ser ignorada, nem mesmo na população jovem e que pratica atividade físicas de alto impacto, como jogadores de futebol.

Ainda que pequena, a incidência existe. O câncer de tireoide pode acometer os homens e, por falta de informação, o diagnóstico precoce é um desafio maior nesse grupo, o que pode impactar diretamente o tratamento e o prognóstico,” alerta o especialista.

Bom prognóstico de cura

Ainda não existe um consenso médico sobre o que causa o câncer de tireoide, mas, assim como vários outros cânceres, é uma doença multifatorial, ou seja, resulta da combinação de diferentes fatores hormonais, ambientais e hereditários. Entre as possíveis causas estão o histórico familiar de doenças da tireoide, a exposição à radiação, especialmente na infância e alterações genéticas específicas.

Entretanto, sabe-se que existem fatores de risco que podem aumentar as chances da doença se desenvolver, como deficiências nutricionais, excesso de iodo no corpo ou alimentação pobre em iodo, exposição à radioterapia na cabeça e pescoço durante a infância e histórico familiar de câncer de tireoide

Outros fatores podem ocasionar essas disfunções, de ordem genética, como estresse crônico, distúrbios autoimunes, uso de alguns medicamentos, alterações hormonais. Fatores de risco os hábitos irregulares e estilo de vida inadequado, como privação do sono, sedentarismo, alimentação desbalanceada e o tabagismo – também podem influenciar, o que não é o caso do jogador do Bahia.

A boa notícia é que, quando diagnosticado de forma precoce, o índice de cura é bastante elevado.

O câncer de tireoide é um dos cânceres que têm um dos melhores prognósticos. As chances de tratamento e de cura são altíssimas. Quase sempre quando o paciente é submetido à cirurgia, ele se cura”, afirma o médico Jorge Leão, especialista em diagnóstico por imagem e presidente da Comissão Nacional de Ultrassonografia da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

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Câncer de tireoide é silencioso e a ultrassonografia é essencial no diagnóstico

Jorge Leão, da Febrasgo. ressalta a importância da ultrassonografia como uma ferramenta essencial para o diagnóstico precoce do câncer de tireoide, além de auxiliar na triagem e no monitoramento de linfonodos atípicos, que podem ser suspeitos de implantes secundários.

Segundo o médico, por meio da classificação ultrassonográfica de risco TI-RADS, desenvolvida pelo Colégio Americano de Radiologia (ACR), conseguimos identificar nódulos com maior suspeita de malignidade, indicando a necessidade de uma Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF).

Esses nódulos podem ser encaminhados para avaliação citológica, que confirma a suspeita de câncer utilizando a classificação Bethesda, e, com isso, os pacientes podem ser submetidos a uma cirurgia precoce com altas chances de cura”, explica Leão.

O médico também destaca o papel crucial do ultrassom na monitorização dos pacientes em tratamento. O exame permite avaliar os linfonodos cervicais em até sete níveis, ajudando a identificar possíveis metástases, o que pode levar à realização de novas punções para confirmar ou descartar a disseminação do câncer. Uma das ferramentas muito importantes para o diagnóstico de câncer de tireoide é o ultrassom, porque é um câncer silencioso”, destacou.

De acordo com o especialista, o exame de ultrassonografia é não invasivo, amplamente acessível e permite a detecção de nódulos e alterações que podem indicar malignidade, viabilizando a investigação precoce e aumentando as chances de tratamento bem-sucedido.

Muitas vezes, o homem pode ter um câncer de próstata, por exemplo, que você está com ele há dez anos e se ele não fizer o ultrassom, não vai descobrir. Outras vezes, o homem pode ter um achado de necropsia, ou seja, passou a vida inteira com aquele câncer, não cresceu e não teve repercussão. Antes, ninguém tinha ultrassom de tireoide. Hoje, o ultrassom de tireoide virou rotina. Tanto o ginecologista, quanto o urologista já incluem o ultrassom de tireoide nos exames de rotina”, explicou Leão.

O especialista destaca dois pontos importantes: um deles é a função da tireoide, que pode estar alterada em casos de hipotireoidismo, quando a glândula está funcionando menos do que deveria, ou hipertireoidismo, quando está funcionando em excesso.

Esses distúrbios geralmente causam sintomas específicos, como cansaço, ganho ou perda de peso, alterações no humor, entre outros. A outra questão é a presença de nódulos na tireoide. Você pode ter nódulos mesmo com a função da glândula completamente normal. E, na maioria dos casos, esses nódulos não causam nenhum sintoma. Eles são descobertos com o ultrassom”, concluiu o médico.

Problemas com a glândula para além do câncer

Maria Amélia Montenegro, médica endocrinologista da clínica Atma Soma, diz que, normalmente, a doença aparece mais cedo do que outros tipos de câncer em adultos. Na verdade, dois em cada três casos acontecem com pessoas entre 20 e 55 anos. O sintoma mais comum de câncer de tireoide é a presença de nódulo ou caroço no pescoço, geralmente indolor, rouquidão persistente, dificuldade para engolir e sensação de pressão na garganta.

Esses sintomas muitas vezes passam despercebidos ou podem ser confundidos com outras situações benignas. Quando o paciente notar a persistência desses sintomas por mais de 15 dias, a avaliação médica se torna indispensável”, conta. Além disso, para auxiliar no diagnóstico é possível haver a indicação de exames de imagem, como o ultrassom. Quando identificado em estágios iniciais, as chances de cura ultrapassam 90%.

Segundo a especialista, muitas vezes, os principais sinais de disfunção na glândula acabam sendo confundidos com outras doenças. Alterações de peso, fadiga, enfraquecimento de cabelos e unhas, variações de humor e mudanças no ciclo menstrual são indicativos de que algo não vai bem com a tireóide.

Já sintomas como a presença de nódulos, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, aumento de volume no pescoço, fadiga excessiva ou mudanças bruscas de peso exigem atenção redobrada pois podem ser indícios de câncer na glândula.

Tratamento 

Segundo Maria Amélia, o tratamento do câncer varia de acordo com o tipo de tumor e fase da doença. Em alguns casos, uma intervenção cirúrgica é necessária, com a retirada do órgão e depois a realização de iodoterapia. “Em outros, é possível fazer uma ablação por radiofrequência, um método que preserva a função hormonal da glândula, não deixa cicatrizes e evita uma cirurgia mais complexa”, destaca.

Segundo a SBCO, o tratamento do câncer de tireoide é essencialmente a cirurgia com retirada total ou parcial da glândula tireoide. Se houver comprometimento dos gânglios do pescoço (linfonodos), eles também devem ser removidos. Outros tratamentos complementares podem ser indicados a depender do tipo e estágio do tumor, assim como das condições clínicas de cada paciente.

De acordo com a agressividade do tumor e o risco de retorno ou progressão da doença, pode ser necessário realizar terapia complementar com iodo radioativo. Em alguns casos, outras formas de tratamento, como a radioterapia externa, quimioterapia e terapias-alvo, podem ser associadas. “No entanto, geralmente essas abordagens são reservadas para casos mais complexos”, finaliza Rodrigo Nascimento.

Com Assessorias

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