Câncer no nariz: entenda os riscos de tumores na cavidade nasal

Alerta para câncer na cavidade nasal, ainda pouco conhecido. Entenda os sintomas, formas de diagnóstico e tratamento dessa doença

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Pouca gente sabe, mas a parte interna do nariz também pode ser alvo de tumores, que podem se desenvolver devido ao crescimento anormal de tecidos próprios dessa cavidade ou da área entre o nariz e a garganta, chamada rinofaringe. A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) chama a atenção para um diagnóstico oncológico pouco conhecido, mas nem por isso menos importante: o câncer na cavidade nasal.

“O diagnóstico de tumorações intranasais não é recorrente, mas não é raro. Esses tumores se dividem em duas categorias: malignos, que indicam câncer, e benignos (não cancerígeno), como os pólipos, que são crescimentos semelhantes a tumores na mucosa nasal, podendo ter origem inflamatória, infecciosa ou alérgica”, destaca o médico André Alencar, médico especialista da ABORL-CCF.

De acordo com o especialista da ABORL-CCF, tumores podem surgir em um ou até mesmo em ambos os lados do nariz. Alguns sinais destacam a importância da análise minuciosa de um especialista em otorrinolaringologia. “É crucial que qualquer pessoa com obstrução ou dificuldade respiratória crônica pelo nariz consulte um otorrinolaringologista, que realizará exames específicos”, ressalta.

Sintomas, diagnóstico e tratamento

Os sintomas que podem sinalizar a presença de tumores não são exclusivos dessa condição, podendo ser indicativos de outros problemas, como alterações estruturais internas do nariz ou infecções crônicas. Essa situação pode provocar um conjunto de sintomas como entupimento nasal de um dos lados, sangramento, odor desagradável, secreção persistente, perda do olfato e dor facial.

Esses sinais enfatizam a necessidade de uma avaliação precisa por parte do especialista para que seja realizado o correto diagnóstico. Além disso, a detecção de um tumor nasal é feito usando endoscopia nasal, uma técnica que utiliza uma fibra ótica conectada a uma câmera para examinar a estrutura interna. Uma biópsia determina o tipo de tumor – se maligno ou benigno -, e em alguns casos, são utilizadas ressonância magnética ou tomografia computadorizada para avaliar sua extensão.

A cirurgia é o método mais comum, tendo como objetivo remover o tumor preservando as funções de fala, respiração, mastigação e deglutição do paciente. Segundo André, a escolha da cirurgia depende do tipo e da extensão do tumor.

“Existem técnicas simples e outras mais complexas, que podem exigir um tempo maior de recuperação e, em alguns casos, tratamentos adicionais. Portanto, é o médico otorrinolaringologista que determinará o plano de tratamento caso a caso”, finaliza.

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Câncer da cavidade oral é mais comum nos homens

O câncer de nariz faz parte de um conjunto de tumores malignos conhecidos como câncer de cabeça e pescoço, que podem acometer a cavidade oral (boca, lábios, língua, gengiva, assoalho da boca e palato); seios da face (maxilares, frontais, etmoidais e esfenoidais); faringe, nasofaringe (atrás da cavidade nasal), orofaringe (onde estão a amígdala e a base da língua), hipofaringe (porção final da faringe, junto ao início do esôfago), laringe (supraglote, glote e subglote), glândulas salivares e glândula tireoide.

As estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para cada ano do próximo triênio (2023-2025) apontam para 41 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço. No Brasil, os tipos mais comuns são os de cavidade oral, nos homens, e de laringe e de tireoide, nas mulheres.

Na Região Sudeste, o Estado do Rio de Janeiro lidera as estimativas do Inca de câncer da tiroide, com 6,24 casos para cada 100 mil habitantes; o Espirito Santo, de cavidade oral, com 7,05 casos para cada 100 mil habitantes; e São Paulo, de câncer de laringe, com 3,32 casos para cada 100 mil habitantes. A seguir, as estimativas do Inca para todos os estados da Região Sudeste:

CÂNCER DE TIREOIDE – INCA – 2023

EstadoHomem *Mulher*Geral*
Espirito Santo0,642,581,78
Minas Gerais1,974,265,25
Rio de Janeiro1,847,686,24
São Paulo2,219,225,85

*casos para cada 100 mil habitantes/taxas ajustadas

CÂNCER DA CAVIDADE ORAL – INCA – 2023

EstadoHomem *Mulher*Geral*
Espirito Santo12,472,077,05
Minas Gerais9,893,056,30
Rio de Janeiro9.192,785,58
São Paulo10,852,726,41

*casos para cada 100 mil habitantes/taxas ajustadas

CÂNCER DE LARINGE– INCA – 2023

EstadoHomem *Mulher*Geral*
Espirito Santo4,280,392,20
Minas Gerais5,520,883,06
Rio de Janeiro5,100,712,52
São Paulo6,620,753,32

*casos para cada 100 mil habitantes/taxas ajustada

40% dos casos poderiam ser evitados

Os principais fatores de risco são conhecidos e potencialmente evitáveis – tabagismo, bebidas alcoólicas e infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV). Apesar disso, de acordo com o Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço, a doença segue comum, com o agravante dos casos serem descobertos em fase avançada, exigindo tratamentos mais complexos e o envolvimento de diferentes especialidades médicas.

Ao evitar os fatores de risco, especialistas alertam que cerca de 40% dos casos poderiam ser evitados. Não fumar, não consumir em excesso bebidas alcoólicas e estar vacinado contra HPV. As vacinas contra HPV protegem contra os dois subtipos do vírus mais associados com câncer. Os HPVs oncogênicos – 16 e 18 – são também prevalentes em tumores de cabeça e pescoço, principalmente de orofaringe.

Desde janeiro de 2017, o Ministério da Saúde oferece a proteção de meninos contra o vírus HPV. Essa medida se soma à imunização que já ocorria desde 2014 nas meninas.

A importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço aumenta as chances de sucesso do tratamento e contribui para diminuir sequelas, proporcionando mais qualidade de vida para o paciente.

Dados sobre câncer de cavidade oral e laringe do levantamento SEER, do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos (NCI), apontam que 86,6% dos pacientes estão vivos cinco anos após o tratamento quando o tumor era inicial, localizado apenas no órgão.

Quando a doença se espalha pelos linfonodos a taxa de sobrevida em cinco anos cai para 69,1%. Com doença à distância (metástase) a taxa é de 39,3%.

Principais sinais e sintomas

Portanto, é importante estar atento a alguns sinais e sintomas, como:

  • Ferida na boca que não cicatriza (sintoma mais comum)
  • Dor na boca que não passa (também muito comum, mas em fases mais tardias)
  • Nódulo persistente ou espessamento na bochecha
  • Área avermelhada ou esbranquiçada nas gengivas, língua, amígdala ou revestimento da boca
  • Irritação na garganta ou sensação de que alguma coisa está presa ou entalada na garganta
  • Dificuldade para mastigar ou engolir
  • Dificuldade para mover a mandíbula ou a língua
  • Dormência da língua ou outra área da boca
  • Inchaço da mandíbula que faz com que a dentadura ou prótese perca o encaixe ou incomode
  • Dentes que ficam frouxos ou moles na gengiva ou dor em torno dos dentes ou mandíbula
  • Mudanças na voz
  • Nódulos ou gânglios aumentados no pescoço
  • Perda de peso
  • Mau hálito persistente

São sinais e sintomas que não necessariamente podem estar relacionados a um câncer, mas é importante consultar o médico ou o dentista, principalmente, se esses incômodos persistirem por mais de duas semanas. A confirmação do diagnóstico depende de biopsia.

Com Assessorias

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