Como saber se o bebê tem algum problema que afeta a visão?

 Dia da Saúde Ocular e traz à pauta a importância de cuidar da visão desde a infância. Entenda as principais doenças que podem ser tratadas

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De fotografias com flash que podem mostrar alterações no reflexo dos olhos das crianças ou desvios no olhar, a dificuldade de abrir os olhos na claridade ou de acompanhar objetos próximos podem levar a suspeitas de algumas anomalias oculares, e os pais devem procurar especialistas o quanto antes.

Dos primeiros meses a anos de vida, sinais detectados por médicos desde o berçário e até mesmo pelos responsáveis são decisivos para o desenvolvimento da criança.

Um dos primeiros procedimentos é o teste do olhinho, quando o pediatra observa o reflexo vermelho proveniente do fundo de olho ao se incidir feixe de luz proveniente de um aparelho oftalmológico, feito nas primeiras 72 horas de vida e repetido em consultas de rotina por pelo menos um ano. A alteração desse reflexo pode indicar doenças que obstruem o eixo visual.

Doenças como catarata e glaucoma congênitos, opacidades corneanas, retinopatia da prematuridade e tumores oculares entre muitas outras, podem ser diagnosticadas em bebês. No Dia Mundial da Saúde Ocular (10 de julho), especialistas reforçam a importância de pais estarem aos olhinhos dos filhos e buscarem médicos pediatras ou oftalmologistas, caso haja qualquer alteração – mesmo que sejam apenas suspeitas.

“O recém-nascido enxerga muito mal e ‘aprende’ a enxergar regressivamente até os 8 anos, aproximadamente. Qualquer privação da visão poderá levar à ambliopia, o não-desenvolvimento da visão cerebral. Quanto mais cedo for detectada e tratada a anormalidade, maior será a chance de desenvolvimento visão”, afirma o oftalmologista Alexandre Thomaz, que compõe o corpo clínico do Hospital e Maternidade Sepaco.

Entre as anomalias mais frequentes na população infantil, estão as opacidades de córnea, lesões por sarampo e conjuntivite do recém-nascido. Em seguida, são mais prevalentes a catarata congênita e retinopatia da prematuridade, além de erros de refração.

“Tumores oculares, como o retinoblastoma, felizmente são menos frequentes, mas têm potencial devastador para o desenvolvimento da visão e apresentam riscos para a saúde do recém-nascido”, completa o médico.

Retinoblastoma: como identificar tumor maligno ocular na infância

A Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) reforça que muitas doenças possuem seu primeiro sinal nos olhos, incluindo o retinoblastoma, tumor maligno ocular mais frequente durante a infância.

O retinoblastoma é originário das células da retina, localizada na parte posterior do olho, e pode comprometer um ou ambos os olhos, afetando principalmente crianças menores de 5 anos de idade. Segundo dados da literatura médica, trata-se do câncer ocular mais comum no público infantil, correspondendo de 2 a 3% dos cânceres infantis.

Segundo Neviçolino Carvalho, presidente da Sobope, o paciente apresenta poucos sinais ou sintomas nos estágios iniciais da doença: “É um grande desafio para os profissionais de saúde da atenção básica fazer a suspeita do diagnóstico. Portanto, quanto mais informação sobre a doença, mais eles podem ficar alerta e valorizar queixas trazidas pelos pais nas consultas de rotina ou em serviços de urgência”.

O principal sinal de retinoblastoma é o reflexo do olho de gato, que é o aspecto esbranquiçado que se vê através da pupila, chamado leucocoria. Em fotos com flash pode-se notar a leucocoria em um ou ambos os olhos. O segundo sinal é o estrabismo, quando a criança tem um desvio no olhar. “Na maioria dos casos, quando os sinais são notados, o tumor já tem um tamanho considerável”, alerta Dr. Neviçolino.

Caso a criança apresente estes indicativos, é fundamental direcioná-la para centros especializados, nos quais ela poderá ser avaliada por oftalmologistas e oncologistas pediátricos. As chances de cura são superiores a 90% quando o diagnóstico ocorre precocemente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), este índice cai para 30% quando a doença é descoberta tardiamente e a lesão já está avançada.

“O diagnóstico precoce é um desafio no mundo inteiro, não só no Brasil. O exame ‘Teste do Reflexo Vermelho’, que é feito na maternidade e depois nas consultas com o pediatra até os 5 anos, representa um diferencial na avaliação de rotina e não deve ser negligenciado. Há também recomendações de que essas crianças passem por consultas com oftalmologistas de forma regular”, afirma o presidente da Sobope.

Tratamento dinâmico

Neviçolino Carvalho pontua que, primordialmente, garantir a vida é o mais importante no tratamento do retinoblastoma, ainda que em alguns casos a enucleação (remoção cirúrgica) seja a melhor conduta, diminuindo assim o risco de disseminação da doença para sítios extraoculares, como ossos, medula óssea, fígado e sistema nervoso central. Além da cura, preservar a visão e o globo ocular da criança são objetivos nobres.

“Para isso, o mais recomendado, atualmente, é a quimioterapia intra-arterial associada a outras modalidades de procedimento local (laser, crioterapia e outros), orientada pelo trabalho conjunto do oncologista pediátrico e oftalmologista. O tratamento do retinoblastoma é complexo e dinâmico, deve ser realizado em centros especializados devidamente equipados e com profissionais com expertise no manejo terapêutico e de suas complicações”, conclui o presidente da Sobope.

Como testar a visão do seu filho

Antes que as crianças possam se expressar pela fala, uma das alterações do desenvolvimento normal da visão mais perceptível é o estrabismo. Mas há testes simples que podem ser feitos para revelar outros desvios significativos no olhar, conforme destaca o especialista Alexandre Thomaz.

“As fotografias com flash podem revelar tanto o desvio ocular como o reflexo vermelho alterado. Além disso, dificuldade em abrir os olhos na claridade e não conseguir acompanhar objetos próximos que não produzam som indicam alterações no desenvolvimento visual. Como o ambiente hospitalar pode ser assustador para crianças um pouco maiores, os responsáveis podem incluir observações entre as brincadeiras rotineiras, como ocluir os olhos alternadamente e observar as reações da criança”, acrescenta.

Com Assessorias

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