O comerciante Jorge Luiz Pereira passou anos trocando de óculos diretamente em óticas, sem passar por um especialista. Ao chegar ao Instituto Estadual de Olhos  (IEO), na Zona Oeste do Rio de Janeiro, já tinha perdido a visão do olho direito.  “Quando fui a um especialista, ele me informou que eu não estava enxergando com uma das vistas”, lamentou.

Pereira encontrou na unidade pública de saúde a esperança de manter a saúde do olho esquerdo. Ele foi inserido no Sistema Estadual de Regulação (Sisreg) e direcionado ao IEO, onde teve acesso a equipamentos modernos e esclareceu todas as suas dúvidas sobre a doença. “Os médicos aqui foram extremamente atenciosos, o que me deu mais confiança no tratamento”, completou.

A maioria dos pacientes que chegam para tratar glaucoma no tem uma história em comum: danos irreversíveis à visão que poderiam ter sido evitados com um acompanhamento precoce. Caracterizada pela lesão progressiva no nervo óptico, a doença, que avança silenciosamente, é a principal causa de cegueira no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).

A boa notícia é que, se diagnosticada precocemente, o paciente pode evitar a perda da visão decorrente do glaucoma. No Brasil, o tratamento é acessível e disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo consultas, exames e medicamentos. O SUS fornece todos os colírios necessários, além de procedimentos a laser e cirurgias quando indicadas.
Atualmente, existem mais de 440 estabelecimentos de saúde habilitados para assistência ao glaucoma no país. Em 2021, foram realizados mais de 2,3 milhões de atendimentos ambulatoriais relacionados à doença.
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A importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Campanha destaca a relevância do rastreamento clínico e da adesão ao tratamento em pacientes com fatores de risco
A Semana Mundial do Glaucoma (8 a 14/03) tem como principal objetivo alertar a população para a realização de exames oculares regulares, pois quando identificada nas fases iniciais, a doença pode ser controlada, reduzindo o risco de perda visual.
Celebrado neste dia 12 de março, o Dia Mundial do Glaucoma vai além do calendário para se tornar um alerta de saúde pública. O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que, até 2040, o número de pessoas com glaucoma ultrapasse 111 milhões.
No Brasil, estima-se que cerca de 900 mil pessoas convivam com o glaucoma. A prevalência da doença é de aproximadamente 3,4% entre a população acima de 40 anos, aumentando para até 10% entre os maiores de 80 anos.
Por ser uma doença silenciosa, costuma ser diagnosticado apenas em estágios avançados, quando os danos à visão já são significativos e muitas vezes irreparáveis. Assim, o objetivo da campanha é conscientizar a população sobre os riscos da doença e reforçar a importância do acompanhamento oftalmológico regular.

Tratamento e controle do glaucoma

No Rio de Janeiro, o Instituto Estadual de Olhos (IEO) oferece. Especialistas fazem um alerta para que a população não recorra a soluções para problemas de visão sem o acompanhamento de um oftalmologista

O glaucoma é uma doença silenciosa. Os sintomas costumam surgir apenas em estágios mais avançados, quando o dano já é irreversível. Na maioria das vezes, o paciente não sente dor nem percebe a perda visual no início. Por isso, as consultas regulares ao oftalmologista são importantes”, explica a diretora médica do IEO, Marina Ferreira.

O tratamento do glaucoma tem como objetivo controlar a pressão intraocular e impedir a progressão da doença. O uso de colírios é o tratamento inicial mais comum, mas em casos mais avançados, quando o colírio não é suficiente, tratamentos a laser e até cirurgias podem ser indicados.

A cirurgia de catarata também pode ser uma opção eficaz para pacientes com glaucoma de ângulo fechado, já que a remoção do cristalino pode abrir o ângulo de drenagem ocular, aliviando a pressão intraocular.

O glaucoma não tem cura, mas com o tratamento adequado é possível controlar a doença e evitar que a cegueira aconteça. O mais importante é começar o tratamento o quanto antes. Se o paciente seguir as orientações médicas, o controle da pressão ocular pode ser mantido, e a perda visual pode ser evitada”, alerta a diretora.

Como funciona o Instituto Estadual de Olhos

Na unidade estadual de referência especializada no diagnóstico e tratamento do glaucoma. o paciente passa por todo o processo de avaliação já na primeira consulta. Após o atendimento inicial, os exames complementares são realizados no mesmo dia, sem necessidade de retorno para agendamento. Dessa forma, o diagnóstico e a indicação do tratamento podem ser definidos ainda na primeira visita à unidade.

O IEO é a unidade realiza cirurgias de glaucoma e catarata, além de oferecer consultas, exames de alta complexidade e cirurgias para pacientes encaminhados pelo Complexo Estadual de Regulação (CER). Em 2025, foram mais de 2 mil cirurgias e 120 mil exames. Com uma equipe qualificada e infraestrutura de ponta, o IEO oferece cuidado integral e personalizado para garantir a saúde ocular da população.

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O papel dos rins para o nosso organismo

O médico nefrologista Geraldo Freitas, que atua no Hospital Universitário de Brasília (HUB), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), os rins são órgãos considerados essenciais para o funcionamento do organismo, mantendo o metabolismo equilibrado, realizando a filtragem do sangue e eliminando toxinas por meio da urina.

Além disso, eles controlam nosso equilíbrio de eletrólitos ou sais do corpo, portanto, eles mantêm sódio, potássio, cálcio, tudo equilibrado pra que a gente mantenha todo o funcionamento dos outros sintomas”, disse. “Eles também produzem alguns hormônios relacionados ao controle de pressão”, completou.

Fatores de risco para a doença renal crônica

O especialista alerta, entretanto, que algumas condições podem afetar o bom funcionamento dos rins ou mesmo paralisar a função renal por completo. Segundo Freitas, há fatores de risco específicos que acabam colaborando para o desenvolvimento desse tipo de quadro. Entre eles estão:

  • diabetes mellitus;
  • hipertensão arterial sistêmica;
  • histórico familiar de doença renal;
  • obesidade;
  • sedentarismo;
  • tabagismo;
  • uso crônico ou inadequado de anti-inflamatórios não esteroidais e outros nefrotóxicos;
  • doenças cardiovasculares;
  • infecções do trato urinário recorrentes ou obstrução urinária;
  • desidratação frequente;
  • consumo inadequado de água.

Alguns medicamentos também podem ser nefrotóxicos e causarem a perda da função renal ao longo do tempo. Os mais relacionados com isso são os anti-inflamatórios não hormonais, que devem ser evitados de maneira geral. No caso de pacientes com doenças em que o uso é obrigatório, isso deve ser monitorado.”

Atenção aos sinais e sintomas do ‘ladrão silencioso da visão’

Ainda de acordo com o médico, muitas vezes, doenças renais acabam surgindo e avançando de forma silenciosa. “É frequente nos consultórios de nefrologia que os pacientes apareçam, já na primeira consulta, com perdas importantes da função renal”. Por esse motivo, identificar os sinais de alerta é considerado fundamental.

É importante fazer os exames para rastreio das funções renais, que são basicamente a creatinina e um exame de urina, incluindo a pesquisa de albuminúria. Com esses exames básicos, já é possível fazer o rastreio de alguma lesão ainda no início. Também é relevante fazer a aferição da pressão e exames de glicemia e hemoglobina glicada para avaliação de uma possível diabetes.”

Dentre os principais sintomas que, de acordo com o nefrologista, indicam a necessidade de procurar ajuda médica estão:

  • inchaço nas pernas, nos tornozelos e no rosto;
  • urina muito escura e/ou espumosa;
  • mudança súbita no padrão urinário, incluindo frequência e urgência;
  • inversão do ritmo urinário, com maior volume urinário no período noturno;
  • dor intensa no flanco ou cólicas renais;
  • fadiga excessiva;
  • perda de apetite acompanhada de náuseas e vômitos persistentes;
  • aumento persistente da pressão arterial;
  • glicemias de difícil controle;
  • alterações neurológicas agudas, com presença de confusão mental ou falta de ar súbita.
Fonte: SES-RJ e Agência Brasil
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