As possibilidades de flexibilização, a ascensão do home office e redirecionamento de prioridades fez com que nos últimos anos as empresas se adequassem e começassem a focar mais no bem-estar dos seus colaboradores. Os benefícios, uma vez vistos como uma categoria “extra”, tornaram-se necessários para manter a taxa de retenção dos funcionários.

Esse cuidado torna-se ainda mais importante quando o assunto é a parentalidade. Apenas os 120 dias de licença maternidade e os cinco dias de licença paternidade não são suficientes para realmente cuidar e garantir o bem-estar do colaborador. As empresas também começaram a entender a importância de oferecer benefícios e apoiar os pais durante essa jornada.

Na indústria de saúde e bem-estar, não faltam exemplos como as farmacêuticas GSK e a Haleon, que anunciaram licença parental de 6 meses para pais e mães este ano. O mesmo benefício já é oferecido na Sanofi, fabricante de Novalgina. Já a MSD Brasil ampliou a licençaparental para três meses desde 2021 para casais heterossexuais, homossexuais e pais adotivos, além de oferecer o auxílio adoção.

Ex-braço da GSK, a multinacional britânica de consumo em saúde Haleon, fabricante das marcas ENO, Centrum, Advil, Sensodyne, Corega, CataflamPRO, começou o ano de 2023 com a implementação da licença parental. A partir deste ano, os mais de 22 mil funcionários da empresa globalmente terão direito a 180 dias de dispensa remunerada, incluindo pais e mães com filhos biológicos, adotivos e/ou reprodução assistida.

Um dos primeiros colaboradores brasileiros a usufruir do benefício na Haleon foi Otávio Ferraz, gerente da Categoria de Bem-Estar, que está tirando a licença parental estendida de 6 meses oferecida pela empresa.

“Essa iniciativa valoriza o papel do pai na criação de uma criança, tirando a responsabilidade maior dos ombros da mãe, que normalmente tem um tempo mais longo de licença. O benefício também traz mais igualdade no ambiente profissional e equipara ainda mais homens e mulheres no mundo corporativo”.

Paternidade presente muda políticas internas de empresas

O aumento e até mesmo a criação de benefícios focados nos pais são destaque na pesquisa inédita da Lockton

A segunda edição do estudo “Práticas de RH Especiais para Atuais e Futuras Mamães e Papais” destaca que houve um aumento de 47%, quando foi realizada pela primeira vez em 2019, para 60% em 2023 em empresas que possuem ações específicas para acompanhamento da gestação. Além disso, o estudo realizado pela Lockton Brasil, uma das maiores corretoras de seguros do mundo, aponta que 56% destas empresas oferecem esse acompanhamento para os dependentes.

Ou seja, tanto para os companheiros de colaboradoras gestantes quanto para gestantes que não trabalham na empresa mas são companheiras dos funcionários. Entre as ações, estão presentes monitoramento de consultas pré-natal, acompanhamento com o médico da empresa, acompanhamento psicológico e nutricional e palestras sobre o tema.

O levantamento explora o comportamento do mercado a partir dos dados coletados de 326 empresas entrevistadas em todo o Brasil. A pesquisa foca em quatro períodos importantes desta jornada: o pré-maternidade ou pré-paternidade, gestacional, a chegada do bebê e o retorno de ambos os pais para o trabalho.

Além disso, outro dado importante nesta fase é que 32% das empresas oferecem plano de saúde para as gestantes e seus companheiros no período gestacional, e 40% permitem que o colaborador se ausente sem desconto no salário para acompanhar a futura mamãe cônjuge nas consultas de pré-natal.

Em relação à chegada do bebê, 42% das empresas aderem ao Programa Empresa Cidadã e ampliam a licença maternidade nos termos do programa. Porém, apenas 32% ampliam a licença paternidade.

Apesar do número ainda baixo, houve um grande crescimento de 2019 para 2023, a evolução na concessão de licença paternidade adicional ao que determina a legislação aumentou em 17%. A flexibilização também é extremamente importante neste período, 81% das empresas oferecem horários flexíveis para os pais após o fim da licença paternidade.

Um grande avanço mostrado nesta pesquisa é que os benefícios destinados aos filhos de todos os colaboradores, independente do gênero do funcionário, também cresceram. Na primeira edição, 88% das empresas ofereciam auxílio creche para os filhos de colaboradoras mulheres e apenas 12% para filhos de colaboradores de todos os gêneros. Atualmente, 44% das empresas oferecem este apoio para os filhos dos colaboradores, independente do gênero.

Além de tendência, uma estratégia para atrair e reter talentos

Para Bruno Cerboncini, consultor sênior de benefícios da Lockton e responsável pela pesquisa, identifica a partir dos dados levantados uma forte tendência nesta questão do incentivo à parentalidade.

“Os cuidados com a criança não devem ser uma responsabilidade apenas da mãe, e isso está no radar das empresas, que estão buscando oferecer cada vez mais benefícios não só para as mamães mas também para os papais”, destaca.

A oferta da licença parental estendida também é uma estratégica para atrair e reter talentos nas grandes empresas. Um levantamento realizado pelo Peterson Institute for International Economics aponta que a licença parental igualitária é capaz de aumentar a participação das mulheres em cargos de liderança.

Pesquisa publicada pela Robert Half em seu Guia Salarial 2023 mostra que 57% dos trabalhadores consideram o pacote de benefícios um diferencial para aceitarem ou não uma proposta de emprego.

Apesar dos avanços, existe um longo caminho pela frente. De acordo com o site de classificados de empregos Catho, somente 7,5% das vagas da plataforma possuem esse benefício.

Pior ainda: nem todos os pais, infelizmente, têm essa preocupação. Segundo relatório Situação da Paternidade no Brasil, elaborado pela Instituto Promundo, 82% dos pais brasileiros entrevistados concordem com a lei brasileira de 5 dias. Mas afirmam que fariam o possível para estar mais envolvidos com os cuidados dos filhos. No entanto, apenas 68% dos respondentes tiraram a licença paternidade e somente 21% afirmaram saber sobre os dias previstos no programa Empresa Cidadã.

Vale lembrar que o tema Paternidade e Cuidado é um dos eixos prioritários da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. O objetivo, segundo o site do Ministério da Saúde, é sensibilizar a todos sobre os benefícios do envolvimento ativo dos homens com em todas as fases da gestação e nas ações de cuidado com seus filhos. Destaca, também, como esta participação pode trazer saúde, bem-estar e fortalecimento de vínculos familiares saudáveis.

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Conheça alguns exemplos

Ex-braço da GSK, Haleon implementa licença parental de 6 meses

A Haleon foi lançada recentemente como uma organização independente focada na saúde do consumidor, completando sua separação da GSK. Segundo a empresa, a licença parental estendida está alinhada com o seu propósito de “entregar a melhor saúde todos os dias com humanidade”, como afirma Yanir Karp, presidente da Haleon Brasil.

“Consideramos essa política uma das mais progressistas da atualidade e ela reflete o compromisso da Haleon em dar oportunidades iguais para todos, promovendo um ambiente inclusivo, pilar fundamental da nossa estratégia de diversidade, equidade e inclusão”, comenta

Para Idevane Bides (foto), gerente de Trade Marketing da Haleon, casado há 13 anos e em processo de adoção com o seu marido, a visão não é diferente.

“Como um casal homoafetivo, nenhum de nós poderia estar em casa para acolher essa criança que resolvemos adotar, se não fosse a licença parental de seis meses oferecida pela Haleon. A empresa está possibilitando que eu esteja completamente focado nessa vida que vamos acolher, para gerarmos laços e criarmos vínculos logo do início”.

 

Empresa também oferece modelo híbrido de trabalho

Com o objetivo de crescer entre 3% e 4% ao ano, a empresa diz que “almeja empoderar os seus colaboradores para garantir um dia a dia mais saudável”. Benefícios como a licença de seis meses e a política do modelo híbrido de trabalho são algumas das ações adotada pela Haleon que permitem aos funcionários mais tempo com a família.

”Queremos construir cada vez mais uma empresa onde as pessoas sintam que têm apoio para enfrentar as demandas profissionais e familiares com inclusão, diversidade e equidade de gênero. Queremos continuar sendo motivo de orgulho para os nossos colaboradores e ser um local onde os talentos do mercado queiram estar”, afirma Yanir.

Segundo o executivo, ”a empresa está oferecendo aos colaboradores ferramentas para que possam ter qualidade de vida, como uma empresa focada em saúde, onde essa é a principal preocupação. Trabalhamos para tornar a saúde diária mais alcançável, inclusiva e sustentável, dentro e fora do ambiente de trabalho”.

GSK estende licença parental de 18 semanas até para estagiários e aprendizes

A biofarmacêutica GSK adotou a licença parental remunerada de 18 semanas para todos os funcionários, estagiários e aprendizes (independente de gênero), que vivenciarem o nascimento ou adoção de uma criança ou adolescente.

Cintia Magno, diretora de RH da GDSK, afirma que o objetivo é proporcionar um ambiente cada vez mais inclusivo, de equidade, e que contribua para a saúde mental dos colaboradores. “Sabemos que cuidar de quem mais amamos é fator determinante para o nosso bem-estar”, afirmou.

O analista de Importação e Exportação da GSK, Mateus Andrade, vai aproveitar o benefício para acompanhar os primeiros dias da sua segunda filha, com previsão de nascimento em agosto. Para Mateus, que já tem outra menina, de 2 anos, a licença é algo único e vai propiciar uma experiência incrível, pois no nascimento da primeira filha as coisas eram bem diferentes.

“Quando a minha primeira filha nasceu, eu estava em outra companhia. Tirei apenas cinco dias. Gostaria de ter estado mais presente nestes primeiros momentos, que são tão importantes para a criação de vínculo com o bebê e também para apoiar minha esposa”, contou Andrade.

Segundo ele, nada se compara ao benefício atual. “Eu comemorei muito quando meu gestor me falou sobre ele, mas ao mesmo tempo fiquei apreensivo por conta da minha ausência. Ele me tranquilizou e disse que precisaria focar na chegada da minha segunda filha e ajudar a minha esposa”, acrescentou.

Possibilidade de remanejar a licença para outra data

Pai de primeira viagem, o gerente de Acesso da biofarmacêutica GSK, Beny Finkelstein, é pai do Elias, com pouco mais de dois meses. O profissional também terá direito a 18 semanas de licença parental remunerada, benefício oferecido globalmente pela companhia.

Ele e a esposa Mira resolveram aproveitar o direito seguindo as necessidades da família. Decidiram que a licença será usufruída quando o filho completar seis meses de vida, período em que sua mulher fará um curso.

“Como ela terá que se dedicar aos estudos, me programei para tirar a minha licença quando o Elias completar seis meses. Sou fã de culinária e vou aproveitar a fase de introdução alimentar dele”, comemora Finkelstein.

Segundo o profissional, além da possibilidade de remanejamento da licença de acordo com a necessidade de cada profissional, o fato de a GSK tornar o programa obrigatório lhe chamou a atenção positivamente. “Desta forma, podemos nos planejar sem culpa. A licença é para a criança”, destaca.

“Quando o filho chega, uma família nasce. E mesmo que o vínculo com a mãe seja muito mais forte, a presença do pai é de suma importância. E ter essa possibilidade oferecida pela empresa em que você trabalha fortalece a relação com o colaborador”, argumenta.

Na MSD, os pais contam com três meses de licença parental desde 2021

Para Elisa Mendoza, diretora de RH da MSD Brasil, no início do benefício, o objetivo era conceder um período de afastamento ao pai para que ele pudesse registrar a criança e compartilhar com a mãe esse momento.

“A percepção em relação ao papel do pai na família e no desenvolvimento da criança foi se modificando e identificamos a diferença que faz esse período na vida dos pais. Ficou comprovada que a sua presença ativa nos primeiros dias de vida do bebê é fundamental para a criança, além de apresentar benefícios também para o ambiente de trabalho, pois permitiu que os pais se sentissem apoiados para conciliar as responsabilidades profissionais com os cuidados com os filhos”, completa.

licença parental se estende também aos colaboradores não-parturientes, ou seja, que não passaram pela gravidez. Casais homoafetivos ou heterossexuais que passaram pelo processo de adoção também estão contemplados com a licença de 12 semanas. “Dessa forma, estamos contribuindo para alcançarmos a igualdade de gênero, além do aumento de conexão da família”, afirma Elisa.

Em seus quase 2 anos de vigência, 100% dos colaboradores elegíveis usufruíram do benefício. Muitos desses relataram a importância de poder participar mais ativamente deste momento em família e do apoio oferecido pelo trabalho. Para Samuel Shitara, gerente de operações clínicas da MSD Brasil, a oportunidade de estar presente nos três primeiros meses do nascimento do primeiro filho, fez toda a diferença na conexão construída com a família.

“Tive a oportunidade de passar um tempo de qualidade logo no começo da vida dele, tendo a oportunidade de fortalecer a relação da minha família, em um momento tão especial”, comenta. “Além disso, esse período contribuiu para que eu pudesse de fato compartilhar tudo com a minha esposa, Na época dos meus pais era diferente, o homem voltava ao trabalho logo em seguida e tudo ficava com a mulher, fico muito feliz em ter vivido essa transformação na sociedade”, finaliza Samuel.

Novalgina lança campanha para homenagear paternidade ativa

A Novalgina traz campanha que homenageia os pais que participam ativamente da vida de seus filhos (Foto: Divulgação)

Novalgina, marca de analgésico para dor e febre da Sanofi que completou 100 anos em 2022, lançou campanha para o “Dia dos Pais” que, a princípio, pode causar estranhamento, mas logo é esclarecida com uma homenagem aos pais que exercem a paternidade por inteiro e que compartilham o cuidado, conversa que a marca já vinha reforçando a importância. Na Sanofi, a licença paternidade é de 6 meses.

“É uma ação que traduz a nossa comunicação, trazendo para o dia a dia das nossas pessoas mais cuidado com elas e com seus familiares. A licença estendida proporciona melhor qualidade de vida, reforça valores familiares importantes e reafirma nosso compromisso por um ambiente de trabalho mais humanizado e empático”, afirma Marília Zanoli, diretora de Marketing na Sanofi.

A marca quer fomentar a conscientização sobre a importância da licença paternidade estendida, pois a presença do pai também nos primeiros meses de vida da criança, faz parte dessa jornada de cuidados. A peça principal chama a atenção do público com os parabéns para quem não ajuda, e direciona o expectador para o vídeo com a campanha completa.

“É uma forma de provocar a importância de exercer a paternidade com plenitude e responsabilidade”, destaca Marília. Com veiculação focada em Out Of Home, a nova comunicação circula em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador e será veiculada em ambiente digital por todo o Brasil.

“Ser pai é ser pai por completo. Através dessa campanha, a gente dá luz ao tema da paternidade ativa. Pai não é rede de apoio, não é auxiliar, não é ajudante. Pai é pai. Com isso em mente, aproveitamos a data do dia dos pais para trazer o assunto através da marca que é sinônimo de cuidado. Uma homenagem Novalgina que é também uma reflexão para a sociedade”, diz Samuel Normando, diretor de Criação da Publicis.

Com Assessorias

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