Quem nunca caiu numa “pegadinha” de 1º de abril? O Dia da Mentira é uma tradição lúdica, mas quando os pais percebem os filhos mentindo no dia a dia, a brincadeira dá lugar à preocupação. Em um cenário dominado por fake news e desinformação digital, o desafio é duplo: ensinar o valor da honestidade e preparar os jovens para identificar o que é verdade no mundo lá fora.

Estudos indicam que a compreensão sobre a verdade começa cedo. Uma pesquisa da Universidade de Toronto (Canadá) aponta que crianças de 2 a 3 anos já mentem de forma intencional para evitar punições ou obter benefícios. Aos sete anos, quase todas já utilizam esse recurso. Mas, afinal, por que elas mentem e como educar para a transparência?

Por que as crianças mentem?

Para a psicóloga e hipnoterapeuta Yafit Laniado, criadora da Relacionamentoria, a mentira é frequentemente uma tentativa de a criança se sentir relevante ou pertencer ao grupo.

O comportamento segue um objetivo. Pode ser para chamar a atenção, demonstrar poder ou, em crianças menores, apenas fruto de uma imaginação fértil que mistura realidade e fantasia”, explica.

A especialista em neurociência e desenvolvimento infantil Telma Abrahão reforça que crianças pequenas não possuem o córtex pré-frontal totalmente amadurecido para “arquitetar” planos racionais.

Elas podem mentir por medo ou por confundir o mundo lúdico com a realidade. Já as maiores mentem por motivos semelhantes aos adultos: para evitar constrangimentos, impressionar ou não decepcionar figuras de autoridade”, afirma Telma.

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O exemplo vem de casa

Ambas as especialistas concordam que o comportamento dos pais é o principal espelho. Se os adultos utilizam “mentiras sociais” (como inventar uma desculpa para um atraso), as crianças absorvem que omitir a verdade é um recurso aceitável.

Nada é mais poderoso do que o exemplo pessoal. Quando os filhos percebem que os pais agem com sinceridade e transparência com amigos e entre si, esse é o modelo que irão seguir”, pontua Yafit Laniado.

A escola como aliada contra as fake news

Se em casa se constrói o caráter, na escola desenvolve-se o pensamento crítico. O Dia da Mentira tem sido usado por educadores para debater a responsabilidade ética. Com a velocidade das redes sociais, onde notícias falsas se espalham até seis vezes mais rápido que as verdadeiras — segundo dados do MIT publicados na revista Science — a literacia mediática tornou-se urgente.

Andréa Piloto, diretora da Escola Vereda, destaca que o ambiente escolar ajuda o estudante a entender as consequências das suas atitudes. “Preparar os jovens envolve ensiná-los a questionar informações, verificar fontes e compreender o impacto da desinformação na sociedade. Quando o aluno entende o valor da verdade, a honestidade torna-se a base para suas relações futuras”, afirma a educadora.

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Dicas para lidar com a mentira na infância

  1. Foque na causa, não no rótulo: Evite chamar a criança de “mentirosa”. Tente entender o que ela buscou conseguir com aquela história.

  2. Mantenha o diálogo aberto: Reações explosivas ou castigos rigorosos podem fazer com que a criança minta mais no futuro por medo.

  3. Valorize a honestidade: Quando o seu filho admitir um erro, elogie a coragem de dizer a verdade antes de discutir a consequência do ato.

  4. Eduque para o digital: Incentive o hábito de checar informações antes de partilhá-las, mostrando que a responsabilidade com a verdade se estende às telas.

 

 Com Assessorias

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