Viver com uma doença crônica, incurável e que pode comprometer os movimentos, a fala e a visão a qualquer momento é um desafio diário para mais de 30 mil brasileiros. Por trás dos diagnósticos de esclerose múltipla, existem histórias de famílias inteiras que travam uma batalha silenciosa pelo direito de respirar sem medo.
É justamente para essa parcela de pacientes com a forma mais agressiva que surge uma nova luz. A cladribina oral (conhecida comercialmente como Mavenclad®) passará a ser produzida no Brasil graças a um acordo de transferência de tecnologia envolvendo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Merck e a Nortec Química.
A urgência por tratamentos eficientes e pelo acesso facilitado à saúde ganhou as redes sociais com o relato emocionado da esposa da atriz Claudia Rodrigues, que convive com a doença há 26 anos. Para essas pessoas, a notícia da produção nacional de um medicamento de ponta no Brasil deixa de ser apenas um anúncio técnico e se transforma em uma promessa real de futuro e dignidade.
Para quem depende desse remédio, a fabricação nacional representa segurança. Atualmente, o custo do tratamento chega a quase R$ 140 mil por paciente ao longo de cinco anos — um valor completamente inacessível para a imensa maioria das famílias.
Ao produzir o medicamento em solo nacional e distribuí-lo pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o país diminui custos e abre as portas para que mais pessoas recebam o cuidado de que precisam antes que a doença avance.
‘Eu já vi a morte dela de perto’, diz esposa de Cláudia Rodrigues
Claudia Rodrigues, que divertiu o país por anos na televisão, precisou se afastar das telas quando a condição se agravou. Esta semana, um forte desabafo de Adriane Bonato, esposa da atriz e humorista, mostrou a face mais dolorosa e humana da doença.
Eu já vi a morte dela de perto. Eu vi a mulher da minha vida ser reanimada três vezes! Três vezes o coração dela parou, e três vezes eu vi o desespero de quase perder a Claudinha para sempre” , relembrou Adriane, emocionada.
Ela descreveu o “terror” de acompanhar a esposa por dez dias agonizantes na UTI e o isolamento absoluto de dois anos que as duas enfrentaram entre quatro paredes após um transplante de células-tronco. “Cada segundo era uma tortura de medo e incerteza”.
Um alento para os dias de incerteza
A realidade enfrentada por Claudia Rodrigues ilustra como a esclerose múltipla, uma condição autoimune em que o próprio corpo ataca o sistema nervoso central, interfere na autonomia de quem a possui. A forma mais comum da doença é a Remitente-Recorrente (EMRR), marcada por surtos inesperados seguidos por períodos de calmaria.
Quando a doença é altamente ativa, os surtos são frequentes e a evolução é rápida, gerando o risco de sequelas severas. É justamente para pacientes como ela que serve a cladribina oral. O medicamento é considerado um divisor de águas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por ser um tratamento de curta duração, mas com eficácia prolongada.
O impacto real: Mais autonomia e menos remédios
Na prática, isso significa devolver um pouco de normalidade à rotina do paciente. Estudos científicos recentes apresentados no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) trazem dados que alimentam o otimismo de médicos e pacientes.
As pesquisas comprovaram que o uso do medicamento reduziu a lesão neuronal em dois anos. O impacto na qualidade de vida é nítido: 81% dos pacientes que utilizaram a medicação conseguiram caminhar sem nenhum tipo de apoio e mais da metade deles não precisou tomar nenhum outro remédio complementar para controlar a doença.
Para Silvia Santos, diretora de Farmanguinhos (unidade da Fiocruz responsável pela produção), o foco da iniciativa é transformar a estrutura pública em amparo direto para a população.
A parceria reafirma o nosso compromisso com o fortalecimento do SUS e com a promoção do acesso a tratamentos inovadores. É um caminho importante para a transformação de políticas públicas em cuidado real para quem mais precisa” , defende a diretora.
Garantir que a ciência se reverta em vidas salvas e histórias preservadas é o que move a consolidação do Complexo Econômico e Industrial da Saúde. Para além dos números e acordos, a fabricação nacional da medicação é a certeza de que pacientes como Claudia, e tantas outras milhares de pessoas anônimas espalhadas pelo Brasil, não serão esquecidas em sua caminhada por sobrevivência e bem-estar.
Para saber mais detalhes? Acesse a página da Agência Fiocruz de Notícias.
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