O cenário nacional de dengue exige atenção, com 9.667 casos prováveis e três óbitos sob investigação em todo o país apenas neste início de ano. O período de maior perigo, segundo o histórico dos últimos dois anos, aproxima-se rapidamente: o pico de incidência costuma ocorrer entre o início de março e o final de maio. Como resposta ao avanço da dengue, que fez sua primeira vitima fatal esta semana em São Paulo, o Ministério da Saúde iniciou u neste sábado (17) a vacinação contra a dengue com o imunizante 100% nacional, de dose única.

A vacina a ser aplicada é a Butantan-DV, que já foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Trata-se da primeira vacina de dose única do mundo contra a dengue, produzida integralmente no Brasil. Desenvolvido pelo Instituto Butantan, de São Paulo, o imunizante é voltado à população de 15 a 59 anos. dos municípios de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), onde serão feitos estudos para avaliar a vacinação em massa da população. A partir deste domingo (18), o município de Botucatu (SP) também passa a integrar a iniciativa.

Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre os três municípios: 80 mil para Botucatu (SP), 60,1 mil para Maranguape (CE) e 64 mil para Nova Lima (MG). O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades e faz parte das 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan e já entregues ao Ministério da Saúde

Ofensiva da vacina do Butantan  

O imunizante protege contra os quatro sorotipos da doença, e a expectativa é que 30 milhões de doses possam ser entregues até o segundo semestre de 2026. Com a chegada de mais doses da Butantan DV, a imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde está prevista para o início de fevereiro. Cerca de 1,1 milhão de doses serão destinadas a profissionais que atuam na linha de frente do SUS, como médicos, enfermeiros e agentes comunitários, assim que esse volume estiver disponível.

Conforme mais doses forem entregues pelo Butantan, o ministério vai estender essa vacinação ao público geral. Por meio da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos. A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes.

Para o público de 10 a 14 anos, continua sendo ofertada a vacina japonesa, com esquema de duas doses. Inicialmente disponibilizada para municípios 2,1 mil prioritários, a vacina agora está disponível em todo o país, nos mais de 5 mil municípios. A vacina produzida pelo Butantan será destinada às demais faixas etárias, de 15 a 59 anos, conforme o limite máximo estabelecido em bula e regulamentado pela Anvisa.

Eficácia da vacina 100% nacional

A vacina Butantan-DV utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado e foi desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir de uma parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi Vaccines. Além de facilitar a adesão ao esquema vacinal, oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus.

O estudo clínico do imunizante Butantan-DV comprovou eficácia de quase 75% contra casos gerais de dengue, de mais de 91% contra casos graves e de 100% contra hospitalizações. Esse estudo foi realizado entre os anos de 2016 e 2024, com mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros.

A eficácia e a segurança [da vacina] já foram comprovadas. A estratégia de vacinação acelerada busca entender a sua efetividade, ou seja, o funcionamento do imunizante na vida real”, explicou Carlos Magno Fortaleza, diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu.

Ao longo de um ano, as análises serão conduzidas com apoio de especialistas, que irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além do monitoramento de possíveis eventos adversos raros após a imunização.

Critérios adotados para escolha dos municípios

A iniciativa tem como objetivo avaliar o impacto da vacina na dinâmica de transmissão da doença e reunir evidências que subsidiem a ampliação da estratégia em todo o país.  No lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, destacou os critérios adotados para a escolha dos municípios.

Essa é uma iniciativa que nós temos conduzido aqui no Ceará, em Minas Gerais e no estado de São Paulo. Cidades escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, que permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”, afirmou.

“Hoje é um dia histórico para a saúde pública brasileira. Estamos aqui iniciando a vacinação contra a dengue, com uma vacina do Butantan, 100% nacional, desenvolvida no país. Agora, ela vai ajudar o SUS a combater uma doença que é um problema de saúde pública muito sério. É uma vacina de dose única, a primeira no mundo nesse formato, e nós sabemos que ela é muito segura e protege muito bem as pessoas”, reforçou o diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, que acompanhou o início da vacinação em Nova Lima.

Operação em Botucatu: quem pode se vacinar? 

Brasília (DF), 25/11/2025 - Vacina da dengue do Instituto Butantan, primeira do mundo em dose única, é aprovada pela Anvisa. Foto: Instituto Butantan/Divulgação

O município de Botucatu, no interior paulista, inicia neste domingo (18) uma vacinação em massa histórica. A expectativa é conseguir vacinar 90% da população entre 15 e 59 anos de Botucatu, o que somaria cerca de 80 mil pessoas.  Os municípios de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) também já iniciaram a aplicação como projetos-piloto.

Esta a segunda vez que a cidade de Botucatu realiza uma vacinação em massa para avaliar a efetividade de uma vacina. Isso já havia ocorrido com a vacina AstraZeneca/Oxford/Fiocruz, que protege contra a covid-19. A operação em Botucatu repete o modelo de sucesso utilizado durante a pandemia de Covid-19 para avaliar a efetividade do imunizante na “vida real”.

A estratégia faz parte de um estudo  desenvolvido pelo Ministério da Saúde, Prefeitura de Botucatu, Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e pelo Instituto Butantan para analisar a efetividade do imunizante.

A imunização ocorre em 28 pontos de vacinação, entre Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o Espaço Saúde, instalados pela cidade e em locais estratégicos, das 8 às 17 horas. Para evitar filas, a Secretaria Municipal da Saúde sugere que pessoas que tenham entre 35 e 59 anos se vacinem pela manhã, enquanto pessoas de 15 a 34 anos se vacinem no período da tarde. Para receber a dose, é necessário apresentar um documento com foto, o CPF e o comprovante de residência.

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Dengue em números

SP confirma primeira morte por dengue em 2026

Secretaria já registra 971 casos confirmados e 3.389 em investigação

O estado de São Paulo confirmou, nesta semana, a primeira morte por dengue em 2026. A vítima foi um homem residente em Nova Guataporanga, na região oeste do estado,, próxima de Presidente Prudente, área de divisa com o estado do Mato Grosso do Sul.

O óbito acende um alerta epidemiológico: embora os sintomas tenham começado nos últimos dias de 2025, o registro marca o início de um ano que já soma 971 casos confirmados e 3.389 em investigação, dentre os quais dois óbitos, apenas em território paulista.

A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo informou que, embora os sintomas tenham iniciado no dia 3 de janeiro a data é computada como 2025 para fins epidemiológicos, por ser a semana iniciada no ano passado. Em 2025, o estado de São Paulo teve 881.280 casos confirmados, 1122 óbitos confirmados e 56 em investigação, além de 1461 casos de dengue grave.

Há até o momento três casos de dengue graves confirmados em território paulista. As regiões de Araçatuba e Presidente Prudente, no Oeste do estado, têm as maiores taxas de incidência, respectivamente com 13,58 e 8,57 casos por 100 mil habitantes.

Cenário epidemiológico da dengue no Brasil

Segundo o Ministério da Saúde os casos de dengue no país, em 2025, foram 1.665.793 casos prováveis e 1780 óbitos. O período de maior incidência da dengue no Brasil nos últimos dois anos foi entre o começo de março (oitava semana) e o final de maio (vigésima semana).  

Em 2025, os casos de dengue no Brasil caíram 74% em relação a 2024. Apesar da redução expressiva, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao Aedes aegypti devem ser mantidas em todo o território nacional.

Ao longo do ano, foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis da doença, frente a 6,5 milhões no ano anterior. O número de óbitos também apresentou queda significativa: 1,7 mil mortes em 2025, o que representa redução de 72% em comparação a 2024, quando foram contabilizadas 6,3 mil mortes.

Com informações do Ministério da Saúde e Agência Brasil

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