O rim é responsável por limpar todas as impurezas e toxinas do corpo, regular a água e manter o equilíbrio das substâncias minerais do organismo, além de liberar hormônios para manter a pressão arterial e normalizar a produção de células vermelhas no sangue, contribuindo para a ativação da vitamina D, que mantém a estrutura dos ossos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, aproximadamente 2,4 milhões de pessoas morrem todos os anos por conta de alguma doença renal. Devido as altas taxas de mortalidade, o Dia Mundial do Rim, comemorado este ano em 9 de março, foi criado pela Internacional Society of Nephrology (ISN) com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do estilo de vida saudável e do diagnóstico precoce.

Em apoio à data, o Cejam – Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim esclarece as principais dúvidas sobre o tema e destaca a importância da adoção de hábitos saudáveis na prevenção de doenças renais, que atingem cerca de dez milhões de pessoas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Quais são as principais funções dos rins?

De acordo com a nefrologista Alessandra Bonilha Gonçalves, que atua na Santa Casa de São Roque — gerenciada pelo Cejam em parceria com a prefeitura da cidade — os rins desempenham funções vitais para o corpo humano, como a eliminação de toxinas e a filtragem do sangue.

“São os órgãos responsáveis por manter o equilíbrio hídrico do corpo, eliminando o excesso de água, sais e eletrólitos do organismo.”

Além disso, a especialista enfatiza que os rins participam da produção de alguns hormônios, como a eritropoetina, ligada à formação de glóbulos vermelhos; a vitamina D, que auxilia na absorção do cálcio dos ossos; e a renina, presente na regulação da pressão arterial.

Os rins são acometidos, principalmente, por quais doenças?

Conforme Dra. Alessandra, as nefrites — inflamação nos rins –, infecção urinária, cálculos renais, tumores ou cistos, obstrução urinária e insuficiência renal são os principais problemas que afetam o órgão.

Nesse sentido, alguns sinais merecem atenção: sangue e/ou espuma na urina, inchaços, pressão alta, anemia, cansaço, perda do apetite, vômitos ou náuseas, dor nos rins ou dores nas costas e diminuição da quantidade de urina.

A profissional alerta, ainda, que muitas doenças renais podem não apresentar sintomas em fases iniciais. “Boa parte dos pacientes só descobre ser portador de doença renal em estágios avançados, quando já não temos muito a fazer para reverter o quadro. Por isso, a melhor maneira é fazer o diagnóstico precoce através de exames de laboratoriais”, pontua.

Como é feito o diagnóstico dessas doenças?

Para diagnosticar doenças renais são realizados os exames de dosagem de creatinina no sangue e o de urina, procedimentos simples e que podem ser adicionados à rotina de cuidados com a saúde. “Dependendo da avaliação do médico, também pode ser incluído o exame de ultrassonografia dos rins e vias urinárias”, ressalta.

A dosagem de creatinina é fundamental para a avaliação de qualquer pessoa, principalmente em pacientes com fatores de risco, como histórico de doença renal na família, hipertensos, diabéticos e idosos.

“Este exame é feito a partir da coleta de uma amostra de sangue, pequenas alterações de creatinina sugerem algum problema renal e podem demonstrar a necessidade de procurar a avaliação de um médico nefrologista”, afirma.

Como eu posso cuidar da minha saúde renal?

Para prevenir doenças no rins, Dra. Alessandra explica ser fundamental a adoção de hábitos saudáveis, com uma dieta equilibrada, evitando excessos de sal e sobrecarga de proteínas; manutenção do peso ideal; monitoramento da pressão arterial e dos níveis de açúcar no sangue; prática de atividades físicas; atentar-se para o uso medicamentos que podem ser tóxicos aos rins, como anti-inflamatórios, sem prescrição médica e, claro, beber água em quantidades adequadas — de 2 a 3 litros por dia.

“A conscientização sobre a importância dos rins e os comportamentos preventivos, fatores de risco e orientações sobre a doença de forma integrada e humanizada com certeza ajudam a uma melhor qualidade de vida para todos”, finaliza.

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Mitos e verdades sobre a Doença Renal Crônica

A médica Milena Vasconcelos, nefrologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, referência no tratamento de doenças renais, esclarece alguns dos mitos e verdades sobre a doença e faz um alerta:

“A ISN estima que cerca de 850 milhões de pessoas no mundo são impactadas anualmente por alguma doença renal e, geralmente, os sinais só vêm à tona quando o paciente já perdeu aproximadamente 50% da função dos rins. Por isso, o diagnóstico precoce é a melhor forma de tratar e controlar a evolução da doença”.

Retenção de líquido pode ser sinal de alerta. VERDADE

Os rins são responsáveis por retirar o excesso de líquido, impurezas, toxinas e manter o equilíbrio do organismo. Inchaço constante nas pernas e nos pés pode significar que esse processo não está sendo bem-sucedido e que o corpo, em vez de eliminar, está retendo esse líquido, acumulando água dentro dos tecidos. Essa abundância de água nas células é capaz de gerar problemas na circulação sanguínea, por exemplo.

Urina com sangue e infecções urinárias constantes são situações que sempre indicam a presença de doenças mais graves. MITO

Não necessariamente. A urina com sangue, por exemplo, pode significar uma doença local, uma infecção ou até mesmo cálculo renal, ou pedra nos rins, pequenos cristais na região do trato urinário que causam dor intensa ao urinar. O importante é sempre procurar um nefrologista para avaliar.

Qualquer pessoa pode doar um rim. MITO

Para ser um doador, é necessário ter idade superior a 18 anos e ter um plano de saúde. Pessoas com diabetes, obesidade ou câncer também não podem ser doadoras, já que, apesar de não serem doenças renais, são condições que possibilitam o desenvolvimento de um distúrbio renal futuro.

Quem tem doenças infecciosas que possam contaminar quem irá receber o órgão também não estão aptas. Outro ponto importante para um doador é estar física e psicologicamente disposto a passar por um procedimento cirúrgico. Vários exames serão realizados no provável doador, tanto para verificar as condições de saúde, como para certificar a compatibilidade entre doador e receptor.

Doenças renais podem ser hereditáriasVERDADE

Sim, desde doenças mais comuns, como cálculo renal (pedra nos rins) até doenças genéticas renais raras.

É importante realizar exames preventivos anualmente. VERDADE

As doenças renais podem ser silenciosas. Por isso, o ideal é buscar acompanhamento periódico com um nefrologista para a realização de exames de rotina gerais. É imprescindível realizar exames para medir os níveis de creatinina no sangue, visto que esta é uma substância produzida pelos músculos e eliminada pelos rins, quanto mais alta, maior será a gravidade, indicando insuficiência renal.

Além disso, o exame de urina e ultrassom dos rins devem ser feitos obrigatoriamente todos os anos em maiores de 40 anos ou em casos de doenças renais na família. Os indivíduos acometidos por diabetes e hipertensão arterial (pressão alta) também devem realizar exames preventivos uma vez por ano. O paciente que apresentar urina com espuma e sangramento deve buscar imediatamente o atendimento médico.

Hemodiálise é o único tratamento disponível. MITO

Dependendo da fase da doença renal, o tratamento pode variar entre uma dieta específica, com medicamentos via oral. Em fases avançadas, o paciente pode ser submetido a procedimentos de hemodiálise, dialise peritoneal, que consiste em filtro natural como substituto da função renal, e transplante de rim. Na BP, contamos com medicações e equipamentos de ponta para auxiliar em todas as fases do tratamento do paciente.

Doenças renais nunca apresentam sintomas. MITO

Depende da velocidade da progressão da doença. Caso a perda da função renal esteja acontecendo rapidamente, os sintomas aparecem de maneira precoce. Porém, se demorar anos para a descoberta da doença, o paciente pode apresentar sintomas apenas quando menos de 10% dos órgãos estiverem funcionando.

Os sintomas geralmente são perda de apetite, especialmente por carnes, náusea, fraqueza, mal-estar, pressão elevada e emagrecimento. A quantidade de diurese (urina) também pode reduzir ou sofrer alteração na coloração e apresentar espuma. Tosse, falta de ar e inchaço também podem ser sintomas recorrentes.

Não há limitações para quem decide doar rimVERDADE

De uma maneira geral, quem doa um dos rins apresenta uma vida normal após o procedimento, sendo aconselhado que o indivíduo faça acompanhamento com um nefrologista.

Posso evitar o desenvolvimento de doenças renaisVERDADE

A dica mais importante é o cuidado com as doenças que podem afetar os rins, como diabetes, pressão alta e doenças autoimunes. Também é importante conhecer bem o histórico familiar de doenças renais, fazer um acompanhamento anual dos rins, manter uma dieta equilibrada, reduzir o sal e açúcar, controlar o peso e evitar o fumo, ingestão de bebidas alcoólicas e uso indiscriminado de medicamentos sem orientação médica.

Com Assessorias

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