A convulsão sofrida pelo ator Henri Castelli, de 47 anos, durante uma prova do Big Brother Brasil 26, na última quarta-feira (14), reacendeu um alerta importante: o que fazer diante de uma crise convulsiva? Ao contrário do que fizeram alguns brothers, puxando a língua do ator, a orientação é manter a calma e priorizar a segurança da pessoa.
De acordo com Alexandre Pimenta, médico e responsável técnico nacional do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, em primeiro lugar, é necessário manter a calma e não se desesperar ao ver alguém tendo uma crise convulsiva. Desse modo, é possível prestar o atendimento correto e ajudar a pessoa a não se machucar mais durante a crise. Os primeiros passos são:
- Afastar objetos perigosos que podem machucar o indivíduo: é recomendado retirar óculos, itens pontiagudos e móveis dos arredores, evitando que a pessoa que está tendo espasmos se machuque;
- Coloque algo macio sobre a cabeça da pessoa: uma toalha ou peça de roupa pode evitar que ela bata a cabeça no chão, gerando machucados mais graves;
- Vire a pessoa de lado: essa posição ajuda a evitar engasgamento, seja com saliva ou vômito;
- Fique atento ao tempo: se a crise convulsiva demorar mais do que 5 minutos ou houver duas crises seguidas, é necessário procurar atendimento médico imediatamente.
O ideal é colocá-la de lado, para evitar aspiração de saliva, afastar objetos que possam causar ferimentos e proteger a cabeça. Não se deve tentar segurar os movimentos, nem colocar objetos na boca. Intervenções inadequadas podem causar mais danos do que a própria crise”, alerta o coordenador da UTI Neurológica do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), Jamary Oliveira Filho. “Se a convulsão durar mais de cinco minutos, ocorrer em sequência ou se a pessoa não recuperar a consciência, é fundamental acionar o serviço de emergência”, orienta.
O que fazer ao presenciar uma convulsão?
Os principais erros que podem colocar a pessoa em risco. Conheça os primeiros cuidados ao presenciar uma convulsão
O incidente, que assustou os participantes, não é raro e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial deve ter uma crise convulsiva pelo menos uma vez na vida. Durante uma convulsão, a atividade elétrica do cérebro fica desordenada, o que pode provocar espasmos (movimentos involuntários), descontrole da bexiga e do intestino, além da perda da consciência.
Quando Henri Castelli teve uma crise convulsiva durante o BBB, o participante Brígido tentou segurar a língua do ator, conduta que muitos acreditam adequada durante uma convulsão. No entanto, Pimenta explica que a ação não é recomendada. “Isso pode causar ferimentos nos dentes ou obstruir as vias aéreas, gerando asfixia”. O médico ainda cita outras práticas que devem ser evitadas:
- Segurar ou restringir os movimentos da pessoa: isso pode gerar ferimentos e não é indicado;
- Dar água ou alimentos: essa ação tem potencial para gerar engasgamento, o ideal é esperar até que o indivíduo esteja completamente consciente;
- Tentar acordar a pessoa: Após a convulsão, ela pode estar confusa e desorientada.
Por fim, o médico explica que após o final de uma convulsão é preciso monitorar os sinais vitais da pessoa, ou seja, checar o batimento cardíaco e a respiração, e chamar por uma ambulância. A ajuda médica é ainda mais urgente se o indivíduo se machucar durante a crise, for gestante, tiver outra condição médica ou se não retomar a consciência após o episódio.
“Nunca senti isso antes”, disse o ator
Diante do quadro, Henri foi imediatamente levado para a emergência do Hospital Barra D´Or, na Barra da Tijuca, a unidade particular mais próxima do Projac, onde a casa mais vigiada do Brasil fica montada. Horas depois uma bateria de exames, ele voltou ao programa, mas logo que chegou, teve outra crise convulsiva e foi levado de volta ao hospital.
Segundo a produção, ele está bem e segue em observação. Mas diante da reincidência no quadro, ainda não totalmente esclarecido, o participante foi retirado definitivamente do programa. De acordo com a produção, ele continuará recebendo o cachê da emissora.
Crise convulsiva: o que é e por que acontece
Segundo o neurologista Ricardo Alvim, coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador, uma crise convulsiva acontece quando há uma descarga elétrica anormal e excessiva no cérebro, provocando sintomas como perda de consciência, movimentos involuntários, rigidez muscular e, em alguns casos, confusão mental após o episódio.
O cérebro pode reagir a agressões momentâneas com uma crise convulsiva, sem que isso signifique uma doença neurológica crônica”, explica o especialista. “Em muitos casos, após investigação, o paciente nunca mais apresenta outro episódio”, completa.
Uma convulsão única exige avaliação médica, exames complementares e acompanhamento neurológico, mas não necessariamente significa o diagnóstico de epilepsia. O uso de medicação anticonvulsivante precisa ser avaliado de forma individual.
Quais são as causas da convulsão?
Diversos fatores podem desencadear uma crise convulsiva, como a falta de água, de alimento ou de sono. Nesse cenário, o mais importante é manter a calma e saber como proteger a pessoa até a chegada de atendimento médico.
Segundo Pimenta, tanto as convulsões quanto os desmaios envolvem perda de consciência, no entanto, “as convulsões podem causar contrações musculares, enquanto desmaios podem ocorrer sem esses movimentos”.
O médico explica que fatores como privação alimentar, desidratação e falta de descanso podem desencadear crises convulsivas, principalmente em pessoas predispostas. “A desidratação e a hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue) podem afetar a função cerebral, levando a episódios convulsivos. Além disso, a falta de sono pode desregular o sistema nervoso, aumentando a suscetibilidade a convulsões”, ressalta.
No caso de Henri Castelli, o ator estava de pé há 10 horas na Prova do Líder, o que pode ter gerado um cenário de cansaço e desidratação, dois possíveis gatilhos para a convulsão.
Convulsão não é epilepsia: entenda a diferença
O caso de Henri Castelli, ainda sem diagnóstico divulgado, mostra como episódios desse tipo podem acontecer até em pessoas aparentemente saudáveis. Mais do que gerar especulações, situações como essa ajudam a informar, orientar e quebrar mitos.
O episódio, acompanhado por milhões de telespectadores, virou um gancho para esclarecer uma confusão comum — e potencialmente perigosa — entre uma crise isolada e a doença neurológica crônica.
Nem toda crise convulsiva significa epilepsia. Após ser atendido pela equipe médica do programa e retornar à casa, o participante voltou a passar mal horas depois e precisou de novo atendimento.
Crises convulsivas podem ocorrer em qualquer pessoa, em diferentes fases da vida, e por motivos variados. Já a epilepsia é uma condição médica caracterizada por crises recorrentes, sem causa imediata aparente. A distinção é fundamental para o diagnóstico correto e para evitar estigmas desnecessários.
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Epilepsia: quando a crise vira diagnóstico
A epilepsia é definida pela ocorrência de duas ou mais crises não provocadas, em momentos distintos, sem uma causa imediata identificável. Trata-se de uma condição neurológica crônica, que pode ter origem genética, estrutural, infecciosa ou desconhecida.
Na epilepsia, o cérebro tem uma predisposição persistente a gerar crises”, afirma o coordenador da UTI Neurológica do HMDS, Jamary Oliveira Filho. “É diferente de uma convulsão desencadeada por febre, hipoglicemia ou exaustão. O tratamento é contínuo e individualizado”.
Febre alta, desidratação, privação de sono, uso de álcool ou drogas, infecções, alterações metabólicas e até situações de estresse intenso podem desencadear uma convulsão isolada. Os sintomas variam. Nem toda crise epiléptica envolve convulsões. Algumas se manifestam como lapsos de consciência, olhar fixo, movimentos repetitivos ou sensação de déjà-vu.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito a partir da história clínica, exame neurológico, eletroencefalograma (EEG) e exames de imagem, como a ressonância magnética. No caso de crises isoladas, o foco é identificar a causa e evitar novos gatilhos.
Já na epilepsia, o tratamento costuma incluir medicamentos anticonvulsivantes de uso contínuo, e, em casos específicos, cirurgia ou terapias complementares. “Com o tratamento adequado, a maioria das pessoas com epilepsia pode ter uma vida plenamente ativa. O maior desafio ainda é o preconceito”, destaca Alvim.
Prevenção e atenção aos sinais
Dormir bem, manter uma alimentação equilibrada, evitar álcool em excesso e seguir corretamente o uso de medicamentos são medidas importantes para reduzir o risco de crises. Em pessoas com epilepsia, a adesão ao tratamento é decisiva para o controle da condição.
Com Assessorias e G1







