Carnaval e ISTs: 64% não usam camisinha no Brasil

No Rio, só 32% das pessoas usam camisinha. Campanha nacional de Carnaval alerta para prevenção, diagnóstico e tratamento de ISTs no SUS

No Rio de Janeiro serão distribuídas cerca de 600 mil camisinhas masculinas e feminina s durante o Carnaval (Foto: Edu Kapps / SMS-Rio)
Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

Como todos sabemos, a camisinha é um dos principais métodos contraceptivos para quem quer evitar a gravidez, ganhando um papel essencial para evitar gestações não planejadas num país em que a iniciação sexual é cada vez mais precoce.  Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc/SUS) indicam que um em cada sete nascimentos é de mães adolescentes, um problema de saúde pública, como revelamos no especial ‘Menina-Mãe’ aqui no Portal ViDA & Ação ao longo da Semana Nacional de Prevenção à Gravidez na Adolescência, encerrada nesta quinta-feira (8).

Mas não é só isso. O uso da camisinha externa ou interna, em todas as relações sexuais, é o método mais eficaz para proteção contra o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O infectologista Claudilson Bastos, consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde,  alerta os foliões sobre a importância do uso de preservativo em todas as relações sexuais, inclusive durante o sexo oral.

“É muito comum que, por conta das bebidas em excesso nessas festas, as pessoas acabam se descuidando e deixando a camisinha de lado, o que é o perigo. Por isso, ter o preservativo em mãos é essencial, tanto para os homens como para as mulheres”, afirma.

No Brasil, as camisinhas podem ser retiradas gratuitamente em postos, clínicas da famílias e outras unidades de atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar disso, 64% da população brasileira revelaram que não costumam utilizar preservativos na relação sexual, embora 92% dos entrevistados tenham ciência de que o preservativo evita as ISTs, como mostrou um estudo da Famivita divulgado em 2023. O levantamento revelou que, no Rio de Janeiro, apenas 32% da população usam camisinha na hora da relação sexual.

Em se tratando da faixa etária, do total geral de integrantes do estudo, 72% apontaram não ter o costume de usar camisinha, na idade entre 40 a 44 anos. Referente ao grupo dos 25 aos 29 anos, 68% explicaram não fazer essa utilização. No Distrito Federal 52% dos participantes revelaram ter o hábito de usar preservativo. No Ceará, 43% disseram usar preservativos. Em Minas Gerais, esse número foi de 29%. Já no Rio Grande do Norte, o índice foi de apenas 15%.

Aproximadamente 1 milhão de pessoas afirmaram ter diagnóstico médico de IST ao longo de 2019, correspondendo a 0,6% da população com 18 anos de idade ou mais. A informação é da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada em 2021, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o Unaids – programa das Nações Unidas, apontou que entre 2010 e 2018, a taxa de transmissão do vírus no Brasil cresceu 21%, enquanto sofreu queda de 16% em todo o mundo.

Rio distribui 600 mil preservativos durante o Carnaval

Durante o Carnaval no Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) fará a distribuição de material educativo e aproximadamente 600 mil preservativos femininos e masculinos, no Sambódromo e nos blocos de rua. Os banheiros na Sapucaí serão adesivados com orientações em saúde e o QR code para o usuário acessar o “Onde ser Atendido”.

Com o tema Rio Sem Preconceito, a iniciativa da Superintendência de Promoção da Saúde da SMS, em parceria com a Coordenadoria de Diversidade Sexual, visa estimular o cuidado para prevenir as ISTs, minimizando a resistência à testagem. Ao todo, serão 16 agentes promotores de saúde circulando pela cidade com material informativo sobre ISTs, profilaxia pós-exposição (PEP) e pré-exposição (PrEP).

Todas as unidades de Atenção Primária do município estão aptas para atendimento e orientação à população, com realização de diagnóstico, testagem rápida e distribuição de preservativos. A medicação necessária para tratamento das ISTs também é fornecida gratuitamente pela rede municipal de saúde ao longo de todo o ano.

15 mil camisinhas gratuitas  – Somente na cidade do Rio de Janeiro, a Riotur estimou que os bloquinhos de rua devem reunir cerca de 5 milhões de foliões. Como ‘degustação’, a marca de preservativos  Prudence anunciou que vai distribuir mais de 15 mil camisinhas gratuitamente, entre os dias 10 e 13 de fevereiro.

Com ativações nos principais pontos do Rio, como em Copacabana, Leblon, Ipanema, Centro, Lapa, Glória, Urca e Leme, a marca também estará em outros estados como São Paulo e Salvador com a distribuição de amostras. Entre opções de cores e sabores os foliões, poderão encontrar amostras de Prudence caipirinha e Prudence Churros.

Leia mais

Além da camisinha: profilaxia pré e pós-exposição evitam HIV
As mentiras que os homens contam para não usar camisinha
6 entre 10 brasileiros não usam camisinha nenhuma vez

 

Campanha de Carnaval alerta para respeito e proteção

Para conscientizar a população sobre a importância do uso da camisinha para prevenção das ISTs, o Ministério da Saúde lançou na última terça-feira (6), a campanha nacional do Carnaval 2024. Com o slogan ‘Carnaval, respeito e proteção #TemQueTer’, a campanha será veiculada em rádio, TV e locais de grande circulação de pessoas em todo o Brasil.

A estratégia inclui peças de comunicação que trazem os ritmos e a cultura de cada região do país, além de conteúdos específicos para os momentos antes, durante e depois das festas. Para o Carnaval 2024, o foco da campanha é lembrar aos foliões que a proteção é uma peça fundamental para a festa, lado a lado com o respeito, a diversidade e a inclusão.

Tradicionalmente, a campanha alerta que as unidades básicas de saúde do SUS oferecem gratuitamente preservativos para a população. Este ano, traz ainda as novidades incluídas na rede pública de saúde para melhorar o enfrentamento do HIV e de diversas ISTs, que vêm apresentando crescimento nos últimos anos, devido à falta de proteção durante o ato sexual.

Testes gratuitos para HIV e sífilis no SUS

“Paralelamente ao uso do preservativo, é importante fazer os testes para detecção de doenças. Desta forma, o indivíduo pode iniciar logo o tratamento, evitando complicações das ISTs. Os órgãos de saúde fazem a testagem de IST, HIV/ Aids e hepatites”, pontua Bastos.

Uma novidade é a inclusão, no Sistema Único de Saúde (SUS), do teste inédito que detectam sífilis e HIV em um mesmo dispositivo  Ainda no ano passado, a pasta investiu R$ 27 milhões na aquisição de testes rápidos.

A medida fortalece o rastreio e tratamento mais ágil para a população. Inicialmente, o duo teste será direcionado para o rastreio em mulheres grávidas, trabalhadoras do sexo e homens que fazem sexo com homens. As demais pessoas serão testadas com a tecnologia que já é ofertada atualmente.

Entre as vantagens do novo teste, estão a simplificação do processo de execução, que exige apenas um reagente, e a redução do espaço necessário para armazenamento nos postos de atendimento. Assim como o rastreio que já é feito, a leitura de resultado do duo teste será de até 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial.

SUS também oferece profilaxia pré e pós exposição ao HIV

O MS ressalta, ainda, a importância da realização de testes para diagnóstico precoce, principalmente se houver relação sexual desprotegida, pois algumas IST podem não apresentar sinais e sintomas. Caso apresente exposição sexual com risco de infecção, o usuário deve se informar sobre a profilaxia pós-exposição (PEP), que deve ser iniciada em até 72 horas.

Outra importante forma de prevenir contra as IST, como o HIV, por exemplo, é fazendo uso da PrEP, método que consiste em tomar comprimidos antes da relação sexual, que permitem ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV.

Entre os avanços conquistados em 2023 pelo Ministério da Saúde, está a oferta da profilaxia nos ambulatórios que acompanham a saúde de pessoas trans. Em todos os estados há serviços de saúde ofertando a PrEP. A pessoa em PrEP realiza acompanhamento regular de saúde, com testagem para o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Em grandes festas populares, como o Carnaval, os governos estaduais e municipais fazem campanhas de orientação e de distribuição gratuita de camisinhas e de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), com o uso de medicamentos para evitar a transmissão do HIV.

Menos comprimidos e mais proteção para quem vive com HIV

Além do preservativo, do teste para diagnóstico precoce e das profilaxias pré e pós exposição, o SUS oferta atendimento, diagnóstico e tratamento de forma gratuita.

Em 2023, o Ministério da Saúde anunciou a diminuição da quantidade de comprimidos ingeridos diariamente para as pessoas que vivem com o vírus do HIV. O medicamento, agora único, combina dois antirretrovirais, ambos fornecidos pelo SUS: lamivudina e dolutegravir.

O remédio facilita a vida do usuário, evita efeitos colaterais e mantém a carga viral controlada. Em janeiro de 2024, o Ministério da Saúde distribuiu 5,6 milhões de unidades do medicamento para estados e municípios.

Atendimento, tratamento e cuidados com a saúde sexual e reprodutiva

O SUS também oferece outros métodos que ajudam com os cuidados relacionados aos direitos sexuais e reprodutivos, como:

  • anticoncepcional injetável mensal,
  • anticoncepcional injetável trimestral,
  • pílula anticoncepcional de emergência (ou pílula do dia seguinte),
  • minipílula,
  • pílula combinada,
  • diafragma e
  • Dispositivo Intrauterino (DIU).

Metas para enfrentar HIV e outras infecções

O Comitê Interministerial para Eliminação da Tuberculose e Outras Doenças Determinadas Socialmente (CIEDDS) integra as novidades anunciadas durante 2023. Coordenado pelo Ministério da Saúde, o grupo é inédito e vai funcionar até janeiro de 2030. O plano de trabalho inicial inclui enfrentar 11 dessas enfermidades.

A meta é que a maioria das doenças sejam eliminadas como problema de saúde pública. Para o HIV e a aids, o objetivo é atingir as metas operacionais de eliminação pactuadas internacionalmente, incluindo a eliminação da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatite B, quando a infecção é passada de mãe para filho.

Entenda as ISTs

As Infecções Sexualmente Transmissíveis são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos e transmitidas, principalmente, por meio de contato sexual com uma pessoa que esteja infectada.

As IST aparecem, principalmente, no órgão genital, mas também podem surgir em outras partes do corpo, como palma das mãos, olhos ou língua. Elas podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos e verrugas anogenitais, entre outros possíveis sintomas, como dor pélvica, ardência ao urinar, lesões de pele e aumento de ínguas.

Se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente, algumas infecções podem levar a graves complicações. Também é de extrema relevância que as parcerias sexuais sejam alertadas sempre que uma IST for diagnosticada, para que também realizem o tratamento.

Ao perceber qualquer sinal ou sintoma, deve-se procurar o serviço de saúde, independentemente de quando foi a última relação sexual. É importante que não haja automedicação e que o tratamento seja prescrito por um profissional de saúde habilitado.

Você sabia?

O termo ‘Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)’ passou a ser adotado em substituição à expressão ‘Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)’, porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas. Além disso, se tratadas precocemente, várias infecções não se tornam doenças.

Existem diversos tipos de IST. As mais conhecidas são:

– HIV;

– Sífilis;

– Herpes genital;

– HPV;

– Gonorreia;

– Infecção por clamídia;

– Hepatites B e C;

– Infecção pelo HTLV; e

– Tricomoníase.

Curiosidade

A evolução do preservativo: uma breve linha do tempo


A primeira camisinha com reservatório para o esperma surgiu em 1901, nos Estados Unidos, mas a verdadeira evolução delas ocorreu com aquelas feitas de látex, a partir de 1880. Tal fato representava um avanço, pois desse modo elas eram mais finas do que as iniciais, de borracha, necessitando de um menor trabalho para serem produzidas.

Estima-se que em 1935 cerca de um milhão e meio de camisinhas foram comercializadas nos Estados Unidos. Nos períodos seguintes, contudo, elas caíram em desuso, principalmente após o advento da pílula anticoncepcional.

A partir de 1980, o HIV modificou a consciência mundial a respeito da sexualidade, notadamente quando se fala em sexo seguro. Assim, a camisinha voltou à cena, e como uma heroína, posto que é o único método capaz de reunir, em apenas uma ferramenta, a prevenção à gravidez indesejada e às infecções sexualmente transmissíveis.

No Brasil da década de 1980, por exemplo, começo da epidemia de HIV, os preservativos eram distribuídos apenas em datas específicas, como o Carnaval e o Dia Mundial de Luta Contra Aids. De 1994 em diante, iniciou-se a distribuição ampla deles, através do Sistema Único de Saúde (SUS), facilitando o acesso da população.

Fonte: Ministério da Saúde, SMS-Rio e Famivita

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

You may like

In the news
Leia Mais
× Fale com o ViDA!