A deputada federal Roseana Sarney (MDB-MA), de 72 anos, enfrenta a luta contra um câncer de mama triplo negativo, subtipo molecular mais agressivo da doença. Diagnosticada em agosto de 2025, ela passou por quimioterapia e, conforme o protocolo clínico tornado público, deveria ser submetida a cirurgia após o término do tratamento sistêmico. Mas  última sessão de quimioterapia, marcada para 27 de janeiro, foi suspensa pela equipe médica.

O caso se agravou esta semana com o novo diagnóstico de pneumonia. Desde a noite de domingo (18) ela está internada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo para tratar a infecção. Roseana contou que recebeu alta na quinta-feira (15), mas precisou retornar ao hospital na sexta-feira (16) para tratar a pneumonia. 

Esta não é a primeira vez que Roseana enfrenta um câncer. Até 2016, Roseana já havia passado por 23 cirurgias para remoção de tumores benignos e malignos — o primeiro deles aos 19 anos.  Em 1998, durante a campanha de reeleição ao governo do Maranhão, ela foi diagnosticada novamente e passou por quatro cirurgias, incluindo a retirada de um nódulo no pulmão, um tumor na mama, uma histerectomia e a remoção de nódulos intestinais.

Desde o novo diagnóstico, a deputada tem compartilhado nas redes sociais detalhes do tratamento. Ela admite que o processo não tem sido fácil, mas afirma manter a fé e a esperança na cura. Em dezembro, ela recebeu a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Janja.

Agora vou direto para a cirurgia e estou muito esperançosa. Acho que vai dar tudo certo. Conto com a oração de vocês e, claro, com a proteção de Deus”, disse em vídeo publicado.

Primeira mulher eleita governadora no Brasil, em 1994, Roseana é filha do ex-presidente José Sarney e governou o Maranhão por quatro mandatos, foi senadora e atuou como líder do governo no Congresso Nacional.

O tipo de câncer de mama mais agressivo

Segundo a American Cancer Society, o câncer de mama triplo negativo representa entre 10% e 15% dos casos da doença. Ele é considerado mais agressivo porque cresce e se espalha rapidamente, tem menos opções de tratamento e apresenta prognóstico mais desafiador. O tipo é mais comum em mulheres com menos de 40 anos, negras ou com mutações no gene BRCA1.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) explica que o câncer de mama triplo negativo, tem uma característica de agressividade potencialmente maior do que os tumores hormonais, os chamados subtipos luminais.

Esse tipo de câncer não expressa receptores hormonais de estrogênio, progesterona e à proteína HER2, o que o torna biologicamente distinto dos subtipos Luminal A, Luminal B e HER2-positivo. Então, os tumores triplo negativos causam um pouco mais de medo nas pacientes”, diz o cirurgião oncológico Juliano Cunha, diretor de Comunicação da SBCO.

Nos casos de câncer de mama triplo negativo, o tratamento, quando a doença não é inicialmente operável, pode começar pela quimioterapia, etapa chamada de neoadjuvante, seguida da cirurgia para retirada do tumor. A estratégia permite avaliar a resposta tumoral e definir o melhor plano cirúrgico, como no caso da deputada Roseana Sarney.

Por não responder ao tratamento com hormonioterapia ou terapias-alvo, o tratamento inicial costuma ser a quimioterapia, muitas vezes acompanhada de imunoterapia, seguida de cirurgia para retirada do tumor”, explica Viviane Rezende de Oliveira, vice-presidente da SBCO.

Risco de recidiva é maior nos primeiros anos após o tratamento

Os especialistas explicam que o câncer de mama triplo negativo costuma apresentar taxas mais altas de recidiva nos primeiros cinco anos após o tratamento, especialmente quando não há resposta completa à quimioterapia.

No entanto, pacientes que permanecem livres da doença após cinco anos têm risco residual baixo, em torno de 2% a 3% segundo o MD Anderson Cancer Center, independentemente do estágio inicial.

O risco de recorrência do câncer de mama depende de fatores como o estágio inicial da doença, o status dos receptores e a resposta aos tratamentos realizados. A recidiva pode ocorrer na mesma mama, em linfonodos próximos ou em órgãos distantes, como cérebro, pulmão, fígado e ossos.

O risco de recidiva é mais acentuado especialmente nos dois primeiros anos”,  explica Viviane Rezende de Oliveira.  Por isso, o acompanhamento médico rigoroso é fundamental, sobretudo nos primeiros anos após o término da terapia.

Formas de tratamento

Segundo o especialista, a escolha do tratamento pré-operatório não altera a necessidade de cirurgia, mas contribui para avaliar a resposta tumoral e planejar o procedimento com mais segurança.

A princípio, o tratamento não muda em relação à estratégia cirúrgica, embora possa aumentar a chance de realizarmos uma cirurgia mais conservadora, evitando a mastectomia. A diferença é que, para tumores acima de um centímetro, hoje se indica iniciar pela quimioterapia e, depois, realizar a cirurgia. Essa é a principal orientação nesses casos”, completa.

Juliano Cunha comenta que a conduta reforça o papel do especialista em cirurgia oncológica na equipe multidisciplinar. “O cirurgião oncológico precisa estar atualizado para indicar o tratamento sistêmico antes da cirurgia, quando isso traz benefícios reais aos pacientes. É um diferencial do especialista”, ressalta.

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