Agosto Dourado é a campanha dedicada à conscientização sobre a importância da amamentação. Apesar do amplo trabalho de conscientização ao longo deste mês, um assunto que costuma gerar dúvidas é a relação entre amamentação e flacidez das mamas. Esse, aliás, é um dos muitos mitos frequentes sobre o aleitamento materno.
Mas especialistas garantem: as pesquisas mostram que as alterações na firmeza das mamas estão muito mais relacionadas às mudanças naturais da gravidez, ao envelhecimento, à predisposição genética, às características da pele e às variações importantes de peso do que à amamentação em si.
Durante a gravidez, as mamas passam por mudanças naturais para se preparar para a amamentação. Essas transformações acontecem independentemente de a mulher amamentar ou não. Por isso, não é correto atribuir a flacidez à amamentação. Informações baseadas em evidências ajudam a combater esse mito e permitem que mais mulheres amamentem com segurança e tranquilidade”, destaca ginecologista e obstetra Elis Nogueira.

A médica lembra ainda que nem sempre a amamentação acontece de forma simples. Algumas mulheres podem enfrentar dificuldades nesse processo e precisam de acolhimento, orientação médica e apoio da família para superar os desafios e manter o aleitamento sempre que possível.
Os benefícios da amamentação
Considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o alimento mais completo para o bebê nos primeiros seis meses de vida, o aleitamento materno ainda está longe de fazer parte da realidade de muitas famílias brasileiras. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) mostram que apenas 45,8% dos bebês brasileiros menores de seis meses recebem exclusivamente leite materno, percentual ainda abaixo do recomendado.
Segundo a OMS e o Unicef, aumentar a prática da amamentação em todo o mundo pode evitar mais de 820 mil mortes de crianças menores de cinco anos todos os anos, além de reduzir significativamente casos de diarreia, infecções respiratórias e outras doenças da infância.
O leite materno contém todos os nutrientes de que o bebê precisa nos primeiros seis meses de vida. Além de fortalecer as defesas do organismo, ajuda a reduzir o risco de infecções, alergias e internações, favorecendo também o vínculo entre mãe e filho”, explica.
Amamentação e câncer de mama: ciência que protege
Mitos e verdades sobre como a amamentação impacta na prevenção do câncer de mama
Os benefícios também alcançam a saúde da mulher. Estudos mostram que a amamentação contribui para reduzir o risco de câncer de mama e de ovário, diabetes tipo 2 e hipertensão arterial, além de favorecer a recuperação do organismo após o parto. Estudos científicos mostram que amamentar não é apenas um ato de nutrição e vínculo, mas também uma ferramenta poderosa de proteção contra o câncer de mama.
Um estudo publicado na revista The Lancet (2016), que avaliou dados de 47 estudos em 30 países, concluiu que mulheres que amamentaram tiveram risco 4,3% menor de desenvolver câncer de mama a cada 12 meses de amamentação, considerando todos os filhos. Já mulheres que nunca amamentaram apresentam risco maior em comparação com aquelas que prolongaram a prática.
Para desmistificar o tema, a enfermeira obstetra Cinthia Calsinski, consultora internacional de lactação certificada pelo IBCLC, consultora do sono materno-infantil pelo International Parenting and Health Institute e educadora parental pela Positive Discipline Association, responde aos principais mitos e verdades.

A proteção acontece porque o corpo “gasta energia” produzindo leite?
Mito. A explicação é bem mais complexa. A proteção está ligada a quatro fatores principais: menor exposição ao estrogênio (hormônio associado ao crescimento de células tumorais), maturação celular das mamas durante a lactação (que reduz a suscetibilidade a mutações), descamação natural de células mamárias alteradas no processo de produção de leite e, por fim, o impacto positivo da amamentação no metabolismo materno, ajudando a prevenir o acúmulo de gordura ao longo da vida.
Só quem amamenta por muito tempo tem algum benefício?
Mito. Toda amamentação conta. Mesmo períodos mais curtos já oferecem proteção, mas o efeito é cumulativo: quanto maior o tempo total de amamentação ao longo da vida, maior a redução do risco. Segundo dados da OMS, se todas as mulheres amamentassem por pelo menos 12 a 24 meses, até 20 mil mortes por câncer de mama poderiam ser evitadas todos os anos no mundo.
Amamentar protege apenas a mãe?
Mito. A amamentação traz benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. Para o pequeno, além de nutrição e fortalecimento imunológico, há redução do risco de diversas doenças ao longo da vida. Para a mãe, além da diminuição do risco de câncer de mama, estudos apontam impacto positivo na proteção contra câncer de ovário e no controle de peso pós-gestação.
Amamentar é só uma questão de escolha?
Mito. Embora a decisão final sempre seja da mulher, é importante lembrar que amamentar envolve apoio social, familiar e, principalmente, estrutural. “Muitas mulheres querem amamentar, mas enfrentam dificuldades, falta de orientação adequada e até pressões externas. É fundamental que haja suporte para que a amamentação possa acontecer de forma saudável e prazerosa”, ressalta Cinthia.
No fim das contas, amamentar é muito mais que alimentar. É nutrição, vínculo e proteção. Um presente que a mãe dá ao bebê, mas que também se reflete em benefícios diretos para a saúde dela. A mensagem neste Agosto é clara: pequenos gestos, como a amamentação, podem ter impacto enorme na saúde da mulher e do bebê.




