A escoliose é um desvio tridimensional da coluna, pode causar dor, deformidade e, em casos graves, comprometer a função pulmonar e cardíaca. A cirurgia corretiva é, muitas vezes, a única solução para evitar a progressão da doença e suas complicações, devolvendo ao paciente a chance de uma vida plena e ativa. Junho Verde é uma campanha internacional de conscientização sobre a escoliose, condição médica caracterizada pela curvatura anormal da coluna vertebral.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença acomete cerca de 2% da população mundial. Segundo a Sociedade Brasileira de Coluna, cerca de 6 milhões de brasileiros convivem com algum grau da condição. A forma mais comum é a escoliose idiopática do adolescente, que costuma surgir entre os 10 e 18 anos, justamente no período de crescimento acelerado.
O tratamento varia conforme o grau da curvatura e o estágio de desenvolvimento do paciente. Dados recentes indicam que a escoliose atinge entre 2% e 3% da população, com maior incidência na pré-adolescência, fase em que a curvatura pode evoluir rapidamente por causa do estirão de crescimento.
Estudos baseados em critérios da Scoliosis Research Society indicam que entre 2% e 4% das crianças e adolescentes apresentam escoliose idiopática. Em muitos casos, os sinais aparecem de maneira discreta: diferença na altura dos ombros, assimetria corporal, roupas que parecem “tortas” no corpo ou dores recorrentes nas costas.
Junho, conhecido internacionalmente como Junho Verde, marca o Mês de Conscientização da Escoliose e reforça a importância do diagnóstico precoce. O tema ganha ainda mais relevância por envolver diagnóstico precoce, impacto na qualidade de vida e, em casos mais graves, risco de comprometimento respiratório e cardíaco.
Durante muito tempo, a escoliose foi tratada como um detalhe postural ou uma alteração estética sem grande impacto na rotina. Hoje, a percepção começa a mudar. O avanço da tecnologia médica, aliado ao aumento da informação entre famílias e profissionais de saúde, tem ampliado o debate sobre uma condição que ainda passa despercebida em milhares de jovens brasileiros.
Para Pedro Gurgel, fisioterapeuta, a maior dificuldade ainda está na identificação precoce. “Muitas famílias só descobrem quando a curvatura já avançou. No início, os sinais podem parecer apenas uma questão de postura ou fase de crescimento. O problema é que a escoliose tende a evoluir justamente durante o desenvolvimento do adolescente”, explica.
Nos últimos anos, hospitais, clínicas e centros especializados passaram a investir em ferramentas que ajudam a detectar e acompanhar a evolução da doença com mais precisão. Recursos envolvendo inteligência artificial, impressão 3D, escaneamento corporal e dispositivos personalizados vêm transformando a forma como a escoliose é monitorada e tratada.
O movimento acompanha uma mudança importante dentro da própria saúde. O paciente atual já não procura apenas tratamento. Existe uma busca crescente por diagnósticos mais rápidos, procedimentos menos invasivos, previsibilidade na recuperação e menor impacto na rotina escolar, social e emocional dos jovens.
O mercado global de dispositivos para coluna movimenta atualmente cerca de US$ 15 bilhões e deve ultrapassar os US$ 20 bilhões na próxima década, impulsionado pela demanda por tecnologias minimamente invasivas e tratamentos personalizados.
O comportamento das famílias mudou muito. Hoje existe pesquisa, comparação, interesse por novas tecnologias e preocupação com qualidade de vida no longo prazo. Isso também faz o mercado da saúde se movimentar mais rápido”, afirma Pedro. que representa equipamentos e dispositivos médicos
Além da preocupação clínica, a escoliose também passou a ocupar espaço estratégico dentro do mercado de tecnologia médica. Empresas brasileiras vêm ampliando investimentos em equipamentos, softwares e dispositivos voltados à ortopedia e reabilitação, inclusive com projetos mirando expansão internacional.
Quando o diagnóstico acontece cedo, o paciente ganha tempo, alternativas de tratamento e qualidade de vida. Em muitos casos, isso evita procedimentos mais complexos no futuro e reduz impactos emocionais justamente em uma fase muito sensível da vida”, finaliza Pedro.
Escoliose: grau de curvatura da coluna define tratamento
Fator importante para determinar se o tratamento da escoliose será cirúrgico ou conservador, o grau de curvatura da coluna é determinado a partir de avaliação clínica de médico ortopedista aliada a exames de imagem. Em casos leves de escoliose, com curva entre 10 e 25 graus, recomenda-se acompanhamento médico periódico, além da realização de exercícios específicos de fisioterapia com o intuito de conter a progressão da deformidade na coluna.
Consideradas moderadas, para curvas a partir de 25 até 40 graus é recomendado o tratamento conservador, ou seja, sem a necessidade de uma intervenção cirúrgica – com o uso de colete por pacientes que estão em fase inicial de crescimento, somado a sessões regulares de fisioterapia com exercícios específicos.
O tratamento cirúrgico é indicado para os casos mais graves, com curvaturas superiores a 40 graus, geralmente decorrentes de diagnósticos tardios ou da ineficácia do tratamento conservador. “A cirurgia busca corrigir a deformidade e ajustar a estrutura óssea para oferecer mais qualidade de vida ao paciente. Para isso, o médico fixa as vértebras na posição adequada utilizando hastes metálicas, ganchos e parafusos, evitando que a curvatura volte a progredir”, explica Alexander Rossato, cirurgião ortopedista especialista em escoliose do Hospital Ortopédico AACD.
O diagnóstico precoce é fundamental. Por isso, é importante que os pais fiquem atentos aos sinais da escoliose e busquem avaliação médica diante de qualquer suspeita. Assimetria dos ombros e quadris, desvio lateral do tronco e uma saliência, que chamamos de gibosidade – quando o paciente inclina para frente – são sinais de alerta”, orienta Dr. Rossato.
Hospital Ortopédico AACD reduz pré-operatório para 30 dias
Já o Hospital Ortopédico AACD consolidou o programa de Navegação de Paciente, que visa melhorar a jornada do paciente cirúrgico de escoliose. A iniciativa conseguiu reduzir o tempo médio de preparo pré-operatório de 43 para 30 dias.
Referência em ortopedia, neuro-ortopedia e na reabilitação de pessoas com mobilidade reduzida permanente ou temporária, a AACD realiza por ano mais de 900 mil atendimentos. A instituição – que está completando 75 anos – é composta por um hospital ortopédico, sete centros de reabilitação e cinco oficinas para entrega de serviços e produtos ortopédicos sob medida.
Atualmente, a AACD possui unidades próprias localizadas em São Paulo, Mogi das Cruzes e Osasco (SP), Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Uberlândia (MG). Também atua em cooperação técnica com entidades parceiras em Salvador e Jequié (BA), São José do Rio Preto (SP), Poços de Caldas (MG), Curitiba e Maringá (PR), e Maceió e Arapiraca (AL).
Com Assessorias





