A escoliose é uma alteração da coluna vertebral caracterizada por um desvio lateral associado à rotação das vértebras. A condição pode surgir em diferentes fases da vida, mas é mais frequentemente identificada durante a infância e a adolescência, período de crescimento acelerado. A condição já esteve presente na trajetória de personalidades conhecidas mundialmente, como a atriz Elizabeth Taylor, que conviveu durante anos com problemas na coluna.
No mundo dos esportes, vários atletas de sucesso já revelaram que têm escoliose desde a infância e chegaram ao topo em suas modalidades, como o velocista Usain Bolt, a escaladora olímpica Kyra Condie, a nadadora Natalie Coughlin e o tenista James Blake.
Em 2025, o surfista americano Kelly Slater, de 53 anos, revelou conviver com a escoliose. Considerado um dos maiores nomes do surfe mundial, ele compartilhou nas redes sociais que enfrenta a condição há alguns anos, ressaltando que a doença pode afetar diferentes áreas do tronco. Na publicação, o atleta também mostrou uma tomografia em que é possível ver a curvatura de sua coluna.
Acredito que é importante que as pessoas saibam que todos enfrentamos doenças físicas e que é possível encontrar formas de minimizar seus impactos e, potencialmente, reverter o que surge”, escreveu Slater.
Com acompanhamento especializado, fisioterapia e fortalecimento muscular, Bolt construiu uma das carreiras mais vitoriosas da história do esporte. Para especialistas, casos como esses ajudam a ampliar a conscientização sobre diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e qualidade de vida.
O médico ortopedista André Evaristo Marcondes, especialista em coluna do Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês, explica que a escoliose consiste em uma curvatura lateral anômala da coluna vertebral.
A rotação ou o desvio provocados pela escoliose fazem com que haja uma curva na região. Popularmente, é conhecida como ‘coluna em S’, e as formas de tratamento vão desde o acompanhamento médico periódico até a utilização de coletes específicos ou cirurgias na coluna.”
Escoliose afeta até 4% da população e exige atenção na fase de crescimento
Dados da Sociedade Brasileira de Coluna indicam que a escoliose afeta cerca de 2% a 4% da população mundial, sendo a forma idiopática do adolescente a mais comum. No Brasil, milhares de jovens convivem com a condição, muitas vezes sem diagnóstico, já que os sinais iniciais podem passar despercebidos.
Segundo especialistas, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar a progressão da doença e possíveis complicações futuras. De acordo com o ortopedista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Thales Gonçalves, a observação atenta de alguns sinais pode fazer toda a diferença para o tratamento.
Os pais e responsáveis devem ficar atentos a assimetrias no corpo, como um ombro mais alto que o outro, diferenças na região das axilas, alteração do chamado Triângulo de Tales, que é o espaço entre os braços e o tronco, além da obliquidade da pelve, quando um lado do quadril parece mais elevado. Esses sinais podem indicar a presença da escoliose e merecem avaliação médica”, explica.
O diagnóstico é realizado por meio de exame clínico e, quando necessário, complementado por exames de imagem, especialmente o raio-x panorâmico da coluna vertebral. Segundo o especialista, nem todos os casos exigem tratamento cirúrgico.
Após a avaliação clínica, muitos pacientes podem ser acompanhados apenas com observação periódica ou fisioterapia. O acompanhamento é especialmente importante durante a fase de crescimento, quando existe maior risco de progressão da curva”, destaca Thales.
Embora a maioria dos casos apresente boa evolução quando acompanhada adequadamente, a falta de diagnóstico e tratamento pode trazer consequências importantes para a saúde.
Em situações mais graves e negligenciadas, a deformidade pode evoluir para curvaturas superiores a 100 graus, comprometendo inclusive a função pulmonar e a qualidade de vida do paciente. Nesses casos, a cirurgia pode ser indicada para correção da deformidade e prevenção de novas complicações”, ressalta.
O especialista reforça que consultas regulares durante a infância e adolescência são essenciais para identificar precocemente alterações posturais e garantir melhores resultados no tratamento. “O diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para evitar a progressão da escoliose e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes”, conclui.
Com Assessorias







