40% das pessoas com diabetes podem ter problemas renais

Diabetes e hipertensão arterial são causas da doença renal crônica, que pode levar a diálise ou transplante de rim, como é o caso de Faustão. Entenda por que isso ocorre

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Doenças preexistentes, como diabetes, hipertensão e obesidade, são as principais causas de falhas no funcionamento dos rins, sendo responsáveis por cerca de 80% dos casos da doença renal crônica (DRC), uma preocupação crescente na saúde pública em todo o mundo. A relação entre diabetes  e DRC tem preocupado particularmente os especialistas.

De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), em torno de 40% das pessoas com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) podem apresentar problemas renais. No mundo, o diabetes já é a principal causa de doença renal crônica.

A elevada taxa de açúcar no sangue proveniente do diabetes tipo 2 pode comprometer a função renal, levando à perda progressiva de capacidade de filtragem. A sobrecarga dos rins pode resultar em insuficiência renal, exigindo hemodiálise ou, em casos extremos, um transplante renal. Atualmente, mais de 37 mil brasileiros estão na fila de transplante de rim do Sistema Único de Saúde (SUS).

O apresentador Fausto Silva, de 73 anos, que convive há décadas com a diabetes, também sofre com a doença renal crônica. Ele faz hemodiálise três vezes por semana, desde antes de passar por um transplante do coração, em agosto do ano passado, e  precisou ser internado às pressas nesta segunda-feira (26), em São Paulo, para passar por um transplante renal.

Faustão também já sofreu com a obesidade, outro fator de risco para as doenças do coração e dos rins. Em 2009, ele chegou a fazer uma bariátrica (cirurgia de redução de estômago) e perdeu mais de 40 kg. Depois, perdeu mais 26 kg ao tratar um edema linfático que teve em uma das pernas.

Dados da última pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), lançada em 2020 pelo Ministério da Saúde, mostram que 7,4% dos brasileiros sofrem com diabetes e 24,5% têm hipertensão. A maioria dos diabéticos são mulheres e pessoas adultas com 65 anos ou mais. O mesmo perfil se aplica à hipertensão arterial, que acomete 59,3% dos adultos com 65 anos ou mais.

Maioria dos diabéticos sabe das complicações, mas não procura nefrologista

O caso de Faustão reforça o alerta de especialistas para que a população tenha consciência de que doenças crônicas silenciosas são as principais causas do comprometimento dos rins. Um recente estudo realizado pelo Instituto Ipsos, a pedido da farmacêutica Bayer, que revelou um cenário preocupante para a saúde renal de pacientes com diagnóstico de diabetes tipo 2.

De acordo com o levantamento realizado no Brasil, México, Colômbia e Argentina, metade dos entrevistados afirma conhecer as complicações cardiovasculares e 60% têm conhecimento das comorbidades renais que podem vir a desenvolver por ter DM2.

O estudo também mostra que 61% dos entrevistados da Região Sudeste do país afirmaram saber que o diabetes tipo 2 pode causar doença renal do diabetes (DRD) e a maioria realiza exames para acompanhar a saúde dos rins. No entanto, 48% afirmam nunca ter recebido a indicação para procurar um nefrologista.

Realizado com apoio da Sociedade Latino-americana de Nefrologia e Hipertensão (SLAHN) e sociedades locais de nefrologia, o estudo ouviu 1.500 pacientes com diabete mellitus 2, homens e mulheres, com faixa etária a partir dos 40 anos. A pesquisa revelou que 72% dos pacientes com DM2 são diagnosticados pelo clínico feral e 29% por um especialista em diabetes.

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A importância do diagnóstico precoce para o controle da doença

“Por ser uma doença silenciosa, a ausência de sintomas faz com que a preocupação do paciente seja menor e isso pode trazer prejuízos no longo prazo”, explica Isabella Laba, médica endocrinologista e líder médica da área cardiorrenal na Bayer Brasil.

Por isso, é essencial que qualquer especialidade médica envolvida no tratamento desta condição esteja atenta ao rastreio periódico e manejo destas complicações, além da implementação das medicações que trazem benefícios aos pacientes com DM2 no momento correto da sua jornada, evitando a inércia no tratamento. O diagnóstico de DRD é realizado a partir de exames simples de sangue (creatina), e urina (albuminuria).

“O diagnóstico precoce é o cenário ideal para que possa haver um bom acompanhamento e tratamento do DM2 e suas consequências, e é responsabilidade do médico que acompanha este paciente, independente da sua especialidade, iniciar um manejo terapêutico individualizado que irá proporcionar não só o controle glicêmico, mas também das suas complicações”, explica Dra. Isabella.

Tratamento não é focado apenas no controle da glicemia

Antes glucocêntrico (voltado exclusivamente para o controle da glicemia), hoje o tratamento do diabetes é multifatorial e busca além do manejo da glicemia, promover a prevenção e controle das comorbidades do DM2, como a doença renal e as doenças cardiovasculares. Inovações no tratamento do DM2 vêm permitindo que o pacientes se beneficiem deste cuidado holístico.

“É fundamental que os pacientes com diabetes compreendam a importância do tratamento adequado da doença para evitar complicações que podem ser irreversíveis e impactam diretamente a qualidade de vida, como a doença renal”, enfatiza a especialista. O acompanhamento médico regular e estabelecer uma rotina de autocuidado que ajude a prevenir complicações graves e potencialmente fatais relacionadas ao diabetes, são essenciais, completa.

Com Assessorias

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