A desinformação em torno da vacina contra o HPV preocupa especialistas. Uma pesquisa recente da Fundação Nacional do Câncer mostrou que muitos adolescentes desconhecem a real função da vacina: mais de um terço deles não sabe que ela previne o câncer do colo do útero, e até 57% acreditam, de forma equivocada, que poderia trazer riscos à saúde.

Há ainda a falsa percepção de que a vacina protegeria contra todas as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Entre pais e responsáveis, também persistem equívocos: como a crença, presente em 22% dos entrevistados, de que a vacinação poderia estimular o início precoce da vida sexual.

Obstáculos culturais também persistem: muitas famílias ainda associam a vacina à iniciação sexual precoce e uma visão enviesada, que trata o HPV como um problema exclusivamente feminino, dificulta a conscientização. ASociedade Brasileira de Imunizações recomenda também a vacinação para adultos não imunizados até os 45 anos, mas que iniciar vacinação no início da adolescência é o ideal.

Alguns pais questionam o início do esquema vacinal na idade atualmente recomendada, acreditando que pode significar um estímulo para o início da vida sexual de forma precoce. Mas é justamente nesse período da vida que o organismo apresenta melhor resposta imunológica para a vacina”, diz a infectologista pediátrica Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde

Vacina também previne câncer de vulva, ânus e vagina e de pênis

Diante dessa realidade, é importante reforçar que a ferramenta essencial na luta contra o câncer do colo do útero é a vacinação contra o HPV.  “A imunização pode prevenir também o câncer de vulva, ânus e vagina nas mulheres e de pênis nos homens. Por isso, o ideal é que esse cuidado ocorra antes do início da vida sexual, evitando assim que haja uma exposição ao vírus”.

A vacina é segura, eficaz e amplamente estudada. Infelizmente, ainda há desinformação e medo, muitas vezes alimentados por fake news. Precisamos quebrar esses mitos e levar informação de qualidade, principalmente aos pais e responsáveis”, reforça a médica.

Segundo a médica, a vacina do HPV não contém vírus vivos e é desenvolvida por engenharia genética. “Muitas pessoas ainda têm receio, mas os estudos mostram que ela é segura e tem eficácia próxima de 100%”.

No Brasil, a vacina quadrivalente, que protege contra os quatro tipos mais comuns de HPV relacionados ao câncer, é oferecida gratuitamente pelo SUS nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de todo o Brasil para meninas e meninos a partir dos 9 até os 14 anos e para imunossuprimidos até 45 anos.

Diversos especialistas acreditam que na pandemia as medidas restritivas impostas para evitar o aumento do contágio pela covid-19, assim como o fechamento das escolas, pode ter impactado em uma menor procura pela vacinação contra o HPV, uma vez que muitas das campanhas são realizadas nas instituições de ensino.

Tipos de vacina disponíveis contra o HPV

Na rede pública, é oferecida a vacina quadrivalente, que protege contra os quatro tipos do HPV ( 6, 11, 16 e 18). Já na rede privada, está disponível a versão Nonavalente, que inclui esses quatro e mais cinco tipos adicionais. Sylvia Freire explica que existem mais de 200 tipos do vírus, sendo que alguns estão diretamente ligados ao desenvolvimento de cânceres e outras complicações.

Os sorotipos têm diferentes potenciais oncogênicos. Estudos mostram que os tipos 16 e18 são responsáveis por 70% dos cânceres de colo de útero. Juntamente com os tipos 31, 33, 45, 52 e 58 respondem por 90% dos casos da doença.”, diz a infectologista pediátrica Sylvia Freire.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) para as vacinas de HPV são para a faixa etária de 9 a 45 anos. “Se não foi feita na adolescência, pode ser administrada depois no contexto da assistência privada. Para adultos com mais de 45 anos, fora da faixa de licenciamento, a vacinação tem sido considerada em casos específicos pelo médico assistente, em decisão compartilhada com seu paciente.”, explica a médica.

Segundo recomenda a SBim , a Nonavalente deve ser aplicada em duas doses, com seis meses de intervalo, para pessoas de 9 a 19 anos. De 20 a 45 anos de idade, a indicação é de três doses, sendo a segunda após dois meses e a terceira, seis meses.

Para a Quadrivalente, a prescrição é de dose única para meninos em meninas.  Para públicos específicos como pacientes vivendo com HIV , vítimas de violência sexual e portadores de papilomatose respiratória recorrente o esquema vacina da quadrivalente é composto por mais doses.

Para pacientes que desenvolveram papilomatose respiratória recorrente, que cursa com o aparecimento de lesões verrucosas no sistema respiratório, são recomendadas três doses, sendo esse esquema indicado a partir de 2 anos de idade para pessoas com essa condição. ”, destaca a infectologista. “A vacina protege não só contra câncer, mas também contra verrugas genitais e condilomas”, conclui.

A  vacina quadrivalente, usualmente disponibilizada para jovens de 9 e 14 anos pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), teve sua faixa etária ampliada até os 19 anos de forma temporária com intuito de dar à oportunidade de imunização a aqueles jovens que não se imunizaram previamente e dessa forma reforçar a prevenção de doenças graves relacionadas ao HPV.

Com Assessorias

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