Municípios com mais casos de dengue receberão vacinas

Ministério da Saúde também admite aumentar faixa etária a ser imunizada – hoje atinge apenas adolescente de 10 a 14 anos

Ministra Nísia Trindade demonstra preocupação com cocirculação dos vírus da dengue e da gripe (Fotos: Antônio Cruz / Agência Brasil)
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O Ministério da Saúde vai redistribuir as vacinas da dengue para melhor aproveitamento das doses que ainda não foram aplicadas para estados e municípios com mais casos. De acordo com a ministra Nísia Trindade, terão prioridade nesse processo municípios que decretaram emergência em razão da doença.  Até o momento, 1,5 milhão de doses foram distribuídas a 521 municípios selecionados na primeira etapa. Dessas, 435 mil foram aplicadas em adolescentes de 10 a 14 anos.
Ela explicou que serão levados em conta os dados epidemiológicos atualizados e os estoques de vacina em cada unidade da federação. “Vamos fazer a redistribuição das doses que não foram aplicadas e que estão nos municípios. Vamos fazer um ranqueamento dos municípios que estão em situação de emergência por dengue. Está em processo, tem que ser feito de forma muito cuidadosa”, completou.

Nísia também admitiu que a pasta poderia utilizar diversos critérios no momento de redistribuir as doses contra a dengue, entre eles aumentar a faixa etária a ser imunizada na rede pública, atualmente definida entre 10 e 14 anos. “O critério adotado, pela questão de saúde pública que nós vivemos, é ampliar para municípios”, explicou.

“Estamos trabalhando com respaldo dos conselhos estaduais e municipais de saúde e do nosso comitê técnico para que possamos aproveitar as vacinas que não foram utilizadas neste momento. Vamos fazer a redistribuição das doses que não foram aplicadas usando um ranqueamento dos municípios que estão em emergência por dengue”, explicou.

Ela também destacou que ainda é mais importante eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti para evitar a doença, uma vez que não há doses de vacinas suficientes para a maior parte da população.

“A vacina é um instrumento importantíssimo a médio e longo prazo. Ela não é a solução para essa epidemia. Ainda mais uma vacina que é aplicada em duas doses com intervalo de três meses. Temos de dar atenção prioritária e impedir os casos graves ou fazer com que eles sejam tratados adequadamente”, reforçou.

Em breve, será divulgada nota técnica com orientações sobre a redistribuição de doses dentro dos respectivos estados priorizados na vacinação, seguindo um novo ranking estabelecido pelo Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI).

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Acompanhada de sua equipe, Nísia Trindade anuncia redistribuição de doses da vacina (Foto: Walterson Rosa/MS)

Qdenga pode ser produzida na Fiocruz

Em entrevista, a ministra disse que a pasta segue negociando com a farmacêutica Takeda, fabricante da Qdenga, a possibilidade de produção da vacina no Brasil. O plano do governo é utilizar a planta da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que já é responsável pelas produção de doses contra a febre amarela aplicadas no país.

“Já antecipamos que haverá a possibilidade de uma produção nacional, mas só vamos fazer o anúncio completo, com segurança, com todos os dados e o cronograma. Ainda não temos a definição precisa de quantas doses poderão ser produzidas. Há várias questões técnicas que também demandarão uma análise na própria Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. Não é automático”, disse Nísia.

Após distribuição pelo Ministério da Saúde, a vacinação contra a dengue nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) começou em fevereiro, às vésperas do Carnaval, em 521 municípios selecionados, inicialmente para crianças e adolescentes de 10 e 11 anos. No início de março, a pasta autorizou a ampliação da vacinação para adolescentes até 14 anos, a pedido das secretarias estaduais, porque nos postos de saúde a procura por imunização está muito baixa.

Ministério quer acelerar vacina do Butantan

Segundo Nísia, o ministério acompanha de perto os avanços da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. “Temos apoiado o Instituto Butantan no desenvolvimento da vacina, que já alcançou, segundo publicações, bons resultados na fase 3 de sua pesquisa clínica”, disse. “Toda essa documentação caberá ao Instituto Butantan – não é um papel do Ministério da Saúde – encaminhar à Anvisa”, acrescentou.

“Ainda não foi anunciado um cronograma formal pelo instituto, mas estamos trabalhando muito juntos. Estarei em São Paulo, inclusive, na próxima semana, com o diretor do Instituto Butantan. Vamos ter a oportunidade de atualizar isso e ver se há algo mais, além do que temos feito, que o ministério possa fazer no sentido de acelerar esse processo. Essa é a nossa disposição por causa da expectativa de ter a vacina como, de fato, o que ela é: um instrumento importantíssimo. Não o único, mas muito importante para esse enfrentamento.”

Com informações da Agência Brasil e Ministério da Saúde

 

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