Celebrado em 8 de julho, o Dia Mundial da Alergia reforça a importância da conscientização sobre as doenças alérgicas que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Prevenir, diagnosticar e tratar são os pilares fundamentais para o controle das doenças alérgicas, que apresentam alta a cada ano, e costumam ser agravadas por fatores ambientais, como mudanças climáticas, poluição atmosférica, mudanças bruscas de temperatura, baixa umidade do ar e excesso de umidade dentro dos ambientes.

As doenças alérgicas são extremamente prevalentes no Brasil, com destaque para a rinite alérgica, que atinge cerca de 30% da população. Entre elas, a rinite alérgica se destaca por sua alta prevalência e pelo impacto direto na qualidade do sono, na produtividade e no bem-estar diário. Cerca de 26% das crianças brasileiras têm rinite e em adolescentes esse percentual vai a 30%, de acordo com dados do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância Isaac), aplicados em vários estados brasileiros.

Diante desse cenário, cresce também o interesse da população por informações sobre prevenção, sintomas e formas de controlar os gatilhos das crises. A busca por soluções para melhorar a qualidade do ar dentro de casa, por exemplo, tornou-se cada vez mais comum, especialmente em regiões sujeitas a condições climáticas que favorecem problemas respiratórios.

Levantamento inédito mapeia os estados brasileiros que mais pesquisam sobre a rinite alérgica

Um estudo realizado pela Sterilair, que fabrica purificadores de ar, com base em buscas no Google Brasil pelo termo “rinite” proporcional a 100 mil habitantes durante o período entre maio de 2025 e abril de 2026, revelou quais são os estados brasileiros que mais realizam pesquisas pela doença. Os dados tratam-se apenas de buscas online e não refletem, necessariamente, quaisquer comportamentos adjacentes.

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O levantamento aponta o Distrito Federal como líder do interesse online pelo tema, seguido por Amapá e São Paulo. Entre os dez estados com maior volume proporcional de buscas também aparecem representantes das regiões Sul, Norte, Nordeste e Sudeste, como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Amazonas, Rio de Janeiro, Sergipe e Ceará.

Distrito Federal lidera buscas por rinite e reflete impacto da seca prolongada

O Distrito Federal ocupa a primeira posição no ranking nacional de buscas proporcionais sobre rinite. O resultado acompanha uma característica marcante da região: os longos períodos de estiagem e os baixos índices de umidade do ar registrados principalmente entre o outono e o inverno.

Nessas condições, a mucosa nasal tende a ficar mais ressecada e sensível, favorecendo o surgimento ou o agravamento dos sintomas de rinite alérgica. Além disso, a combinação entre ar seco, acúmulo de poeira e poluição atmosférica intensifica o desconforto respiratório e aumenta a procura por informações sobre prevenção e tratamento.

O resultado do estudo sugere uma preocupação crescente da população com os impactos da qualidade do ar na saúde, especialmente em uma das regiões brasileiras mais afetadas pela baixa umidade.

Amapá mostra que excesso de umidade também favorece alergias respiratórias

Na segunda colocação aparece o Amapá, evidenciando que os desafios respiratórios não estão associados apenas aos ambientes secos. No estado, o período conhecido como inverno amazônico, marcado pelo aumento das chuvas entre dezembro e maio, cria condições favoráveis para a proliferação de fungos e mofo dentro das residências.

Esses agentes estão entre os principais desencadeadores das crises alérgicas e ajudam a explicar o elevado interesse pelo tema na região.

Poluição urbana e inverno rigoroso ajudam a explicar interesse

Além dos dois primeiros colocados, o ranking reúne regiões com características ambientais bastante distintas, mas que compartilham fatores associados ao agravamento das alergias respiratórias.

Em estados altamente urbanizados, como São Paulo e Rio de Janeiro, a poluição atmosférica, o tráfego intenso e a grande concentração populacional contribuem para o aumento dos sintomas respiratórios.

Já na região Sul, a presença simultânea de Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina entre os dez estados com maior volume proporcional de buscas evidencia a influência das baixas temperaturas.

A rinite é uma inflamação da mucosa que reveste o nariz, provocada por uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias normalmente inofensivas no ambiente, como ácaros da poeira domiciliar, fungos, pólens e pelos de animais.

Os sintomas da rinite são caracterizados por coceira frequente no nariz e/ou nos olhos, espirros seguidos, principalmente pela manhã e à noite, coriza (nariz escorrendo) frequente e obstrução nasal, mesmo na ausência de resfriados

Os principais sintomas são os espirros repetidos, a coriza, a obstrução nasal e a coceira no nariz, nos olhos, no céu da boca e até nos ouvidos. Além disso, algumas pessoas também podem apresentar tosse, principalmente devido ao gotejamento de secreção pela parte posterior do nariz”, explica aotorrinolaringologista, alergista e imunologista Mila Almeida.

Nem toda rinite é de origem alérgica

Apesar de bastante comum, nem toda rinite é de origem alérgica. De acordo com a especialista, existem outros tipos, como a rinite infecciosa, medicamentosa, hormonal, gestacional, gustativa, desencadeada por alimentos quentes ou condimentados, além da provocada por irritantes ambientais, como mudanças bruscas de temperatura, fumaça e perfumes fortes.

É por isso que o diagnóstico correto é fundamental para indicar o tratamento mais adequado”, ressalta a Dra Mila, que é membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).

Outro ponto importante é diferenciar a rinite de outras doenças respiratórias que apresentem sintomas semelhantes. A gripe, causada pelo vírus influenza, costuma provocar febre, dores no corpo, mal-estar intenso e outros sintomas importantes. Já a sinusite, corresponde à inflamação dos seios da face, provocando, geralmente, congestão nasal intensa, secreção mais espessa, dor na face e redução do olfato.

Pequenos cuidados que fazem a diferença

Embora muitas vezes a rinite alérgica seja encarada como um problema simples, ela pode comprometer de maneira significativa a qualidade de vida. Além de prejudicar o sono, a concentração e o rendimento nas atividades do dia a dia, quando não tratada adequadamente pode favorecer o agravamento de outras doenças respiratórias, especialmente a asma e a conjuntivite alérgica.

O diagnóstico deve considerar a história clínica do paciente, os fatores ambientais e os antecedentes familiares. Além disso, testes alérgicos e exames laboratoriais podem auxiliar na identificação da causa da alergia”, afirma.

Segundo a médica, o tratamento é individualizado e inclui medidas de controle ambiental, lavagem nasal com solução salina, uso de sprays nasais com corticoides para controlar a inflamação e, quando necessário, medicamentos antialérgicos para aliviar os sintomas. Em alguns casos, a imunoterapia específica, conhecida popularmente como “vacina para alergia”, pode ser indicada.

De acordo com a especialista, esse é o único tratamento capaz de modificar o curso natural da doença alérgica, promovendo tolerância aos alérgenos que desencadeiam os sintomas.

Além de reduzir a intensidade e a frequência das crises, a imunoterapia pode diminuir o risco de progressão da rinite alérgica para asma e prevenir complicações, como a ceratoconjuntivite alérgica, proporcionando melhor qualidade de vida a longo prazo.”

Purificador de ar para rinite como reduzir as crises de rinite em ambientes fechados

Ácaros da poeira, fungos, pelos de animais, fumaça de cigarro e odores químicos estão entre os principais responsáveis pela rinite. Por isso, o controle dos alérgenos domésticos é uma das principais estratégias para minimizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida de quem convive com a condição. Alguns hábitos simples podem ajudar a diminuir a presença desses agentes dentro de casa:

• Manter os ambientes ventilados para favorecer a renovação do ar;

• Higienizar colchões, travesseiros, roupas de cama e cortinas regularmente;

• Controlar a umidade para evitar o surgimento de mofo;

• Limpar filtros de ar-condicionado com frequência;

• Evitar fumaça de cigarro em ambientes internos;

• Dar preferência a produtos de limpeza com menos fragrâncias e compostos irritantes;

• Evitar mudanças bruscas de temperatura sempre que possível.

Além dessas medidas, o uso de purificador de ar pode contribuir para o controle da qualidade do ar em ambientes fechados. Esses aparelhos são desenvolvidos para reter partículas suspensas no ambiente, incluindo poeira, pólen, pelos de animais e outros alérgenos frequentemente associados às crises respiratórias.

Para além da rinite alérgica

Para além da rinite alérgica, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) esclarece que a asma alérgica é condição muito prevalente no Brasil, atingindo cerca de 20% da população brasileira.

No mundo, a asma afeta cerca de 260 milhões de indivíduos e é responsável por mais de 450 mil mortes anuais. Os principais sintomas da asma são falta de ar, chiado no peito, tosse, sensação de cansaço e dor no peito (frequentemente após esforço físico ou até mesmo ao falar e rir).

Outra doença com impacto significativo na qualidade de vida é a dermatite atópica, doença crônica da pele, não contagiosa, que afeta pessoas de todas as idades, mas, principalmente, crianças – cerca de 20% – sendo que 5% dessas apresentam a forma mais grave da doença.

Aproximadamente 60% dos casos se iniciam no primeiro ano de vida. Estima-se que 3% dos adultos tenham dermatite atópica. A coceira intensa e as lesões de pele levam o paciente a quadros de ansiedade e, em alguns casos, até à depressão.

Urticária, alergia alimentar, alergia a medicamentos, angioedema hereditário e erros inatos da imunidade são outras doenças tratadas pela especialidade de Alergia e Imunologia e que têm impacto profundo na qualidade de vida dos indivíduos.

Quem cuida, também precisa de cuidado

É comum que pais e cuidadores dediquem atenção total ao controle das crises das crianças, mas convivam com sintomas próprios sem buscar ajuda.

No dia a dia do consultório, observarmos mães que controlam a alergia dos filhos, mas ignoram a própria rinite. O adulto, muitas vezes, considera uma crise de asma “apenas uma tossinha” e não procura atendimento médico”, conta Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Asbai.

Para garantir uma vida com mais qualidade, a Asbai preparou algumas orientações:

  • O diagnóstico não é o fim, mas o início do controle. Seguir o tratamento prescrito previne crises graves.
  • Sintomas como tosse persistente, espirros constantes, coceira na pele e falta de ar não devem ser normalizados. Podem ser sinais de alergias não diagnosticadas. 
  • Alergia é uma doença séria, não “frescura”. Informação médica segura é o único caminho para proteger a saúde, evitando receitas caseiras sem comprovação.
  • O tratamento vai além dos remédios. O controle de poeira, mofo e ácaros no ambiente doméstico é parte integrante e essencial do tratamento.

Com Assessorias

 

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