Dados oficiais indicam que o uso de tecnologias como inteligência artificial e big data pode reduzir em até cinco vezes o tempo de espera por atendimento de emergência, além de tornar o diagnóstico e a assistência especializada mais rápidos e precisos. Para permitir que usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) possam ter acesso a esses benefícios, o Ministério da Saúde anunciou a criação do primeiro hospital inteligente do SUS, que funcionará no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC USP).

O acordo de cooperação, assinado na sexta-feira (14), oficializa a parceria com a USP e o estado de São Paulo, que fará a cessão do terreno. A iniciativa faz parte de uma rede nacional de hospitais e serviços de saúde inteligentes e de medicina de alta precisão.  A proposta é reunir tecnologia avançada, alta especialização e cooperação internacional para modernizar o atendimento no SUS.

Anunciada oficialmente nesta terça-feira (18), em Brasília, a rede integra o programa Agora Tem Especialistas, voltado para a expansão do atendimento especializado na rede pública. A rede prevê a instalação de 14 unidades de terapia intensiva (UTIs) automatizadas que funcionarão de forma interligada em 13 estados nas cinco regiões do país, nas cidades de Manaus, Dourados (MS), Belém, Teresina, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. 

Outras oito unidades hospitalares serão modernizadas “com envolvimento de universidades e secretarias de saúde”. A rede oferecerá serviços totalmente digitais, monitoramento contínuo e integração entre equipamentos e sistemas de informação. A tecnologia auxiliará na previsão de agravos, apoiará decisões clínicas, otimizará avaliações e permitirá a troca de conhecimento entre especialistas em diferentes regiões. Também estarão conectadas a uma central de pesquisa e inovação.

Rio terá novas UTIs automatizadas e hospitais modernizados

No Rio de Janeiro, o Hospital Federal de Bom Sucesso e o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho foram selecionados para receber UTIs automatizadas dentro da nova Rede Nacional de Serviços Inteligentes e de Medicina de Alta Precisão do SUS, apresentada pelo Ministério da Saúde.

Além deles, quatro hospitais federais, o novo Hospital Oncológico da Baixada Fluminense e o Instituto do Cérebro do Rio serão modernizados como hospitais de excelência do SUS e contarão com serviços inovadores estruturados a partir da implantação de tecnologias digitais e inteligência artificial.

Não tenho dúvida de que, hoje, nós estamos entrando em uma nova era de inovação para o SUS e para a saúde do país”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Não estamos falando só de construção de hospitais, de modernização de UTIs e de hospitais que já existem. Estamos falando de um movimento de incorporação tecnológica, de parcerias de transferência tecnológica”, completou, durante entrevista.

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Primeiro hospital inteligente do país

Nova estrutura digital terá papel fundamental na modernização da saúde pública e reduzirá o tempo de espera por atendimento

18.11.2025 - Brasília (DF) - Coletiva de Imprensa - Agora Tem Especialistas: Apresentação do projeto da rede nacional de hospitais e serviços de saúde inteligentes e medicina de alta precisão. Fotos: Luiza Frazão/MS© Luiza Frazão/MS

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o hospital inteligente e a rede de serviços de alta precisão só é possível graças à cooperação internacional, que envolve bancos de desenvolvimento, parceiros estratégicos e instituições de pesquisa. O Ministério da Saúde conclui as etapas finais do pedido de investimento junto ao Banco do BRICS para viabilizar o projeto, na ordem de R$ 1,7 bilhão.

O Brasil entra com força nesse novo ambiente global de reorganização da saúde, onde tecnologia da informação, inteligência artificial e práticas inovadoras estão redesenhando a forma de cuidar das pessoas. Esse projeto é um marco para o SUS, para a inovação tecnológica e para o papel do país no cenário internacional”, afirmou o ministro.

A idealizadora do projeto do Hospital Inteligente de Urgência e Emergência, a professora titular de Emergências da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Ludhmila Hajjar, destacou a importância da criação de hospitais inteligentes no país.

O paciente grave, de emergência, é o que mais se beneficia dessas tecnologias redutoras de tempo, que vão instituir terapias personalizadas. Esse hospital dá um salto para a medicina de precisão, centrada no paciente. É um SUS que vai cuidar de maneira eficiente e segura do paciente de alta complexidade”, disse.

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Proposta foi levada ao banco dos Brics

Em março deste ano Padilha apresentou a proposta para a implementação da rede nacional de serviços inteligentes junto ao Banco dos BRICS. Em julho, a demanda foi anunciada pela presidente da Dilma Rousseff, durante reunião de lideranças do bloco no Rio de Janeiro.

Em outubro, durante agenda oficial na China, Padilha firmou acordos de cooperação tecnológica com instituições chinesas e apresentou o projeto ao banco para reforçar o apoio financeiro da instituição para a construção do instituto.

Uma missão técnica do banco do BRICS já visitou o local previsto para a construção do novo Instituto do HC-USP, sendo a assinatura do ACT pelo Ministério da Saúde, governo do Estado de São Paulo, Faculdade de Medicina da USP e Hospital das Clínicas o último documento para a avaliação final.

Da Agência Brasil (atualizada em 18/11/25)

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