As pessoas se preocupam em manter uma alimentação saudável e prestam atenção ao que vai no prato. Mas muitas vezes, deixam a bebida em segundo plano e nem se preocupam com o que bebem e como a bebida pode influenciar a saúde.

Mas será que todas as bebidas têm o mesmo impacto sobre a saúde? 

Água

Café

O café traz mais de 1.000 ingredientes ativos, como cafeína, minerais e vitaminas que propiciam diversos benefícios à saúde. Pesquisas associam a ingestão de duas a quatro xícaras por dia à redução de riscos de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Há bastante evidência observacional relacionando o consumo habitual de café a menor risco de doença cardiovascular, diabetes tipo 2 e mortalidade, embora isso não signifique que café seja um tratamento ou que mais café seja necessariamente melhor.

A análise de diversas publicações científicas publicada no BMJ reuniu 201 meta-análises de estudos observacionais, além de 17 meta-análises de estudos de intervenção. O conjunto das evidências encontrou mais associações favoráveis do que desfavoráveis.

O método de preparo também interfere diretamente nos efeitos do café no organismo, segundo análises do Harvard Health Publishing. Um estudo publicado no European Journal of Preventive Cardiology reforça essa relação ao mostrar que o café filtrado, preparado com coador de papel, pode ser mais benéfico à saúde do que o café fervido sem filtragem, especialmente entre pessoas mais velhas. Isso de deve à redução dos compostos associados ao aumento do colesterol.

Chá

Além do sabor,  publicações como a da Harvard Health, citam pesquisas mostrando associação entre consumo regular de chá (verde e preto) e menor risco de doenças cardíacas, AVC, diabetes e morte precoce. O texto também traz comentário do pesquisador Frank Hu, da Harvard T.H. Chan School of Public Health, sugerindo que 2 a 4 xícaras por dia podem fazer parte de uma alimentação saudável.

Todo chá vem da mesma planta, a Camellia Sinensis. Mas o que muda entre os tipos é o modo de processamento das folhas ( secagem e vaporização). Além da oxidação, responsável pela cor e sabor. Enquanto o chá preto passa por oxidação, ganhando sabor mais intenso, o chá verde tem esse processo interrompido, preservando cor e sabor mais suaves.

Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition analisou mais de 85 mil adultos acima dos 60 anos e observou que uma alimentação rica em flavonoides  (compostos presentes no chá preto, frutas cítricas, maçãs e frutas vermelhas) teve uma associação direta a menor risco de fragilidade, melhor saúde mental e menos declínio físico no envelhecimento. O chá apareceu entre as principais fontes desses compostos.

Pesquisadores japoneses analisaram o chá verde e concluíram que idosos que bebiam regularmente 3 ou mais xícaras da bebida, apresentaram menos anomalias cerebrais, chamadas de lesões na substância branca. Esta substância sustenta e conecta os neurônios, que encolhem à medida que envelhecemos. Ou seja, um cérebro saudável é aquele que possui menos lesões na substância branca. E, consequentemente, menos probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer ou outras demências.

Leite

Presente na mesa dos brasileiros desde a infância, o leite é um dos alimentos mais populares e, ao mesmo tempo, controversos quando o assunto é saúde. Rico em cálcio, proteínas e vitaminas, ele é frequentemente associado à formação óssea e ao crescimento saudável.

“O leite é uma fonte extremamente completa de nutrientes e seu consumo pode trazer benefícios importantes para diferentes fases da vida. Mas é fundamental avaliar a tolerância individual e a qualidade do produto ingerido”, afirma o nutrólogo Daniel Magnoni.

Para quem não pode ou prefere não consumir leite de origem animal, o mercado oferece hoje uma ampla gama de alternativas vegetais, como leites de amêndoas, aveia, coco, arroz e soja. Embora nem todas essas opções tenham naturalmente o mesmo perfil nutricional do leite tradicional, muitas são fortificadas com cálcio e vitaminas para suprir essa lacuna.

Suco

Na busca por uma alimentação mais saudável, muitas pessoas se perguntam se um copo de suco pode substituir uma fruta inteira. No entanto, como explica a nutricionista Cintya Bassi, coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, a melhor opção é sempre consumir as frutas in natura.

“A fruta é mais benéfica do que o suco, pois preserva as fibras que ajudam no controle glicêmico. Além de aumentar a saciedade e melhorar o funcionamento intestinal”, afirma Cintya. Essas fibras, essenciais para a saúde, se perdem geralmente durante o processamento da fruta para suco, assim como outros nutrientes que também podem diminuir.

Quando falamos em alimentos prontos para consumo, é fundamental estar atento aos rótulos. A leitura do rótulo é essencial para entender a composição de cada tipo de suco e fazer escolhas que atendam às necessidades nutricionais e preferências alimentares”, explica Dra. Lara Natacci. 

De acordo com a legislação, o painel central da embalagem deve informar se a bebida é um suco 100% fruta (suco integral, suco, suco misto), néctar ou refresco. Assim, é possível encontrar opções interessantes de sucos prontos 100% frutas, sem adição de açúcares, por exemplo, que podem contribuir com nutrientes e com a hidratação, quando consumidos em quantidades adequadas e de acordo com características individuais

Refrigerantes

Em geral, os refrigerantes são compostos por água, gás carbônico, corantes, aromatizantes e ácidos, além de adoçantes, cuja composição pode variar de acordo com o tipo e o fabricante. Nas versões sem açúcar, a doçura é obtida por meio de adoçantes artificiais ou naturais de alta intensidade, que fornecem poucas ou nenhuma caloria.

De acordo com a médica nutróloga Marcella Garcez, o principal problema dos refrigerantes está na alta concentração de açúcar em sua composição, que pode causar problemas de obesidade e diabetes. Embora os refrigerantes zero açúcar não contenham açúcares, eles ainda podem conter níveis significativos de sódio. Algumas versões chegam a ter mais que o dobro de sódio em comparação aos refrigerantes comuns.

Além disso, o consumo excessivo de refrigerantes zero açúcar pode estar associado a efeitos adversos, como a diminuição da absorção de nutrientes essenciais, incluindo o cálcio, devido à presença de certos ácidos em sua composição”, alerta Bruna Nabuco Siqueira.

Vinho

Já o vinho……Durante muito tempo, falou-se no chamado “paradoxo francês” e nos possíveis benefícios cardiovasculares do vinho, especialmente o vinho tinto. Hoje, porém, não é adequado recomendar vinho para melhorar a saúde. A OMS afirma que não existe nível de consumo de álcool considerado seguro em relação ao risco de câncer.

O álcool está associado a vários tipos de câncer e a outros problemas de saúde. Qualquer bebida alcoólica pode aumentar o risco de câncer. O álcool pode causar danos ao DNA e outras alterações no organismo. Reduzir ou interromper o consumo diminui esse risco.

Matéria publicada originalmente no site Comida na Mesa – veja aqui

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