Mundo terá 116 milhões de filhos da pandemia, diz Unicef

Unicef alerta para risco de aumento da mortalidade materna e neonatal por conta das medidas de restrição para evitar contágio do coronavírus

Unicef prevê mundo difícil para os "filhos da pandemia" (Foto: banco de imagens)
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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que 116 milhões de bebês nascerão sob a sombra da Covid-19. Há uma previsão de que esses bebês nasçam em até 40 semanas desde o início da pandemia. Os países com o maior número esperado de nascimentos nos nove meses desde a declaração da pandemia são Índia (20,1 milhões), China (13,5 milhões), Nigéria (6,4 milhões), Paquistão (5 milhões) e Indonésia (4 milhões).

A maioria desses países já apresentava altas taxas de mortalidade neonatal mesmo antes da pandemia e podem ver o aumento desses níveis com as condições da Covid-19. Até os países mais ricos são afetados por esta crise. Nos Estados Unidos, o sexto país em termos de número esperado de nascimentos, mais de 3,3 milhões de bebês devem nascer entre 11 de março e 16 de dezembro. Em Nova Iorque, as autoridades estão investigando centros alternativos de parto, pois muitas mulheres grávidas estão preocupadas com dar à luz em hospitais.  

Mas que mundo espera essa nova geração? Para o Unicef, mães e recém-nascidos serão “saudados por uma dura realidade”, incluindo medidas globais de contenção, como confinamentos, bloqueios e toques de recolher. Centros de saúde sobrecarregados com os esforços da resposta à pandemia; escassez de suprimentos e equipamentos também preocupam. Também falta pessoal qualificado para assistir o parto, incluindo parteiras, já que profissionais de saúde são remanejados para tratar pacientes com Covid-19.

O Unicef alertou que as medidas de contenção da Covid-19 poderiam atrapalhar serviços de saúde vitais, como assistência ao parto, colocando milhões de gestantes e seus bebês em grande risco. Para Henrietta Fore, diretora executiva do Unicef, é difícil imaginar o quanto a pandemia, que sobrecarregou sistemas de saúde e cadeias de suprimentos médicos em todo o mundo, reformulou a maternidade.

Milhões de mães em todo o mundo embarcaram em uma jornada de maternidade no mundo que existia. Elas agora precisam se preparar para trazer uma vida ao mundo como ele se tornou. Um mundo onde as gestantes receiam ir aos centros de saúde por medo de ser infectadas. Ou estão perdendo cuidados emergenciais devido a serviços de saúde sobrecarregados e bloqueios e confinamentos”, afirma.

Uma grávida ou recém-nascido morre a cada 11 segundos no mundo

Mesmo antes da pandemia de Covid-19, cerca de 2,8 milhões de mulheres grávidas e recém-nascidos morriam a cada ano, ou um (uma) a cada 11 segundos, a maioria por causas evitáveis. O Unicef pede investimento imediato em profissionais de saúde com o treinamento certo e equipados com os medicamentos certos.. Isso para garantir que todas as mães e recém-nascidos sejam “atendidos por um par de mãos seguras” para prevenir e tratar complicações durante a gravidez e o parto.

O Unicef alerta que, embora evidências sugiram que mulheres grávidas não sejam mais afetadas pela Covid-19 do que outras pessoas, os países precisam garantir que elas ainda tenham acesso aos serviços de pré-natal, parto e pós-parto.

Da mesma forma, os recém-nascidos doentes precisam de serviços de emergência, pois apresentam alto risco de morte. Novas famílias precisam de apoio para iniciar a amamentação e obter medicamentos, vacinas e nutrição para manter seus bebês saudáveis”, destaca o Unicef.

Medidas que as grávidas devem adotar

Embora ainda não se saiba se o vírus é transmitido da mãe para o bebê durante a gravidez e o parto, o Unicef faz algumas recomendações a todas as mulheres grávidas:

• Siga as precauções para se proteger da exposição ao vírus, monitore de perto os sintomas da Covid-19 e procure aconselhamento nas instalações designadas mais próximas se tiver preocupações ou apresentar sintomas;

• Tome as mesmas precauções para evitar a infecção por Covid-19 que outras pessoas: pratique distanciamento físico, evite reuniões físicas e use serviços de saúde online;

• Procure atendimento médico precoce se morar em áreas afetadas ou de risco e tiver febre, tosse ou dificuldade em respirar;

• Continue amamentando o bebê, mesmo que esteja infectada ou suspeite estar infectada, pois o vírus não foi encontrado em amostras de leite materno.

• Mães com Covid-19 devem usar uma máscara ao alimentar o bebê; lavar as mãos antes e depois de tocar no bebê e limpar e desinfetar rotineiramente as superfícies;

• Continue segurando e acalentando o recém-nascido, mantendo os cuidados físicos;

• Pergunte a sua parteira ou a seu/sua profissional de saúde onde acham que é o lugar mais seguro para dar à luz e tenham um plano de parto para reduzir a ansiedade e garantir que cheguem ao local a tempo; e

• Continue com o apoio de saúde, incluindo imunizações de rotina, depois que o bebê nascer.  

Orientações para governos e prestadores de serviços de saúde

Em nome das mães em todo o mundo, o Unicef está apelando urgentemente aos governos e prestadores de serviços de saúde para salvar vidas nos próximos meses:

• Ajudando as mulheres grávidas para que tenham acesso a exames pré-natais, assistência especializada, serviços de assistência pós-natal e cuidados relacionados à Covid-19, conforme necessário;

• Assegurando o que os profissionais de saúde recebam o equipamento de proteção individual necessário e obtenham testes e vacinação prioritários assim que uma vacina contra a Covid-19 estiver disponível, para que possam oferecer atendimento de alta qualidade a todas as mulheres grávidas e recém-nascidos durante a pandemia;

• Garantindo que todas as medidas de prevenção e controle de infecção estejam em vigor nas unidades de saúde durante e imediatamente após o parto;

• Permitindo que os profissionais de saúde alcancem mulheres grávidas e novas mães por meio de visitas domiciliares, incentivando as mulheres que vivem em áreas remotas a que usem as casas de espera maternas e usando estratégias móveis de saúde para teleconsultas;

• Capacitando, protegendo e equipando os profissionais de saúde com kits higienizados de parto para atender partos domiciliares onde as unidades de saúde estiverem fechadas; e

• Alocando recursos para serviços e suprimentos vitais para a saúde materno-infantil.

Fonte: Unicef Brasil

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