O início do ano é, tradicionalmente, o período em que traçamos planos para o corpo e para a carreira. Mas, você já parou para planejar o cuidado com as suas emoções? A campanha Janeiro Branco, criada em 2014, surge justamente para colocar a saúde mental no topo da lista de prioridades.

Em um mundo onde mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cuidar da mente deixou de ser um luxo para se tornar uma urgência coletiva.

Quebrando o estigma: saúde mental não é sinal de fraqueza

Um dos maiores desafios da campanha ainda é o preconceito. Historicamente, transtornos mentais foram associados à incapacidade, o que faz com que muitos sofram em silêncio. No Brasil — país que ocupa o segundo lugar global em diagnósticos de ansiedade —, o estigma e os custos elevados de tratamentos privados dificultam o acesso ao cuidado.

Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. A saúde mental merece o mesmo cuidado que a saúde física”, reforça a Dra. Karen Mundim.

O “básico bem feito” como prevenção

Muitas vezes, a busca pelo equilíbrio emocional parece complexa, mas a médica Karen Mundim D’Alessandro, residente de psiquiatria do Instituto Maria Modesto, defende que a base de tudo está na simplicidade. Segundo ela, o “básico bem feito” é o pilar de qualquer prevenção ou tratamento.

Para cultivar a saúde mental no dia a dia, a especialista recomenda:

  • Rotina equilibrada de sono: Dormir bem é essencial para a regulação do humor.

  • Alimentação e exercícios: O corpo e a mente estão conectados; o movimento físico ajuda na liberação de neurotransmissores do bem-estar.

  • Momentos de prazer: Reservar um tempo na agenda para lazer e relaxamento não é perda de tempo, é investimento em saúde.

  • Terapia: Uma ferramenta poderosa para aprender a lidar com as emoções de forma funcional.

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O papel do autoconhecimento: como identificar se você precisa de ajuda profissional?

Para a psicóloga Jacqueline Sampaio, da Clínica Jacqueline Sampaio Mental Health, a terapia vai além de tratar doenças; ela é um espaço de prevenção. Através da abordagem Gestalt, ela explica que o autoconhecimento permite que as pessoas se identifiquem como indivíduos e façam escolhas mais saudáveis para si mesmas, evitando o esgotamento em um mundo cada vez mais acelerado.

Se você ou alguém próximo apresenta sinais persistentes como isolamento social, tristeza profunda, falta de interesse por atividades que antes eram prazerosas ou alterações constantes no apetite e sono, é hora de acender o sinal de alerta. Instituições como o Instituto Maria Modesto (IMM) em Uberaba, por exemplo, oferecem suporte que vai desde consultas ambulatoriais pelo SUS até internações para casos agudos, mostrando que o apoio existe e é um direito.

O Janeiro Branco é apenas o ponto de partida. Que este convite à reflexão emocional se estenda por todos os meses de 2026, transformando a prevenção em cultura e o cuidado em hábito.

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