Internações por gripe e vírus sincicial seguem em alta no país

Enquanto VSR e influenza A mantêm crescimento, casos de síndrome respiratória aguda grave por covid-19 estão em queda, diz Fiocruz

Melhor forma de prevenção contra a gripe é a vacinação (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)
Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

Aumentam em todo o país as internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente devido ao vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A, o vírus da gripe. Já as infecções por Covid-19 permanecem em queda, com alguns estados mantendo estabilidade em patamares baixos. É o que revela o novo Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (18/4) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Há sinal de crescimento nas internações tanto na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) quanto na de curto prazo (últimas três semanas). Desde o início de 2024, foram registrados 2.322 óbitos por SRAG no país, sendo 1.411 (60,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório.

Conforme o boletim, as mortes associadas ao vírus da gripe confirmadas em resultado  laboratorial nas últimas quatro semanas estão se aproximando das mortes em função da Covid-19, “por conta da diferença do quadro de diminuição da Covid-19 e aumento de casos de influenza”.

Este ano, já foram notificados 33.998 casos de SRAG, sendo 15.098 (44,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 13.003 (38,2%) negativos, e ao menos 3.813 (11,2%) aguardando resultado laboratorial. Os dados do novo boletim são referentes à Semana Epidemiológica (SE) 15, de 7 a 13 de abril, com base em dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 15 de abril.

 

Leia mais

Gripe: morte de idosos no RJ é 8 vezes maior que em 2023
Covid-19: taxa de positividade cai e casos de gripe crescem no RJ
É influenza ou vírus sincicial respiratório? Entenda as diferenças

Recomendação é vacina contra gripe e uso de máscara

Diante desse contexto, o pesquisador do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, destaca a importância da vacinação contra a influenza, que foi antecipada este ano pelo Ministério da Saúde, começando em 25 de março em todo o país.

“Quem é grupo de risco, deve buscar o posto de saúde para se vacinar. A vacina da gripe, tal qual a vacina da covid, tem como foco diminuir o risco de agravamento de um resfriado, que pode  acabar desencadeando uma internação e até, eventualmente, uma morte. Ou seja, a vacina é simplesmente fundamental“, destacou.

Em relação ao VSR, ele lembra que a rede privada já tem uma vacina disponível para idosos, que também é muito importante. “Embora o risco do VSR seja muito maior nas crianças pequenas, a gente também observa internações nos idosos”, afirma o pesquisador.

Ele reforça ainda a  importância do uso de boas máscaras (N95, KN95, PFF2) para qualquer pessoa que for a uma unidade de saúde e para quem estiver com sintomas de infecção respiratória.

Maioria das mortes é por covid-19 entre pessoas idosas

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, o maior número de casos com resultado positivo para vírus respiratórios foi de vírus sincicial respiratório (54,9%), seguido de influenza A (20,8%), Sars-CoV-2/Covid-19 (14,9%) e influenza B (0,3%). Já nas mortes neste período por SRAG, a maioria tinha presença de Sars-CoV-2 (47,3%), influenza A (40,8%) e VSR (10,7%). Não houve mortes relacionadas ao vírus influenza B.

De acordo com o novo boletim da Fiocruz, as mortes por Síndrome Respiratórias Aguda Grave (SRAG) se mantêm significativamente mais elevadas nos idosos, com amplo predomínio da covid-19 nessa faixa etária. No entanto, nas crianças de até dois anos de idade, o cenário é distinto.

O  aumento da circulação do VSR tem gerado crescimento expressivo da mortalidade de SRAG nas crianças pequenas, superando aquelas associadas à covid-19 nessa faixa etária nas últimas oito semanas epidemiológicas, refletindo o cenário da circulação viral do período. Outros vírus respiratórios com destaque para a incidência de SRAG nas crianças pequenas continuam sendo a covid-19 e o rinovírus.

20 estados têm sinal de crescimento de SRAG a longo prazo

Na nova atualização do Boletim Infogripe da Fiocruz, 20 estados apresentam sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

Em relação aos casos de SRAG por covid-19, há a manutenção do sinal de queda nos estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Nas demais regiões, há estabilidade em patamares relativamente baixos.

Entre as capitais, 19 mostram indícios de aumento: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), plano piloto e arredores de Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT),  Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Manaus (AM), Palmas (TO), Recife (PE), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA) e São Paulo (SP).

Resultados positivos para vírus respiratórios e óbitos em 2024

Dentre os casos positivos de 2024, a maioria (43,5%) é pelo virus Sars-CoV-2/Covid-19, seguido do vírus sincicial respiratório (29,2%) e dos vírus influenza A (14,2%) e influenza B (0,3%).

Já foram registrados 2.322 óbitos, sendo 1.411 (60,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 728 (31,4%) negativos e ao menos 78 (3,4%) aguardando resultado laboratorial.

Dentre os óbitos positivos de 2024, a maioria foi por Sars-CoV-2/Covid-19 (81,7%), influenza A (12,3%), vírus sincicial respiratório (3,1%) e influenza B (0,1%).

Nas últimas quatro semanas, do total de casos de SRAG, 54,9% foram por VSR e 20,8% por influenza A. Entre as mortes, os dois vírus são os mais presentes.

Outros 728 casos (31,4%) deram negativo e ao menos 78 (3,4%) ainda estão aguardando resultado laboratorial.

“Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado”, informa a Fiocruz.

Fonte: Agência Fiocruz

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

You may like

In the news
Leia Mais
× Fale com o ViDA!