Diarreia persistente por mais de quatro semanas, dor abdominal contínua, perda de peso sem motivo aparente e anemia. Esses sintomas, muitas vezes negligenciados ou confundidos com mal-estares passageiros, são os principais sinais de alerta para as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs).

Mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo vivem com as DIIs. As duas principais manifestações são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. No Brasil, a estimativa é de que cerca de 0,1% da população conviva com essas enfermidades – mais de 100 a cada 100 mil habitantes sejam afetados, segundo dados da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).

A situação acende um alerta: um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas revelou que a quantidade de diagnósticos de DIIs no Brasil aumentou 233% entre 2012 e 2020. A região Sudeste apresentou um dos maiores crescimentos do país.

Diante do avanço dos casos, Para conscientizar a população e dar visibilidade a essas condições, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e outras instituições médicas promovem ao longo deste mês a campanha Maio Roxo.

O que são as DIIs e quem corre mais risco?

Elas não devem ser confundidas com distúrbios intestinais simples. Enquanto a retocolite ulcerativa afeta o cólon e o reto, a doença de Crohn pode inflamar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus.Embora possam surgir em qualquer etapa da vida, elas apresentam maior prevalência em adultos jovens (na faixa dos 20 aos 30 anos) e em idosos (entre 60 e 70 anos).

De acordo com a Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro (AGRJ), a incidência dessas condições é maior entre jovens de 15 a 40 anos, embora o alerta se estenda a todas as idades, inclusive idosos acima de 60 anos. Apesar de o histórico familiar represente um fator de predisposição genética importante, a detecção precoce dos sintomas continua sendo a principal arma para evitar o agravamento do quadro.

A causa das DIIs não é única e envolve múltiplos fatores:

  • Hereditariedade: familiares de pacientes têm maior predisposição genética;
  • Estilo de vida: tabagismo, obesidade e sedentarismo;
  • Fatores ambientais: o processo de industrialização e a dieta moderna;
  • Microbiota: alterações na flora bacteriana intestinal e desequilíbrios no sistema imunológico.

Entenda a diferença entre a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa

As inflamações intestinais crônicas não têm uma causa totalmente definida, mas sabe-se que envolvem uma reação imunológica em que o próprio organismo ataca as células do sistema digestivo  No cenário nacional, estima-se que uma a cada mil pessoas conviva com a doença de Crohn ou a retocolite ulcerativa.

A diferenciação entre as duas patologias é fundamental, pois cada uma age de forma distinta no corpo:

  • Doença de Crohn: Pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, desde a boca até o ânus. É capaz de causar aftas orais, lesões no intestino delgado (fino) e grosso, além de fístulas e fissuras na região anal. Acomete toda a espessura da parede intestinal.

  • Retocolite Ulcerativa: Restringe-se ao cólon e ao reto, inflamando principalmente a camada mais superficial da mucosa intestinal.

A corrida contra o tempo e as barreiras no diagnóstico

Mesmo se tratando de enfermidades crônicas e ainda sem cura definitiva, o avanço da medicina permite que os pacientes recuperem totalmente a qualidade de vida. O grande desafio atual apontado pela comunidade médica reside na necessidade urgente de ampliar o acesso da população tanto aos exames de diagnóstico quanto às terapias modernas de alta complexidade, que já estão preconizadas nos planos de saúde e no SUS.

A identificação correta das DIIs exige uma investigação detalhada conduzida por especialistas, como o coloproctologista ou o gastroenterologista. O principal exame utilizado para a confirmação diagnóstica é a colonoscopia, que pode ser complementada por métodos de imagem como tomografia, ressonância magnética e ultrassom, especialmente úteis quando a inflamação afeta o intestino delgado.

O grande desafio enfrentado pelos pacientes no país é o tempo de espera pelo atendimento especializado e pelos exames regulados. Em muitas localidades, as filas para a realização de uma colonoscopia podem ultrapassar um ano.  Essa demora faz com que o paciente perca a chamada “janela de oportunidade” — o período inicial da doença em que as intervenções terapêuticas são significativamente mais eficazes e capazes de frear a evolução dos danos ao intestino. Na ausência de especialistas na rede local, a orientação é buscar o médico da atenção primária nos postos de saúde para iniciar a investigação básica e acelerar o encaminhamento.

Linhas de tratamento e fatores de risco

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) específicos para as Doenças Inflamatórias Intestinais, garantindo o fornecimento gratuito de medicamentos de alta complexidade.

Embora muitos fármacos sirvam para ambas as condições, existem remédios específicos para cada diagnóstico. Em casos graves ou de complicações obstrutivas, intervenções cirúrgicas podem ser necessárias, incluindo o uso temporário ou definitivo da bolsa de colostomia para a coleta de fezes e gases.

Paralelamente aos fatores genéticos e imunológicos, o aumento global dos casos de DIIs tem acendido o alerta para o impacto do estilo de vida moderno. Médicos apontam que o controle de fatores de risco ambientais é peça-chave na prevenção e no manejo das crises. Entre os principais vilões associados ao desencadeamento das crises estão:

  • Alimentação inadequada: Dietas ricas em alimentos ultraprocessados.

  • Tabagismo: Fator que agrava consideravelmente a evolução da doença de Crohn.

  • Estresse emocional: Atua como um gatilho para a exacerbação dos sintomas inflamatórios.

Agenda Positiva

Campanha Maio Roxo alerta sobre diagnóstico precoce e prevenção

A campanha Maio Roxo foca na necessidade do diagnóstico precoce e na busca por assistência médica adequada, fatores determinantes para garantir a qualidade de vida dos pacientes. No Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal (19 de maio), especialistas reforçam os pontos fundamentais sobre a convivência com a condição.

  • Público mais afetado: Embora possa se manifestar em qualquer idade, a incidência é maior entre jovens e adultos na faixa dos 15 aos 40 anos, impactando diretamente a fase mais produtiva da vida profissional.

  • Sinais de atividade: A urgência evacuatória (ir ao banheiro mais de cinco vezes ao dia), dores abdominais crônicas e sangramentos são indicativos de que a doença está ativa e precisa de intervenção médica imediata.

  • Prevenção de danos: As DIIs não são contagiosas e nem fatais, mas a ausência de controle clínico pode gerar consequências graves e estruturais ao sistema digestivo, como o estreitamento dos canais intestinais e a formação de fístulas, elevando o risco de internações e cirurgias de emergência.

Cristo Redentor é iluminado em roxo para conscientizar sobre DIIs

Como parte das ações globais do Maio Roxo, o monumento ao Cristo Redentor recebe uma iluminação especial na cor roxa para marcar o Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal (19 de maio). A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro (AGRJ) e o Consórcio Cristo Sustentável, com o objetivo de dar maior visibilidade à jornada dos pacientes e combater o estigma que cerca essas condições.

Além do ato simbólico no maior cartão-postal do Rio de Janeiro, a parceria promoverá ações concretas de responsabilidade social ao longo do mês. A AGRJ vai ministrar cinco palestras educativas focadas na prevenção e identificação precoce das DIIs, direcionadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social que são atendidas pelos projetos do Consórcio Cristo Sustentável.

Com Assessorias e Agência Brasil

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