Em pleno século 21, falar sobre saúde mental ainda é um tabu cercado de ruídos. Apesar do avanço de campanhas como o Janeiro Branco e o Setembro Amarelo, a palavra estigma — que em sua essência significa exclusão e discriminação — continua sendo o principal obstáculo para quem precisa de assistência médica.

A psiquiatra Maria Fernanda Caliani alerta que o preconceito, ou psicofobia, isola o indivíduo em seu sofrimento. “Somos todos suscetíveis a vivenciar a angústia ou uma crise emocional. É próprio do ser humano”, afirma. O problema surge quando a sociedade responde a essa dor com julgamentos ou com a chamada positividade tóxica.

O perigo de minimizar a dor alheia

Frases que parecem inofensivas podem ser profundamente danosas para quem enfrenta um transtorno mental. Exemplos como “você deveria ser grato” ou “há quem esteja pior” não ajudam; pelo contrário, geram culpa.

De acordo com a psiquiatra Carolina Tajra, quem sofre com essas questões geralmente tem plena consciência da realidade, mas a química cerebral ou traumas vividos impedem uma reação simples de “força de vontade”. Estar em um momento de vulnerabilidade não significa que a pessoa seja a doença, mas que ela está passando por um processo que exige cuidado técnico e acolhimento.

Quando a mente sinaliza: os sinais de alerta

Muitas vezes, a pessoa percebe que “não vai dar conta”, mas adia a busca por ajuda devido ao gasto de energia considerável para manter as aparências. Dra. Maria Fernanda lista os alertas que indicam a necessidade de um psiquiatra ou psicólogo:

  • Reações desproporcionais: Irritabilidade excessiva ou intolerância a pequenos fatos.

  • Insônia frequente: Quando a falta de sono começa a prejudicar o desempenho diário.

  • Dores inexplicáveis: O corpo manifesta fisicamente a angústia mental.

  • Compulsões: Uso de substâncias (álcool/drogas) ou rituais repetitivos para aliviar a ansiedade.

  • Fobias: Medo paralisante de situações inofensivas, como elevadores ou multidões.

  • Pensamentos autodestrutivos: Este é o sinal de alarme máximo. Se houver pensamentos de morte ou automutilação, a ajuda deve ser imediata.

Estratégias para derrubar o muro do preconceito

Cuidar da mente é cuidar de todo o organismo. Para superar os estigmas e fortalecer a saúde emocional em 2026, os especialistas recomendam:

  1. Escuta ativa e empática: Ao ouvir um amigo, ofereça apoio sem comparações.

  2. Revisão de prioridades: Aprenda a direcionar sua energia para o que realmente importa e mude o foco de cobranças excessivas.

  3. Hobbies e Natureza: Atividades terapêuticas e o contato com o meio ambiente ajudam a baixar os níveis de cortisol.

  4. Vínculos profundos: Invista em relacionamentos que ofereçam segurança emocional.

“Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de inteligência emocional”, conclui a Dra. Maria Fernanda. O Janeiro Branco nos convida a ouvir nossos próprios ruídos internos e a entender que o equilíbrio mental determina não apenas como lidamos com o sofrimento, mas também como experimentamos a felicidade.

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