O Carnaval de Rua do Rio de Janeiro é tradicionalmente conhecido pela alegria e pluralidade de seus foliões e reafirma sua vocação como espaço de transformação social e inclusão. Mas a cada ano que passa ele se torna mais engajado com temas como diversidade, acessibilidade e sustentabilidade.
Este, aliás, é o tripé da formação do Sereias da Guanabara, um bloco LGBTQIA+ criado em 2017 que arrasta uma multidão no Aterro do Flamengo. Os integrantes procuram usar materiais reciclados nas fantasias, aproveitando a “potência festiva do lixo”. Tudo é reaproveitado.
Durante a passagem do bloco, seus fundadores, Leo Solez e Jorge Badaue, que atuam como DJs no trio elétrico, estão sempre conscientizando os foliões sobre a importância da coleta do lixo, para deixar novamente o Aterro em condições de uso para os próximos usuários do local. No ano passado, o bloco ganhou o Selo Verde de Sustentabilidade.
A história do bloco, que celebra este ano seu nono aniversário, está relacionada à fabulação de um imaginário sobre a Baía de Guanabara, sofrendo poluição durante muitas décadas. Há consciência também sobre a potência de vida animal que existe na Baía de Guanabara e que alimenta a cidade do Rio de Janeiro e a região metropolitana.
Para a gente fazer o bloco no Aterro é muito simbólico porque a Praia do Flamengo foi despoluída e está sendo agora muito usada pelos cariocas. Essa sempre foi uma pauta nossa durante o bloco, procurar falar sobre conscientização das pessoas em relação ao lixo”, citou Leo Solez.
Um dos princípios do bloco, segundo sublinhou Jorge Badaue, é que existe o entendimento de que a Baía de Guanabara, apesar de sofrer muito com a poluição, não morre. “A gente refletiu muito sobre essa resistência da vida, apesar de questões adversas”.
Djs Leo Solez e Jorge Badaue, do Bloco Sereias da Guanabara – Acervo do bloco
Diversidade da fauna marinha é a marca do bloco
Outra característica do bloco é a diversidade, “até porque a fauna marinha é diversa”, dizem os organizadores. Além das pessoas LGBTQIA+, o Sereias está aberto à participação de pessoas de todos os gêneros. “Tem pessoas trans, pessoas cis, héteros também são bem-vindos. Nos nossos eventos, a gente também preza por acessibilidade, que é um pilar nosso”, afirmaram os sócios.
A ampla e diversa fauna marinha virou uma marca do bloco. “De cima do trio elétrico a gente vê muito azul, verde-água. A galera compra legal essa ideia do universo marinho. Além de ser a cara do Rio de Janeiro, que tem um vínculo muito forte com o mar e natureza”.
Jorge Badaue acrescentou que o público abraça a ideia do universo marinho, porque ele envolve uma certa fantasia, lúdica, carnavalesca, de sereias. Acaba sendo um universo muito rico para se explorar em termos de figurino e fantasia”.
O primeiro desfile do Sereias da Guanabara foi realizado no dia 20 de janeiro de 2017, no período pré carnaval. Essa data é considerada a fundação do bloco, cuja criação ocorreu no final de 2016. O bloco de rua também sai no dia 17 de fevereiro, com concentração às 14h, no Aterro do Flamengo, próximo ao estacionamento do Assador Rio’s, churrascaria de rodízio instalada nas imediações.

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